Esta alegoria tem dois “morais-da-história”. Um microeconómico e outro macroeconómico. O primeiro é tão óbvio que nem lhe dei importância. O enfoque era no segundo. A minha falta de arte, ou a desadequação de usar o ambiente de duas famílias como proxy da economia em geral, fez com que alguns não entendessem onde queria chegar. C’est la vie. É para isso que estamos cá.
O “moral-da-história” microeconómico é que duas partes ficam a ganhar quando negoceiam livremente entre si, face às alternativas de não negociarem ou de serem obrigadas a fazê-lo quando não estão interessadas. Parece-me tão pacífico que acho a sua relevância diminuta. Imagino que eventualmente o Filipe Moura ficásse (em tempos idos) escandalizado com o facto da Lolita poder determinar o preço a que vende os limões e a Inês poder determinar o preço a que vende a limonada.
O “moral-da-história” macroeconómico já tem que se lhe diga. O keynesianismo, isto é, a ideia de que o estado pode dinamizar a economia através do consumo ou investimento públicos, tem sérios problemas imediatos quando aplicado numa economia aberta (alegoricamente “geminada”). Na verdade, numa economia fechada também tem. Mas isso já são outros quinhentos (presunção de estado clarividente e melhor informado que os intervenientes do mercado, endividamento a ser pago por gerações futuras, custos de oportunidade, etc). Mas num mercado aberto as consequências negativas sentem-se logo, não anos depois.
Um bom exemplo disto é o TGV. Creio que o investimento previsto é de sete mil milhões de euros. Em tugaspeak isso há de querer dizer pelo menos uns dez. Ora, a tecnologia para grande parte do projecto terá de ser importada, o que significa que os camaradas Sócrates e Lino hão de ser os heróis de uma terreola algures em França que produz a dita tecnologia. Em contas feitas num guardanapo, certamente erradas mas na ordem de grandeza certa, é como se o governo pegasse em toda a riqueza criada pela Auto-Europa em um ou dois anos e a mandasse para o estrangeiro. Os intervenientes no negócio ficam a ganhar, ao longo da cadeia de valor; incluindo empresas portuguesas. Mas o resultado agregado para o país não é famoso.
[...] vez de baixar os impostos, vamos gastar o vosso dinheiro de uma forma melhor do vocês gastariam. O sorriso do Manolo vai [...]
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