A ranking das escolas, divulgado pelo Ministério da Educação, veio comprovar o lugar cimeiro das escolas privadas. Naturalmente que estas também podem ser más. E muitas o são. No entanto, a vantagem da escola privada não reside em ser melhor ou pior, mas na liberdade de escolha que permite premiar as melhores e incentivar, ou condenar, as piores. É essa liberdade que força as privadas a serem as melhores do país.
As vantagens do privado não se ficam por aqui. Não se limitam à escola ser privada em vez de pública. A privatização deveria ir mais longe e atingir o próprio ensino, o próprio programa de ensino que seria decidido escola a escola. Sempre com escolha final dos pais e não do Ministério da Educação naquele edifício ali na 5 de Outubro, bem no centro de Lisboa.
E já agora, em vez de perderem tempo com a regionalização, os senhores do norte e amigos do senhor Luís Filipe Menezes podiam exigir um ensino verdadeiramente privado e, por força das circunstâncias, uma verdadeira descentralização das políticas de ensino.
O que escreve tem uma certa lógica, mas denota uma certa visão elitista do ensino. A consequência da valorização das melhores e condenação das piores (a meu ver uma atitude correcta) tem como consequência a filtração de certos estratos sociais à entrada do ensino privado. Assumir o ensino privado como uma alternativa viável ao ensino publico em Portugal teria como consequência a alienação de uma boa parte da população.
Aplicar este modelo ao ensino superior terá alguma lógica, garantir o mérito e a excelência. Aplicar o mesmo modelo a um nível de ensino que se pretende ser a base da formação de qualquer individuo e generalizado para toda a população não seria portanto viável.
Perante uma certa inaptidão do ensino público para garantir níveis mínimos de ensino de qualidade, a solução obviamente não será entrar em dogmatismos criando guetos de excelência aparente e dizer ‘…vejam como somos bons.’
Já o segundo ponto, sobre a possibilidade da privatização atingir ainda os programas de ensino, dando liberdade aos pais de decidirem o que se ensina ou não aos alunos, não me parece de todo aplicável a um modelo de ensino totalmente privado (em substituição do público, não em alternativa). Não explicitando o André a que nível os pais poderiam intervir, não vejo como possa crer que todos os pais estariam aptos a decidir a totalidade da educação dos seus filhos e como isso pode ser desejável e benéfico para o país e em ultima análise para a sociedade. Primeiro, está a assumir que existe um nível intelectual suficientemente elevado entre os pais para se pronunciarem em matérias distintas. Segundo estaria a dar azo a uma situação deveras desagradável, onde se mistura ciência e religião de forma execrável (mas essa é outra discussão). Um ensino uniformizado, passível no entanto de ser adaptado a diferentes situações parece-me a melhor escolha portanto.
Comentário por João — Outubro 24, 2007 @ 19:15
Caminhar desde já para uma escola autónoma,capaz de se gerir,de escolher o seu quadro de professores, de lançar pontes de entendimento com as “forças civis” e de ser apreciada segundo o mérito dos resultados conseguidos, seria um passo extraordinário.
Os pais deveriam ter o poder de escolherem a escola preferida para os seus filhos e de colaborarem na sua gestão.
Para o ensino superior concordo com a máxima autonomia,incluindo financeira,com a ressalva de nenhum aluno deixar de ter acesso ao ensino por razões económicas.O crédito aos alunos é uma boa medida desde que seja o banco a apreciar o risco que envolve as operações de empréstimo.Só em caso negativo é que o Estado deveria intervir,concedendo garantias.
Restaria um número bastante restrito de escolas e de casos que seriam o universo público escolar!
O objecto do ME era trazer para a esfera “privada e autónoma” estas escolas, que pela sua problemática exijam um período maior de maturação!
Comentário por Luis Moreira — Outubro 24, 2007 @ 23:11
A divulgação deste ranking sempre me pareceu falaciosa. Ou, pelo menos, parcialmente falaciosa. Comparar a média de notas de Escolas/Colégios com 10 a 20 alunos (de alguma forma seleccionados) e com um número total de exames de 30, 50, 70… com Escolas com 300 a 400 alunos e cerca de 1000 exames, nunca pode ser muito correcto. Como é óbvio, nos extremos – Top mais ou Top menos – ficarão sempre as escolas com poucos alunos, e as escolas com muitos alunos estarão sempre, maioritariamente, no meio do pelotão.
Este tipo de informação apenas revela – e só para as escolas com mts alunos – aquilo a que se poderá chamar o “aluno médio”.
Se quisermos conhecer os bons alunos, no fundo aferir a exclência – não deveria ser um dos objectivos de ranking? – teriamos que saber a média dos 25 melhores, dos 50 melhores… E neste caso os resultados já seriam, de certeza, muito diferentes!
Comentário por Gasel — Outubro 25, 2007 @ 00:12
Obrigado pelos comentários, todos eles pertinentes. Tentarei,a partir deles, dar seguimento à discussão, explicando melhor o meu ponto de vista.
Comentário por André Abrantes Amaral — Outubro 25, 2007 @ 10:27
João:
“Assumir o ensino privado como uma alternativa viável ao ensino publico em Portugal teria como consequência a alienação de uma boa parte da população.”
Ao retirar liberdade de escolha não está o ensino público a alienar a maioria da população? Já agora, um exemplo: o facto de alguns condutores deslocarem-se de Ferrari não tem como consequência a alienação dos restantes automobilistas que conduzem automóveis mais baratos.
“Não explicitando o André a que nível os pais poderiam intervir, não vejo como possa crer que todos os pais estariam aptos a decidir a totalidade da educação dos seus filhos e como isso pode ser desejável e benéfico para o país e em ultima análise para a sociedade.”
Os nossos filhos não pertencem ao país! Qualquer benefício para o resto da sociedade terá de ser apenas um efeito secundário das livres escolhas dos cidadãos.
“Um ensino uniformizado, passível no entanto de ser adaptado a diferentes situações parece-me a melhor escolha portanto.”
Está a querer impor a sua escolha à dos restantes cidadãos! Uma característica comum aos políticos…
Comentário por BZ — Outubro 25, 2007 @ 12:14
Luis Moreira:
“Para o ensino superior concordo com a máxima autonomia, incluindo financeira, com a ressalva de nenhum aluno deixar de ter acesso ao ensino por razões económicas. O crédito aos alunos é uma boa medida desde que seja o banco a apreciar o risco que envolve as operações de empréstimo. Só em caso negativo é que o Estado deveria intervir, concedendo garantias.”
Se um banco – depois de analisar as aptidões do aluno e viabilidade do curso pretendido – considerar o investimento de elevado risco, que dados extra terá o Estado para poder conceder uma garantia? Devem os restantes contribuintes pagar por alunos e/ou cursos inviáveis?
Nota: dado existirem indíviduos a quem os bancos rejeita o crédito à habitação deve o Estado conceder-lhes garantias?
Comentário por BZ — Outubro 25, 2007 @ 12:25
Gasel:
“Comparar a média de notas de Escolas/Colégios com 10 a 20 alunos (de alguma forma seleccionados) e com um número total de exames de 30, 50, 70… com Escolas com 300 a 400 alunos e cerca de 1000 exames, nunca pode ser muito correcto.”
Essa é a razão porque nas análises dos órgãos de comunicação se exclui as escolas com menos de 100 exames! Mas um estudo estatístico mais aprofundado é aconselhável. Aqui fica o desafio aos mais habilitados.
Comentário por BZ — Outubro 25, 2007 @ 12:29
Nopes, excluem escolas com menos de 25 exames. De qualquer modo, basta ver as melhores 20 ou piores 20, onde maioritariamente o número de exames é baixo
Comentário por Gasel — Outubro 25, 2007 @ 13:31
Sem mais caro Watson. Sou, infelizmente, professor do sistema público de “ensino” e CLARAMENTE que é imperioso que o Estado paternalista deixe a escola à sociedade civil! Neste país soviético, o Estado tem o PODER ABSOLUTO nesta matéria. Como pode tal acontecer? Como é possível, nós portugueses, permitirmos uma situação destas? Na Grande Lisboa, as famílias com algum poder económico podem colocar os seus filhos em escolas de qualidade privadas, o problema é que no resto do país essa escolha é algo muito complicado porque tal não existe ou é muito limitada. Então, mesmo aqueles que consideram a escola pública demasiado facilitista, laxista, indisciplina e cheia de ideologias pós-modernas e muito de esquerda, têm muita dificuldade em as evitar. Repare que, hoje, todos aqueles que mandam efectivamente na escola pública por vaidade pessoal IMPÕEM que TODOS os alunos desde o 1º ciclo inclusivé tenham Educação Sexual, Educação para a Cidadania, Educação para a Prevenção Rodoviária, etc…! Mas quem se consideram estes indivíduos para imporem a educação por decreto a todas as famílias? E como é possível o Estado considerar que tem o DIREITO de invadir a EDUCAÇÃO parental? Um dia ainda teremos um funcionário ou um professor a viver em casa de família para verificar que educação é fornecida aos educandos! Enfim, para o Estado e para todos aqueles que se pavoneiam à custa da escola pública o seu único objectivo é aparecerem o maior número de vezes na comunicação social com todas as suas teorias pedagógicas tontas e completamente irrealistas!
Comentário por Donietsy — Outubro 25, 2007 @ 18:19
[...] Comentário do leitor Donietsy ao post O ensino privado: Sou, infelizmente, professor do sistema público de “ensino” e CLARAMENTE que é imperioso que o Estado paternalista deixe a escola à sociedade civil! Neste país soviético, o Estado tem o PODER ABSOLUTO nesta matéria. Como pode tal acontecer? Como é possível, nós portugueses, permitirmos uma situação destas? Na Grande Lisboa, as famílias com algum poder económico podem colocar os seus filhos em escolas de qualidade privadas, o problema é que no resto do país essa escolha é algo muito complicado porque tal não existe ou é muito limitada. Então, mesmo aqueles que consideram a escola pública demasiado facilitista, laxista, indisciplina e cheia de ideologias pós-modernas e muito de esquerda, têm muita dificuldade em as evitar. Repare que, hoje, todos aqueles que mandam efectivamente na escola pública por vaidade pessoal IMPÕEM que TODOS os alunos desde o 1º ciclo inclusivé tenham Educação Sexual, Educação para a Cidadania, Educação para a Prevenção Rodoviária, etc…! Mas quem se consideram estes indivíduos para imporem a educação por decreto a todas as famílias? E como é possível o Estado considerar que tem o DIREITO de invadir a EDUCAÇÃO parental? Um dia ainda teremos um funcionário ou um professor a viver em casa de família para verificar que educação é fornecida aos educandos! Enfim, para o Estado e para todos aqueles que se pavoneiam à custa da escola pública o seu único objectivo é aparecerem o maior número de vezes na comunicação social com todas as suas teorias pedagógicas tontas e completamente irrealistas! [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » A ditadura do eduquês — Outubro 26, 2007 @ 00:01