COMEMORAR O 5 DE OUTUBRO

Com algumas memórias muito especiais

Hoje é o dia em que oficialmente se comemora a fundação da República Portuguesa. Não se sabe, porém, qual delas. A data indica que é de facto a instauração da Primeira República que hoje se comemora. A República da bagunça. Da corrupção e da incompetência, do caos económico e financeiro. A República que envergonhou os portugueses e produziu a palavra francesa portugaisé para indicar uma nação em estado de desgraça.

Certamente a intenção dos membros da actual classe política não será de comemorar a Segunda Republica, essa que nasceu no 28 de Maio de 1926. O propósito dos generais que agiram nesse dia era de acabar com a Primeira República o que de facto conseguiram, estabelecendo mais tarde o Estado Novo. Conclusão, portanto, é de estarmos a comemorar a Terceira República. Mas essa tem a sua data própria: o 25 de Abril. Quanto a ignorar regimes e olhar a data como homenagem à nação, já existe para esse efeito o dia 10 de Junho.

Eliminando todas essas hipóteses só podemos concluir que o que se está de facto a comemorar é o derrubo da monarquia: processo que se iniciou dois anos antes com o regicídio. Se reflectirmos um pouco sobre as desgraças que se seguiram a este hediondo acto, parece realmente questionável o mérito de tal comemoração.

Eu, pessoalmente, vou celebrar a data doutra forma. Nunca fui adepta do Estado Novo, mas para mim a oposição anti-salazarista, herdeira da Primeira Republica, deixou de merecer o meu respeito no processo que levou ao assassinato de Humberto Delgado em 1965. Assim vou comemorar o dia 5 de Outubro deste ano lançando na internet o meu livro sobre esse processo: chama-se As Misérias do Exílio: Os Últimos Meses de Humberto Delgado, publicado em edição impressa em 1998. Publicado e boicotado. Agora todos os interessados podem lê-lo, gratuitamente, necessitando só de acesso à internet e uns cliques no rato. Foram reproduzidas na íntegra as 260 páginas da versão impressa incluindo os tais documentos classificados por Álvaro Cunhal de apócrifos.

O endereço é: http://lanca.patricia.googlepages/com/home

Para aguçar o apetite podem ler o Prefácio à Edição Electrónica no

www.portolanispecial.blogspot.com

Termino esta minha homenagem ao 5 de Outubro com desejos de um bom feriado a todos os insurgentes e a seus leitores.

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12 pensamentos em “COMEMORAR O 5 DE OUTUBRO

  1. Os links para os capítulos dos livros não estão a funcionar, apenas para os apêndices e os prefácios.

    Não seria possível ter o livro completo em formato PDF ou DOC do Word ? Simplifica bastante a vida a quem quer ler.

  2. Afinal os monárquicos são uma espécie que luta pela não extinção.
    Como sou a favor da maior diversidade possivel, espero que não desapareçam, pois este dia só tem logica de existir enquanto existirem as mentes retrogradas como as vossas. O mesmo equivale dizer para o 25 de Abril.

  3. Pingback: O Insurgente » Blog Archive » Comemorações

  4. Pingback: blogue atlântico » Blog Archive » Os Últimos Meses de Humberto Delgado

  5. A primeira República, foi um período histórico de intensivo progresso a todos os níveis. As instabilidades políticas tiveram como causa fundamental o excessivo poder do Presidente, que depois de eleito, entre outros poderes, podia nomear e demitir, por sua decisão apenas, quem quisesse para o Governo. (Outras causas houve, como os golpes militares, as conspirações monárquicas e da acção dos católicos (como o Cradeal Cerejeira e Salazar), entre outros grupos.)
    Com efeito, não houve período do século XIX que se iguale aos exíguos anos da Iª República Portuguesa. Sem menosprezo por tantas transformações sociais, como a revolução Liberal de 1820, a vitória dos liberais, o advento dos setembristas, o fontismo; e muitas outras que se tornaria impossível reportar.
    Todavia, em todos os campos houve espantosos progressos que faço gosto de discutir e esclarecer em detalhe, se me os propuserem.
    A República é uma instituição que preside ao Estado do país; ~ permite, por meio de regras democráticas, introduzir no sistema político, um órgão, com a principal função (outras há, de grande importância) de regulação da actividade executiva.
    O dia 5 de Outubro é feriado nacional para comemorar publicamente a transformação política que nesse dia de 1910 tomou lugar, e que, ao contrário da actividade que tinha durante a ditadura do Estado Novo, recuperou com o 25 de Abril todo o sentido social que se lhe conferira originariamente.

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