O Insurgente

Outubro 8, 2007

Richard Dawkins sobre os judeus

Filed under: Internacional,Política,Religião — André Azevedo Alves @ 00:30

Richard Dawkins, citado no Guardian:

“When you think about how fantastically successful the Jewish lobby has been, though, in fact, they are less numerous I am told – religious Jews anyway – than atheists and [yet they] more or less monopolise American foreign policy as far as many people can see. So if atheists could achieve a small fraction of that influence, the world would be a better place.”

(via Dawkins on the power of the Jews)

10 Comentários »

  1. O anti-semitismo de Dawkins nao é tão preocupante como a falta de juizo de quem é suposto ser um intelectual brilhante. Os ateus não tèm nada em comum entre si senão recusar a fé em Deus. Não são uma etnia, nem uma nacionalidade, nem um grupo de qualquer éspecie. Nenhuma cultura comum, nenhuma reivindicação comum. Muitos judeus modernos são ateus, muitos homozexuais e muitos homófobos também. Muitos liberais, e muitos autoritários. E por esta amostra alguns partilham estupidez como característica. Não creio, porém, que Dawkins seja estúpido. Está mas é a procurar notoriedade.

    Comentário por Patricia Lanca — Outubro 8, 2007 @ 01:35

  2. Aqui no Insurgente, insurgiram-se (!) contra a máfia de extrema-esquerda quando o presidente do Irão afirmou que não existiam homosexuais no Irão. Pois bem, é o que estão a fazer neste caso.

    Esta afirmação sobre os judeus já é velha (2002) e pode ser vista num video do TED.com (penso que já coloquei o link aqui há algum tempo).

    http://www.ted.com/index.php/talks/view/id/113

    Dawkins apenas se refere ao poder Político que os judeus têm nos EUA (e apenas nos EUA) em comparação com os ateus, que segundo ele afirma são em muito maior número. Apenas dá a entender que se os ateus se unissem e fizessem uso da força dos número poderiam influenciar de sobremaneira a eleição de um presidente menos ‘influenciado’ pela religião, num país asfixiado por ela. É certo que o Sr. Dawkins por vezes se exalta demais naquilo que diz, mas afirmar que se tratam de declarações anti-semitas e que só são comparáveis à retórica de 1939 é ridículo.
    A não ser que consideremos os judeus um grupo super-protegido que tem carta branca pelo que lhes aconteceu. Mas dada a fixação para com o ‘gay lobby’ deste blog isso seria hipócrita e por isso não vou entrar por aí.
    Patrícia Lança tem toda a razão no seu comentário. De facto há ateus em todos os sectores da sociedade (como há homosexuais já agora). De facto Dawkins pretende obter notariedade, não para ele, mas para o movimento ateu, como pode ser evidenciado no video que linkei – a necessidade de uma campanha de outting para todos os ateus americanos, como o Sr. Dawkins afirma.

    Ainda um aparte, folgo em saber que o Conselho da Europa baniu o ensino do ‘Intelligent Design’ e suas variantes em aulas de ciência na Europa.

    Comentário por João — Outubro 8, 2007 @ 03:29

  3. Sinceramente Dawkins já teve momentos mais felizes… este e o movimento dos “brights” enfim…

    Comentário por Pedro Fontela — Outubro 8, 2007 @ 09:20

  4. Mais um Europeu supinamente hipócrita. Quando os EUA forneceram o sistema nuclear Trident aos Britânicos também estavam sob o mando dos Ilhéus Anglos-Saxões?! E o plano Marshall? E as dezenas de milhares de mortos Americanos na Europa?

    Quem normalmente vem com esse discurso concerteza que pensa que a Europa Ocidental tinha demasiado poder sobre os EUA na Segunda Guerra Mundial e na Guerra Fria…pois
    se não fossem os biliões que os EUA despejaram sobre toda a Europa tinha ficado Comunista e esse talvez seja o problema da criatura, não viu o Sol Comunista na sua terra porque os EUA não se restringiram ao seu território.

    Comentário por lucklucky — Outubro 8, 2007 @ 18:07

  5. A afirmação, vista no seu contexto, não é anti-semita. Não vejo onde é que afirmar a existência de um ‘lobby judeu’ influente implica querer acabar com os judeus ou coisa parecida. O termo ‘lobby pró-Israel’ seria mais politicamente correcto, mas o usado por Dawkins realça que o elo comum entre as pessoas que o compõem é serem categorizados como judeus. Dawkins não defende que os ‘judeus controlam o mundo’, como afirma Finkelstein. A afirmação, no seu contexto, pretende apenas realçar o tipo de influência que os ateus poderiam ter se agissem como ‘lobby’ nas questões que lhes são fundamentais. O que me leva ao segundo ponto:

    «Os ateus não têm nada em comum entre si senão recusar a fé em Deus.(…) Nenhuma cultura comum, nenhuma reivindicação comum.» (Patricia Lanca)

    Tecnicamente, a única coisa que define um ateu é não acreditar que Deus existe (no mínimo que se incline para aí). Mas existem muitos temas que são comuns à maioria dos ateus, e uma boa parte passa por servir de contraponto face à influência de grupos religiosos. Foi aqui já referida a proibição do intelligent design nas escolas, que fez muitos ateus (e não só!) suspirar de alívio.
    Outro tema é, por exemplo, a diferença entre o respeito prestado a convicções de ateus e de grupos religiosos. Bastam umas caricaturas ranhosas com Maomé para que surja a discussão em torno dos limites da liberdade de expressão na Europa. Até uma alface numa manjedoura já provoca alguma celeuma. Mas se um Papa afirma que os ateus são o grande mal da europa e que muçulmanos e cristãos deviam era estar unidos contra esta ameaça, isto já não soa a ninguém como sendo sequer politicamente incorrecto. Muitos outros líderes religiosos (e não só, basta ver as declarações de Bush-pai e o filho não é melhor) entram constantemente no mesmo tipo de provocações, caracterizando ateus como uma corja imoral sem valores (como se ética implicasse religião). Afirmações destas não levantam acusações de anti-ateísmo.

    São coisas deste tipo que a campanha de Dawkins (outcampaign.org) pretende mudar, não só nos EUA.

    Comentário por TGF — Outubro 9, 2007 @ 11:41

  6. Ele podia dizer que muitos outros lobbies dominam ainda mais os EUA. Mas não diz.

    Comentário por lucklucky — Outubro 9, 2007 @ 14:41

  7. lucklucky:
    Mas ele está só a dar um exemplo de um lobby influente. Chega para o argumento: O lobby judeu existe? Existe. É influente? É. Então é o tipo de coisa que os ateus querem fazer.

    Comentário por TGF — Outubro 9, 2007 @ 17:05

  8. Ateísmo é uma palavra que nem sequer devia existir, muito menos caracterizar um grupo de pessoas. Dawkins é o primeiro a admiti-lo e já o fez inúmeras vezes.

    Um ateu não quem recusa a fé em deus, mas antes quem se recusa em negar aquilo que é óbvio e se escusa de avançar com «certezas» sobre aquilo que manifestamente não sabemos.

    Comentário por Filipe Brás Almeida — Outubro 10, 2007 @ 02:17

  9. A Ilusão de Dawkins

    Há livros bons, maus e assim-assim. Entendo por assim-assim aqueles que, apesar de virem disfarçados com meia dúzia de ideias interessantes – não necessariamente originais – , não ultrapassam o limiar da mediocridade. E o último destes que me chegou às mãos foi o imperdível best-seller A Ilusão de Deus.

    E por que é, então, a Ilusão de Deus um belo exercício de ilusionismo científico? Porque Richard Dawkins é um brilhante biólogo evolucionista, mas um péssimo pensador científico e uma nulidade como filósofo das ciências. Dar-se ao trabalho de escrever umas centenas de páginas para dizer que o Deus-Pai-Todo Poderoso dos criacionistas evangélicos e dos fundamentalistas islâmicos é uma ilusão constitui uma “proeza tão assinalável” que até a minha sobrinha de 12 anos (aluna de um colégio da Opus Dei) já chegou a essa conclusão.

    Ok, a minha sobrinha não nasceu nos States e talvez por isso, e apesar dos condicionalismos religiosos, ainda consiga chegar a semelhantes conclusões. Pronto, talvez o livro faça sentido no Minesota ou no Arkansas…

    Mas o que pretende mesmo Dawkins com este tipo de lugares-comuns? Extrapolar a evolução darwinista para futuros modelos cosmológicos e da mecânica quântica do universo, com o intuito de apagar de vez “Deus” do jogo de dados de Einstein. E é aqui que Dawkins se revela um cientista-filósofo sofrível:

    1. A evolução biológica, sendo uma evidência científica, não é nem pode ser um modelo acabado, pois também precisa de “evoluir” sob pena de não resolver algumas questões inacabadas:

    1a) O Nobel François Jacob, por exemplo, diz-nos que a microbiologia ainda nada sabe sobre o modo como a forma morfológica particular de um órgão ou de um tecido e as suas propriedades fisiológicas evoluem a partir da unidimensionalidade dos genes.

    1b) Como é que espécies ameaçadas por mudanças desfavoráveis no seu meio conseguem sobreviver? Que se saiba a evolução das penas não produz um réptil que possa voar! Não parece provável que cada inovação por si só ofereça vantagem evolutiva!

    1c) O que tem Dawkins a acrescentar sobre os registos fosséis que demonstram que as espécies não evoluíram de forma continua e fragmentária? O que sucede quando um processo adaptativo é interrompido e tem lugar um novo processo de transformação?

    Ou seja, o modelo evolucionista darwinista é bom, mas continua incompleto, e só em traços mesmo muito gerais é que este conceito de evolução pode ser transmigrado para a Cosmologia, a Astrofísica, a Física Quântica ou a Teoria das SuperCordas.

    2. Sem dúvida que se aprofundarmos o conhecimento do Universo com novos modelos evolucionistas físicos, mas não biologistas, no campo das singularidades cósmicas, da física de altas temperaturas e da mecânica quântica estaremos mais próximos de compreender o funcionamento do Cosmos – mas não necessariamente a totatildade ontológica do mesmo. Mas isso é algo que, em breve, até a minha sobrinha, quando tiver 15 ou 16 anos, irá perceber facilmente. Mas o que isso tem a ver com existência de provas científicas contra a existência de Deus é que já me parece um exercício de ilusionismo de feira do Sr Dawkins.

    Afinal de contas, o que é isso de “Deus”? Que eu saiba, não passa de uma palavra, de um conceito, de uma terminologia vaga e abstracta, imprecisa e não objectivável, que não traduz qualquer tipo de homogeneidade ontológica sólida e concreta sobre a qual se possam elencar argumentos baseados na medição e na reprodução de fenómenos que suportem quer a sua existência quer a sua inexistência. Para se afirmar que a ciência provou a inexistência de “algo” é preciso definir objectivamente de que trata a substância desse “algo”. E não me parece que esse “algo” tenha sido até à data alguma vez definido de forma operacional e objectivamnete sólida para se prestar a medições científicas.

    3. Coisa bem diferente e sobre a qual Dawkins nada tem a dizer é o sentimento psicológico e o estado mental de unidade ou identificação unitiva com o Ser (do ponto de vista meramente ontológico da existência e sem qualquer conotação teísta) e o Cosmos – ou com diversas manifestações físicas daqueles – que certos indivíduos, por vezes, e de forma demasiado vaga, associam à palavra “Deus”. Estamos aqui a falar de sensações e percepções cognitivas que ocorrem em estados não ordinários de consciência – obtidos através do uso de LSD, meditação, transes xamânicos, hipnose clínica, etc – perfeitamente catalogados pela neurofisiologia. Mais uma vez, “Deus” – e nem sempre existe o recurso a este conceito nebuloso por parte dos sujeitos que percepcionam – aparece referenciado apenas de forma subjectiva e crepuscular. Nada haverá a dizer sobre o objecto “Deus”, pois trata-se apenas de um instrumento linguístico profundamente vago e inoperacional para ser considerado uma realidade ontológica que permita verificação laboratorial. Mas um estudo multidisciplinar – que envolva a Psicologia, a Neurofisiologia, a Linguística, a Antropologia, a Física e a Matemática – poderá dizer-nos algo sobre o homem face ao mistério da existência e do Universo. Nada nos dirá sobre a existência ou não dessa “coisa” que alguns apelidam “Deus, mas ficaremos mais próximos de compreender o que é o Real nas suas diferentas camadas de manifestação. E qual o lugar da consciência no processo cósmico. Mas sobre isto, mais uma vez, Dawkins nada tem a dizer.
    Por isso, esperarei que a a minha sobrinha e a sua geração tenham mais para acrescentar ao debate do que o autor da Ilusão de Deus.

    Comentário por Nenuco — Janeiro 3, 2008 @ 20:48

  10. O típico caso de uma frase tirada do seu contexto com o intuito de sugerir um certo tipo de ideia e tentar manipular mentes não-informadas.
    E já que aqui estou aproveito para recomendar (e com a maior abertura de mente que conseguirem) a leitura de pelo menos a primeira parte d’A Ilusão de Deus para que possam dar opiniões informadas e fundamentadas.

    Comentário por Ricardo — Janeiro 11, 2008 @ 16:49


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