O Joaquim e a Maria vivem numa moradia geminada, mas os seus dois filhos, o Pedro e a Inês. Na casa ao lado moram o Manolo e a Carmen. Estes também têm dois filhos: O Pepe e a Lolita. Depois de observar os miúdos a brincar juntos, o Joaquim percebeu que os seus filhos tinham menos dinheiro para a brincadeira que os filhos do Manolo. Pensou em aumentar a sua mesada, mas concluiu que isso seria um mau sinal. Em vez disso, decidiu incentiva-los a fazerem actividades onde pudessem receber mais “pocket-money“. Sentou-se com a Maria e ambos concluiram que o Pedro podia lavar os dois automóveis da família quinzenalmente e que a Inês podia “abrir” uma banca de venda de limonada.
O Pedro ficou entusiasmado com a ideia. Contudo, rapidamente percebeu que não tinha o material necessário para lavar os automóveis. Foi ter com o seu amigo Pepe e perguntou-lhe se ele tinha uma esponja e detergente que lhe emprestásse. Como o Manolo tinha-lhe ensinado que não há almoços grátis, o Pepe cobrou ao Pedro pelo fornecimento do material. O Pedro fez as contas e percebeu que ainda assim ficava a ganhar, pelo que fecharam negócio.
A Inês adorou a ideia da banca de limonada. Ela até tinha acesso à máquina de sumos dos pais, pelo que ia ser tudo muito fácil. Mas quando pôs mãos à obra apercebeu-se de um pequeno problema: Não tinha limões. No ano anterior, o Joaquim tinha construido uma piscina no jardim e os limoeiros tinham ido à vida. Por sorte, a Inês lembrou-se que o Manolo tinha limoeiros. Foi ter com a Lolita e perguntou-lhe se podia comprar-lhe alguns limões para fazer limonada. Esta acedeu sem hesitação, pois era uma boa maneira de receber mais uns trocos também. As duas ficaram contentes e fecharam negócio.
Uns tempos depois, o Joaquim observou os miúdos a brincar e ficou confundido. Então não era que apesar do investimento nos serviços do Pedro e da Inês estes tinham aumentado as suas disponibilidades apenas uma fracção do investimento total? E que o fim de aumentar as suas disponibilidades relativamente ao filhos do Manolo não tinha sido atingido? Do outro lado da vedação o Manolo tratava do jardim, sorridente, enquanto acenava ao Joaquim.
Que post mais ridículo! Isto é o quê? A versão liberal dos pioneiros comunistas? Todos mt educados, disciplinados, e felizes…
Comentário por Luís Marvão — Outubro 10, 2007 @ 14:06
O Migas podia ter tentado contar a mesma história usando teoria económica pura. Para que fosse mais fácil a um não-economista perceber preferiu fazer uma alegoria. Percebeste agora?
Comentário por Miguel — Outubro 10, 2007 @ 14:36
Comentário por Migas — Outubro 10, 2007 @ 15:19
Excelente alegoria! Vou ver se não me esqueço desta.
Comentário por ulaikamor — Outubro 10, 2007 @ 15:42
Devo ser burro, não percebo onde quer o Migas chegar.
Comentário por Luís Lavoura — Outubro 10, 2007 @ 16:56
A pobreza relativa não se alterou. Há quem ache que assim não vale a pena.
Comentário por jcd — Outubro 10, 2007 @ 20:25
Uma boa alegoria.
Provavelmente a desigualdade aumentou…mas estão ambos mais ricos.
Deverão voltar-se para Marx e berrar “ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres”?
Comentário por Mostrengo — Outubro 10, 2007 @ 20:33
É a chamada confusão da desmultiplificação.
Comentário por André Azevedo Alves — Outubro 11, 2007 @ 00:25
[...] Esta alegoria tem dois “morais-da-história”. Um microeconómico e outro macroeconómico. O primeiro é tão óbvio que nem lhe dei importância. O enfoque era no segundo. A minha falta de arte, ou a desadequação de usar o ambiente de duas famílias como proxy da economia em geral, fez com que alguns não entendessem onde queria chegar. C’est la vie. É para isso que estamos cá. [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Um problema do keynesianismo II — Outubro 11, 2007 @ 22:53