João Marques de Almeida na Atlântico 33:
Sugiro três explicações para o radicalismo da extrema-esquerda e a timidez da esquerda moderada. Em primeiro lugar, grande parte da esquerda, principalmente em Portugal e em Espanha, por razões históricas que todos conhecem, não precisa de muito para achar que, no fundo, Aznar é mesmo um “fascista”. De resto, o passado recente está cheio de exemplos em que os líderes do centro-direita portugueses e espanhóis, à mínima divergência séria, são logo chamados de “fascistas”. No recurso ao termo, Chávez recorreu simplesmente a uma longa tradição da esquerda ibérica. Está na altura de a esquerda moderada perceber, de uma vez por todas, que a direita não é “fascista” e que o recurso a condenações ideológicas, quando apenas existem divergências políticas, acaba por ter custos inesperados, como já demonstrou perceber o primeiro-ministro espanhol.