O Insurgente

Outubro 22, 2007

Deus não dorme

Filed under: Comentário,Livros,Religião — André Azevedo Alves @ 21:29

Richard Dawkins - A Desilusão de Deus
A avaliar pelo divertido título da edição portuguesa – A Desilusão de Deus -, Richard Dawkins, um dos mais populares profetas do ateísmo militante na actualidade, teve em Portugal um tradutor à altura da qualidade da sua mais recente obra.

17 Comentários »

  1. o tradutor foi um infiltrado, um crente.

    Comentário por Gabriel Silva — Outubro 22, 2007 @ 22:03

  2. É a prova de que Ele existe e escreve certo por linhas tortas. :)

    Comentário por Pedro José Félix — Outubro 22, 2007 @ 22:14

  3. “o tradutor foi um infiltrado, um crente.”

    Nunca se sabe… :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 22, 2007 @ 23:09

  4. Recebi hoje mesmo a indicação do seguinte, um texto de Roger Scruton escalpelizar as recentes obras dos tais ‘intellectual hooligans’ (nas palavras de Roger Sandall).

    Roger Scruton is a philosopher and a research professor at the Institute for the Psychological Sciences, Virginia

    TODAY’S ATHEIST POLEMICS IGNORE THE MAIN INSIGHT OF THE ANTHROPOLOGY OF RELIGION—THAT RELIGION IS NOT PRIMARILY ABOUT GOD, BUT ABOUT THE HUMAN NEED FOR THE SACRED. AS RENé GIRARD ARGUES, RELIGION IS NOT THE CAUSE OF VIOLENCE, BUT THE SOLUTION TO IT
    It is not surprising that decent, sceptical people, observing the revival in our time of superstitious cults, the conflict between secular freedoms and religious edicts, and the murderousness of radical Islamism, should be receptive to the anti-religious polemics of Richard Dawkins, Christopher Hitchens and others. The “sleep of reason” has brought forth monsters, just as Goya foretold in his engraving. How are we to rectify this, except through a wake-up call to reason, of the kind that the evangelical atheists are now shouting from their pulpits? What is a little more surprising is the extent to which religion is caricatured by its current opponents, who seem to see in it nothing more than a s…

    ——————
    You can see the entire article at:
    http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=9708

    Comentário por Patricia Lanca — Outubro 22, 2007 @ 23:22

  5. Fazer juízos de valor sobre obras que nunca se leram. Shame…

    Nunca o leram nem tão pouco pegaram sequer na obra, porque senão certamente que saberiam que a obra não teve um tradutor, mas sim duas tradutoras.

    Comentário por Filipe Brás Almeida — Outubro 29, 2007 @ 14:42

  6. Este debate é útil por um motivo, estamos todos a chegar à mesma conclusão, Deus não existe, mas é necessário para manter as hordes da populaça em ordem, como refere Patricia Lança. Cheguei à mesma conclusão ao ver o debate com D’Souza e Hitchens que o André colocou neste blog outro dia. Nãos e debatem as crenças ou as metáforas das religiões, debate-se a necessidade da sua existência.

    De facto essa necessidade do sagrado existe biologicamente impressa no nosso cérebro é o chamada Godspot:

    http://atheistempire.com/reference/brain/main.html

    Aliás o ser humano, prova da sua evolução, está refém de todos e mais alguns instintos primitivos, que nos ajudariam a sobreviver no mundo natural repleto de perigos. Numa sociedade primitiva de facto a religião resultou numa ferramenta muito útil para manter a populaça em ordem.

    Que enganem a populaça então, se é assim que querem manter a ordem… mas custa-me que uma certa classe intelectual continue agarrada a ficções e crenças inúteis. Não teremos aqui uma oportunidade de evoluirmos? É de facto deprimente ver como uma sociedade inteira se denomina de cristã, mas quando confrontados com aquilo que teriam de acreditar para serem de facto cristãos, muitos se revelam apenas teístas ao considerarem toda a História cristã, exactamente uma estória.

    Quando um sentimento religioso consegue ser reproduzido em laboratório, não deita por terra qualquer hipótese de crença (vide link acima)? Quando se demonstra que uma região do cérebro, ao ser estimulada, provoca uma experiência religiosa do divino isso não dará que pensar a uma classe intelectual?

    Seja, acreditem, as ovelhas não reclamam.

    Comentário por João — Outubro 30, 2007 @ 03:36

  7. Quanto ao título se definirmos ‘Delusion’ como:

    the act of deluding; deception by creating illusory ideas

    então de facto tem lógica o titulo a desilusão. Porque ao ler os argumentos no livro, Deus de facto é uma desilusão ‘by creating illusory ideas’

    Comentário por João — Outubro 30, 2007 @ 03:41

  8. Recomendo ainda a leitura deste livro sobre Deus e o cérebro:

    http://www.andrewnewberg.com/why.asp

    Comentário por João — Outubro 30, 2007 @ 03:43

  9. “Quanto ao título se definirmos ‘Delusion’ como:

    the act of deluding; deception by creating illusory ideas”

    delusion – an idiosyncratic belief or impression that is firmly maintained despite being contradicted by what is generally accepted as reality or rational argument, typically a symptom of mental disorder. – the action of deluding someone or the state of being deluded.

    deception – the action of deceiving someone.

    deceive – (of a person) cause (someone) to believe something that is not true, typically in order to gain some personal advantage.

    (often be deceived) (of a thing) give a mistaken impression.

    disappointment – the feeling of sadness or displeasure caused by the nonfulfillment of one’s hopes or expectations.

    New Oxford American Dictionary.

    O livro não se chama “The God disappointment”…

    Comentário por João Luís Pinto — Outubro 30, 2007 @ 04:48

  10. E? Quantos títulos de filmes estrangeiros são traduzidos à letra? Em termos gráficos ‘A desilusão de Deus’ aproxima-se muito mais do original do que ‘O engano de Deus’ ou ‘A farsa de Deus’. Mas também se vai julgar um livro pelo título nem vale a pena estar a discutir não é?

    Comentário por João — Outubro 30, 2007 @ 11:47

  11. “Quantos títulos de filmes estrangeiros são traduzidos à letra?”

    Eu retorquiria com uma nova questão: quantos títulos de filmes estrangeiros são mal traduzidos (literalmente ou não), quando tinham traduções óbvias que fariam perfeitamente sentido.

    “Em termos gráficos”

    A tradução é uma “arte gráfica”? Agora uma boa tradução mede-se pelo número de letras coincidentes?

    Claramente foi um problema de “false friend”, um problema que ainda mais não é nada incomum por aí.

    Ainda bem que o original não era “The God Constipation”…

    Comentário por João Luís Pinto — Outubro 30, 2007 @ 14:09

  12. Admiro o esforço do João.

    Em vez de um debate entre um idiota: (D’Souza admite que veria com bons olhos uma aliança do ocidente com a islamocracia para marginalizar os progressistas seculares – sim esses autênticos serviçais satânicos) e um orador que entretém mas é frouxo em conhecimento histórico, capacidade argumentativo e lógico: Hitchens poderia facilmente ter rebatido alguns dos pontos mais bizarros do D’Souza em relação à herança dos valores ocidentais. Herança essa que é por ordem cronológica o Classicismo, a invenção de Gutenberg, o Renascimento (do classicismo), o Iluminismo e por fim a Era da Informação. Tudo isto apesar da teocracia cristã, e não como produto da mesma.

    Aliás é precisamente ao período em que o clero detinha o monopólio da capacidade de escrita e transmissão de conhecimentos a que damos o nome da idade das trevas. Foram estes senhores que traduziram (mal) e preservaram os clássicos sem perceberem ou captarem patavina das 1as metodologias de acumulação de conhecimento, percursores do métodos científico.

    Uma sugestão que deixo ao João e a mais quem estiver interessado:

    Ao contrário do que foi «postado», um debate entre duas personagens sérias sobre a existência de deus, a fé e a religião.

    Dawkins e McGrath.

    Na minha terra o que Dawkins faz aqui ao McGrath, chama-se fazer gato sapato.

    Comentário por Filipe Brás Almeida — Outubro 30, 2007 @ 19:40

  13. “Ainda bem que o original não era “The God Constipation”…”

    :) :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 30, 2007 @ 23:06

  14. “Constipation” é o que leva a que coisas como “O Demente” possam nascer.

    Quanto à tendência para os seres humanos precisarem do sagrado, bom, se formos por aí então o Cristianismo tem realmente de ser todo revisto. Uma religião que desde o início não é mais que uma cambada de ressabiados e em relação ao sexo – a coisa mais natural a seguir à fome, sede ou amor à vida – e que portanto se funda na repressão dos nossos instintos mais primários, dificilmente terá moral para falar em necessidade do sagrado.

    Em boa verdade, o que era realmente bom é que homens como Dawkins não tivessem de se preocupar com os religiosos, ou seja, que os religiosos vivessem as suas fantasias sem incomodarem os outros. É porque a religião insiste em impôr-se aos outros que argumentações racionais em torno de um assunto não racionalizável (as divindades são irracionalidade pura, e provar a irracionalidade da falta de razão é tão degradante como irritante como ainda e mais prosaicamente um perfeito disparate) têm de surgir. É uma pena que mentes como Dawkins se tenham de ocupar de uma coisa tão óbvia.

    O debate deveria centrar-se numa coisa mais simples, que é a de garantir em questões concretas princípios universalmente aceites como a laicidade do Estado ou a secularidade da sociedade – e não, por exemplo, a não-contaminação da ciência pela religião. Mais de dois séculos após o Iluminismo ainda estarmos à volta de algo tão básico é desesperante.

    Comentário por Igor Caldeira — Outubro 30, 2007 @ 23:35

  15. João L. Pinto:

    Tem bom remédio, é ler o livro no original. E quanto a fazer uma capa que pretende vender, sim a tradução pode ser e deve ser uma arte gráfica. ;)

    Filipe:

    Obrigado pelo link.

    Igor:

    Mas o problema é exactamente o facto de quando dois ateus escrevem meia dúzia de livros, os líderes religiosos entram em paranóia. Numa época em que o fanatismo religioso mostra a sua cara sem pudor, é essencial que pessoas como Dawkins percam tempo a expor esses verdadeiros ‘pregadores da morte’ e assim falava zaratustra.

    O fanatismo religioso ao perceber o sucesso do método cientifico na sociedade moderna, tenta vender as suas paranóias fazendo-as passar por alternativas cientificas (Intelligent Design). Repito, é essencial que pessoas como Dawkins tenham cada vez mais exposição.

    Comentário por João — Outubro 31, 2007 @ 00:28

  16. João, eu concordo plenamente com isso. O meu desabafo foi apenas no sentido de lamentar que idiotices como o ID tenham de ser rebatidas.

    Comentário por Igor Caldeira — Outubro 31, 2007 @ 07:04

  17. Se Deus não existisse, não fazia sentido ser Ateu….

    Talvez se não experimentar Deus não se possa falar Dele.

    Talvez a imagem que temos de Deus não corresponda à verdade.

    Talvez… Mas isto são apenas suposições minhas.

    Na minha razão não posso compreender uma casa sem arquitecto, um sapato sem fábrica… um mundo sem criador. O acaso? Uma explosão? Não tenho fé suficiente para ser Ateia… Se experimentamos tantas coisas para comprivar que Deus não existe, talvez seja hora se termos a honestidade intelectual de experimentar Deus, com tanta sinceridade como partimos para a busca da sua inexistência.

    Um desafio? Talvez… mas como homens de mulheres pós-modernos, talvez precisemos viver para crer (mais do que ver).

    Ao dispor,

    Ana

    Comentário por Ana — Julho 6, 2008 @ 00:19


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