O Insurgente

Setembro 27, 2007

Extrema-direita e extrema-esquerda na União Europeia

Filed under: Internacional,Política,União Europeia — André Azevedo Alves @ 18:37

Comentário de Fernando S:

Não me parece que na UE existam assim tantos partidos de extrema-direita representados em parlamentos. Felizmente, na medida em que isso significa que as ideias de extrema direita são hoje claramente minoritárias nos eleitorados. O exemplo português que dá, do PNR, é um contra-exemplo, já que se trata de um partido insignificante e sem eleitos. Mesmo em França, onde existe um dos partidos de extrema-direita com maior peso eleitoral, o Front National de Le Pen, não têm deputados no parlamento. Muito mais importante é o peso e a influência na sociedade de partidos assumidamente comunistas e de extrema-esquerda. Infelizmente, porque tal significa que as ideias totalitárias de esquerda convencem ainda sectores importantes dos eleitorados. Em Portugal temos o PCP e o Bloco de Esquerda, amplamente representados no parlamento. Em França, para retomar de novo este exemplo, a esquerda e a extrema-esquerda comunistas representam cerca de 15% do eleitorado e o PCF tem inclusivamente um grupo parlamentar.

Também não me parece que as organizações de extrema direita possam organizar-se a agir assim tão “fácilmente”. Quer se ache bem ou não (eu não acho bem … sou pela liberdade de expressão … para todos !), a verdade é que as extremas direitas na Europa Ocidental enfrentam as mais das vezes dificuldades que não afectam as outras forças políticas (e ainda bem que não afectam !). Incluindo as de filiação comunista e de extrema-esquerda, também elas defensoras de ideologias totalitárias). Dois exemplos. Existe normalmente legislação proibindo a difusão de ideologias de extrema-direita, enquanto que os defensores de ideias comunistas podem fazer a sua propaganda com toda a liberdade. As reuniões e manifestações de organizações de extrema-direita são muitas vezes boicotadas e impedidas através de acções violentas, quase sempre por parte das extremas-esquerdas, e normalmente com a complacência e cumplicidade de outros sectores políticos, inclusivé democráticos.

Falando agora da Polónia, e seguindo a sua linha de argumentação e demonstração, poderei igualmente lembrar que no parlamento polaco também estão representadas 2 forças políticas importantes saídas do antigo regime comunista. É o caso do partido SLD (Aliança da Esquerda Democrática), que integra muitos membros provenientes do antigo partido único do regime comunista, o POUL, e que tem 55 deputados (11,3% dos votos em 2005). É ainda o caso do partido SO (Autodefesa-Samoobrona), uma força populista de extrema-esquerda, com 53 deputados (11,5%), que capta uma parte importante dos votos do eleitorado descontente com a realidade post-comunista e nostálgico do estatalismo e autoritarismo da época soviética (defente o regresso à agricultura estatalizada, o aumento dos programas sociais, o não pagamento da dívida externa, a limitação do investimento estrangeiro, etc). Curiosamente, este partido, dirigido por um personagem atípico e imprevisível, chegou a integrar a maioria governamental dos irmãos Kackzinsky (actualmente desfeita, enquanto se aguardam eleições antecipadas).

“… e não existiriam muitas diferenças em relação ao McCarthysmo, esse infeliz momento histórico, que eu espero que condene com a mesma veemência com que eu condeno, por exemplo, o regime cubano.”

De facto, até admito que existam algumas semelhanças entre o McCarthysmo e algumas das medidas defendidas pelo governo polaco. Concretamente, o facto de se procurar impedir o acesso à função pública a pessoas com ligações com o comunismo. E ainda o facto de se tratar de medidas de discriminação política anti-comunista em 2 países com regimes essencialmente livres e democráticos. Mas existem também muitas diferenças. Mais de meio século separa as duas realidades. Entretanto caiu a União Soviética e acabou a guerra fria. Ao contrário da Polónia, os Estados Unidos nunca foram sujeitos a um regime de tipo comunista. A América era uma grande democracia que, melhor ou pior, procurava apenas defender-se dos métodos de espionagem e infiltração de um regime totalitário e expansionista. A Polónia, como outros países ex-comunistas, saiu há menos de duas décadas do grande interrégono totalitário e procura garantir que o aparelho de estado não seja manipulado e utilizado por antigos membros e colaboradores do regime anterior. De resto, foi precisamente a descoberta da existência de operações de vendas de armas por parte de altos funcionários polacos a máfias formadas pelas nomenclaturas dos ex-países soviéticos, que originou todo este processo. Eu não condeno a circunstância de as democracias procurarem defender-se daqueles que, por convicção ou ao serviço de terceiros, as combatem por todos os meios. Condeno os excessos que limitam a liberdade dos cidadãos sem serem verdadeiramente indispensáeis à defesa da democracia. Condeno os excessos do McCarthysmo. Que afastou pessoas de empregos na administração apenas com base em supostas ou reais simpatias comunistas. Sem provas evidentes de que estariam ou poderiam desenvolver acções de espionagem e sabotagem. O caso polaco parece-me bastante diferente. Repito o que já disse : tanto quanto percebi, apenas é exigida uma declaração em como a pessoa não pertenceu ou colaborou com um número limitado de serviços repressivos e de intelligence do anterior regime. Não está em causa a maior ou menor simpatia com o comunismo. Mesmo assim, já o disse, não concordo com este tipo de medidas. Penso que o grau de ameaça ao regime democrático e o grau de eficácia das mesmas não as justifica. Penso mesmo que podem ser injustas para com alguns dos que, tendo efectivamente colaborado com o anterior regime, voltaram completamente a página. Eu sou pela máxima tolerância possível e pela reconcialiação no quadro da democracia.

Dito isto, por razões que já em parte referi, não posso condenar o McCarthysmo e as medidas do governo polaco “com a mesma veemência com que (…) condeno, por exemplo, o regime cubano.” (Na verdade tenho de me referir a mim próprio na medida em que, como é óbvio, não sei com que veemência o André condena o regime cubano). De qualquer modo, eu não coloco os excessos das democracias, por pior que sejam, no mesmo plano das ditaduras e dos totalitarismos, como o regime cubano. Num caso trata-se de anomalias autoritárias num contexto substancialmente livre e democrático, no outro da normalidade totalitária. Mais do que isso, as acções iliberais do McCarthysmo e dos irmãos Kackzinsky, por mais injustas e atentatórias dos direitos individuais que sejam, são uma brincadeira de crianças em comparação com o sistema repressivo dos regimes ditaduriais, e sobretudo dos totalitários. Num caso trata-se apenas de empregos e carreiras na administração, em países em que o sector privado é suficientemente importante para oferecer alternativas aceitáveis. Para mais, tudo é feito à luz do dia, com ampla e livre cobertura mediática, com contraditórioas, debates e polémicas. No caso polaco, a tal ponto que até contribuiram para a crise da coligação, a queda do governo e a convocação de eleições antecipadas. No outro estão em jogo as liberdades políticas, a prisão, a tortura, até o assassinato. Tudo é feito no segredo característico dos sistemas fechados e opacos. Não há comparação possível entre os dois tipos de situações. A diferença é substancial.

“Parece-me muito parecido com o tipo de ostracismo com que se perseguia “de luva branca”, por exemplo, os opositores portugueses numa fase tardia do salazarismo. Não vejo onde é que está a diferença de fundo, nem que seja menos grave que “criminalizar e perseguir judicialmente”. No fundo é até pior, porque é uma medida arbitrária que nega às pessoas, pelo menos, o direito a um julgamento justo.”

De facto, na época salazarista, e não apenas na fase tardia, o regime instituiu um sistema de limitação do acesso à função pública dirigido contra opositores. E é verdade que este sistema era aplicado de forma bastante arbitrária, ao bel prazer dos critérios variáveis dos controladores ao serviço do regime. Nem sequer era sistemático. Assim, chegavam a ser aceites e toleradas pessoas reconhecidamente ligadas à oposição e recusadas outras com base em suspeitas vagas e até infundadas. Era um instrumento de repressão e intimidação usado com parcimónia, mas altamente eficaz e bem à medida da ditadura salazarista.

Mas também aqui, embora existam algumas semelhanças formais, não me parece que se possa pôr no memo plano a prática do salazarismo e as medidas aplicadas nos Estados Unidos do início dos anos 50 e na Polónia de hoje. A “diferença de fundo” é a que existe entre uma ditadura e uma democracia. No primeiro caso são medidas adoptadas por um poder não eleito, medidas sem apelo nem agravo, muito menos qualquer possibilidade de contestação e recurso. No segundo caso são medidas, porventura abusivas, mas tomadas por uma administração legitimada democráticamente, num Estado de Direito, num contexto de liberdade de expressão, com possibilidades de contraditório e recurso. Muitos dos visados pelas investidas do senador McCarthy e da sua equipa não foram sequer molestados. Nenhum foi alguma vez judicialmente inculpado de espionagem (apesar de se ter descoberto muitos anos mais tarde, através de documentação desclassificada da administração americana, que existiam provas suficientes para inculpar algumas das pessoas então designadas). O McCarthysmo fez muito mais barulho mediático do que vítimas efectivas. As administrações americanas da altura, republicanas, primeiro do Presidente Truman e depois de Eisenhower, elas próprias alvo das críticas de falta de determinação na contra-espionagem anti-comunista, opuseram-se desde cedo e trabalharam por pôr cobro ao trabalho da comissão dirigida por McCharty. O que veio a acontecer em 1954. Foi um episódio infeliz numa democracia das mais maduras como a americana. Mas nada que se possa equiparar às verdadeiras perseguições de opositores efectuadas por regimes ditatoriais e totalitários.

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  1. Desculpa la a chatice….

    Mas nao achas bastante chato ouvir sempre essas coisas????

    Ja leste alguma coisa escrita por um comunista??? Nao foram na historia os comunistas dos primeiros a lutar contra os totalitarismo e a falar de liberdade.

    Olha… le Neruda e depois fala-me de que achas que os coministas pensam dos totalitarismos e das liberdades. Nos seus poemas esta mto daquilo que mtos comunas pensam.

    Ja que falas nas extremas… Mais uma vez era importante que tu e os teus israelo-judaicos amigos fizessem um comentario digno de apoio a populaçao judaica que viu o ceu cemiterio vandalizado em portugal… e uma vez mais sao os meninos das suasticas…

    Comentário por sem rosto — Setembro 27, 2007 @ 19:11

  2. Caro sem rosto :

    ====“Desculpa la a chatice….”====

    O que é isso ?… eu é que peço desculpa pela parte que me toca !…

    ====“Mas nao achas bastante chato ouvir sempre essas coisas????”====

    Sinceramente, eu também acho !!!!

    ====“Ja leste alguma coisa escrita por um comunista???”====

    No que me diz respeito, não uma, mas muitas, e muitas, e muitas. Comecei até por ser um marxista “de biblioteca” !!!!

    ====“Nao foram na historia os comunistas dos primeiros a lutar contra os totalitarismo e a falar de liberdade.”====

    Quanto a falar de liberdade, depende. Os comunistas sempre falaram muito em liberdade … em países e situações onde não estavam no poder e onde não tinham a liberdade que queriam para poderem conquistar o poder. Em contrapartida, quando e onde chegaram ao poder (e até antes, quando podiam) retiraram todo o tipo de liberdade aos não comunistas. E mesmo à maioria dos póprios comunistas. Deixando de falar de liberdade e mandando para a prisão os que ousassem fazê-lo.

    Quanto a lutar contra o totalitarismo, também depende. Como é obvio, contra os totalitarismos comunistas não lutaram. Como é que podiam combater o que defendiam ? É verdade que acabaram por lutar contra o fascismo e o nazismo. Porque eram outros totalitarismos com quém partilhavam muitos dos valores e dos métodos e com quém estavam em competição aberta na luta pelo poder. Quando começou a 2ª guerra mundial, enquanto as democracias europeias combatiam a Alemanha, a União Soviética de Staline ainda fez uma aliança com o nacional-socialismo de Hitler. Só não perdurou porque Hitler traiu o aliado, quebrou o pacto atacando a União Soviética.

    ====“Olha… le Neruda e depois fala-me de que achas que os coministas pensam dos totalitarismos e das liberdades. Nos seus poemas esta mto daquilo que mtos comunas pensam.”====

    Também já li Neruda ! Um excelente poeta ! E um assumido comunista ! Tenho de concordar contigo quanto ao facto de ele ter escrito “aquilo que muitos comunas pensam”. Defendeu com belas palavras a liberdade dos “camaradas”. Para que pudessem levar a cabo o projecto revolucionário de imposição pela força e pela violência de um sistema que sempre acabou com a liberdade para todos !

    ====“Ja que falas nas extremas… Mais uma vez era importante que tu e os teus israelo-judaicos amigos fizessem um comentario digno de apoio a populaçao judaica que viu o ceu cemiterio vandalizado em portugal… e uma vez mais sao os meninos das suasticas…”====

    Já que o pedes, é com todo o gosto que faço o comentário. A profanação das campas judaicas é um acto abjecto e condenável. Os seus autores, ja identificados, são dois indivíduos com ligações conhecidas a um grupo de extrema direita (“os meninos da suástica”). Devem agora ser processados e sancionados de acordo com a lei. Como devem ser condenados todos os actos de vandalismo. Digo bem, todos ! Naturalmente que o mesmo princípio se aplica a locais e simbolos de outras confissões religiosas e de outras categorias de cidadãos. Felizmente, em Portugal este tipo de actos contra judeus são raros, isolados, e obra de uma minoria de indivíduos. Diversas sondagens mostraram que não existe em Portugal um sentimento antisemita.

    Já agora, e ligando o assunto dos comunistas ao antisemitismo. É verdade que os comunistas em Portugal e noutros países condenam em geral o antisemitismo e os actos de discriminação e violência que atingem os judeus. Mas também convém recordar duas outras verdades. A primeira é que em vários países comunistas do tempo da União Soviética, os judeus foram vítimas de discriminações e exacções, toleradas e até organizadas pelo próprio poder comunista. Por isso é que, quando o muro de Berlim caiu, centenas de milhares de judeus deixaram estes países e emigraram para Israel. A segunda, é que os comunistas dos nossos dias têm-se mantido quase sempre um silêncio ensurdecedor, para não dizer cúmplice, perante os discursos e os actos de cariz nítidamente anti-semita de muitos dos que apoiam a causa Palestiniana e combatem Israel.

    E, para acabar, tenho de te pedir mais uma vez desculpa por mais esta chatice !….

    Fica bem !

    Comentário por Fernando S — Setembro 28, 2007 @ 00:20

  3. **… têm mantido quase sempre um silêncio …**

    Comentário por Fernando S — Setembro 28, 2007 @ 00:22

  4. “É ainda o caso do partido SO (Autodefesa-Samoobrona), uma força populista de extrema-esquerda, com 53 deputados (11,5%), que capta uma parte importante dos votos do eleitorado descontente com a realidade post-comunista e nostálgico do estatalismo e autoritarismo da época soviética (defente o regresso à agricultura estatalizada, o aumento dos programas sociais, o não pagamento da dívida externa, a limitação do investimento estrangeiro, etc). Curiosamente, este partido, dirigido por um personagem atípico e imprevisível, chegou a integrar a maioria governamental dos irmãos Kackzinsky”

    Como é que o autor explica que a força política em causa seja (pelo menos cá na santa terrinha) frequentemente e por via de regra caracterizada como sendo de… extrema-direita?

    Comentário por pedro guedes — Setembro 28, 2007 @ 00:23

  5. Na Polónia o SO é considerado um partido de extrema esquerda e captando uma parte significativa do eleitorado nostalgico da época comunista. No fundo é o herdeiro post-comunista de uma parte do pessoal de um dos partidos “camponeses” fantoches do regime anterior. É considerado de extrema esquerda por ser bem mais radical e estatalista do que o SLD (Aliança da Esquerda Democrática), que embora também tenha no seu seio uma parte do pessoal político do regime anterior, e tal como outros partidos post-comunistas noutros paises de Leste, ocupou um espaço político mais moderado, próximo da social-democracia, aceitando o mercado, a liberalização económica e a integração europeia. De qualquer modo, não foi por acaso que o SO foi uma das forças políticas que mais fortemente se opôs às medidas propostas pelo governo no sentido de afastar da função pública certas pessoas com ligações ao regime anterior. Esta posição foi uma das causas da crise que afectou a coligação de governo e levou à convocação de novas eleições.

    Porque que razão alguns sectores politicos e comentadores ocidentais consideram o SO de extrema direita ?
    Boa pergunta ! Também eu gostava de perceber melhor.

    Podemos admitir varias razões.

    Uma delas tem que vêr com a circunstância de o SO, contra muitas expectativas, ter integrado inicialmente uma maioria de governo de direita, com um centro de gravidade mesmo bastante à direita, incluindo o apoio de forças populistas de direita. Por mais contra-natura que seja, este posicionamento traduz certamente algumas convergências políticas com a direita não liberal. Em particular, no que se refere a uma vontade comum em voltar atrás relativamente a certas reformas liberais e à partilha de a um certo eurocepticismo e desconfiança relativamente ao investimento estrangeiro.

    O facto de o SO ter uma base de apoio eleitoral que é em grande parte rural também pode ter contribuido para que fosse visto por alguns como sendo de direita extrema. O discurso ideológico e a prática política são de tipo bastante populista : rejeição do establishment urbano, acções de força (boicotes, cortes de estradas, etc), etc. É certo que os partidos de extrema esquerda ocidentais têm bases de apoio muito diferentes, de tipo mais urbano e proletário. Mas, vendo bem, as atitudes e as políticas defendidas pelo SO e por estes partidos são bastante semelhantes, de tipo anti-capitalista, anti-mercado, anti-mundialização.

    Talvez este seja um bom exemplo de como, em certas circunstâncias, os extremos se podem facilmente confundir, e até tocar !!…

    Comentário por Fernando S — Setembro 28, 2007 @ 01:37

  6. Magníficos comentários do Fernando S.

    Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 28, 2007 @ 02:01

  7. “Por mais contra-natura que seja, este posicionamento traduz certamente algumas convergências políticas com a direita não liberal.”

    Sem dúvida. Até certo ponto, compreende-se a confusão por causa disso mesmo.

    Relembrando Erik von Kuehnelt-Leddihn, era capaz de me atrever a sugerir que as forças não liberais (no sentido clássico do termo) sempre tiveram muitos pontos de convergência. Não é por acaso que muitas transições se dão entre um (suposto) extremo e o outro (suposto) extremo.

    Para quem aceita (consciente ou inconscientemente) os princípios básicos do socialismo, é sempre mais fácil trocar entre variantes do mesmo do que abandoná-lo.

    Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 28, 2007 @ 02:07

  8. O SLD é de facto o partido dos sociais-democratas de última hora.

    Como grande parte das estruturas comunistas ficaram intactas, os novos partidos “sociais-democratas” do Leste incorporam em muitos casos muitos quadros e elementos dessas antigas estruturas, embora a situação varie bastante de país para país.

    No caso da Polónia, por razões várias, a receita não saiu muito bem e os eurocratas e progressistas de toda a Europa andam muito assustados.

    Comentário por André Azevedo Alves — Setembro 28, 2007 @ 02:11

  9. Bom, Fernando, visto o seu comentário, que se inseria na nossa troca de argumentos, de um salto para post, é conveniente responder-lhe aqui.

    Não contesto a menor expressão eleitoral da extrema-direita na Europa face à extrema-esquerda. Sucede que isso resulta da livre escolha democrática dos eleitores, que eu presumo que respeite. Embora eu não seja de “extrema-esquerda” (por mais que um certo palerma que escreve neste blog insista nisso), só posso considerar que os eleitores europeus são inteligentes nas suas escolhas. Mais inteligentes que os americanos, onde a balança se inclina para o lado contrário (e como os resultados a que se assiste por lá, em termos de desigualdade na distribuição da riqueza, ou do vingar das mais absurdas e pré-racionais ideias anti-científicas, vide criacionismo). É a minha opinião, diferente da sua, por certo.

    Agora, há uma diferença essencial aqui. Quando se fala da “extrema-esquerda” ou da “extrema-direita”, há uma tendência, neste blogue por exemplo, para lançar a confusão mental, com o objectivo claro de atirar areia para os olhos. A “extrema-direita” que se persegue, ou se proíbe (e apenas em poucos países), é uma extrema-direita claramente violenta, anti-democrática, ligada a diversas formas de criminalidade, e que não tem pejo em assumir que é herdeira de Hitler ou Mussolini. Confundir isto com o BE ou o PCP, ou resulta de projecções fantasmagóricas dos medos de certa direita, ou é má fé. Absoluta.

    Veja-se o exemplo do partido dos Kaczinski, que é um partido de extrema-direita. Como se veja a Front Nationale, ou a extrema-direita belga ou holandesa. A verdade é que não se persegue a extrema-direita legal, que, melhor ou pior, vai aceitando o jogo democrático. E bem, a meu ver. Coisa muito diferente são os bandos de criminosos tatuados com suásticas, e isto só não vê quem for ou míope ou fanático. Comparar o BE com os hitlerianos é como comparar o CDS-PP com as Brigadas Vermelhas- útil apenas para lançar a confusão.

    Relativamente à segunda parte do seu post, acho muito curioso que pretenda justificar os atropelos ao Estado de Direito por serem praticados num Estado de Direito. Acho que tem uma visão do Estado de Direito muito limitada, se o vê apenas como a possibilidade de eleições e de recurso aos tribunais, esquecendo que os tribunais aplicam as leis do Estado. O mínimo que posso considerar, é que perdeu a autoridade moral para criticar, por exemplo, a Venezuela ou a Bolívia.

    Agora note que eu não estava a comparar o McCarthysmo com as perseguições políticas nos estados da cortina de ferro. Estava a compará-lo com as medidas dos Kaczynski. Quando lhe falei de Cuba, foi para tentar traçar uma fronteira, à esquerda ou à direita, sobre o que se aceita ou não. A forma como desvaloriza ambos os eventos (McCarthysmo e Kaczisnkis), é no mínimo reveladora. Apresenta-nos o McCarthysmo como algo quase inócuo, um “episódio infeliz”, o que demonstra que nada conhece sobre ele, sobre as centenas de intelectuais acusados de espionagem apenas pelo crime de serem “de esquerda”, ou pensadores livres num regime formatado (alguns por serem “existencialistas”, “surrealistas”, ou simplesmente por lerem demasiados autores franceses), e do ostracismo e perseguições a que foram sujeitos. Como ignorará também que foi nesse tempo que o governo americano destruiu o movimento sindical, por exemplo, ao encorajar a sua infiltração pela máfia. Estes são documentos já desclassificados, a que se pode ter acesso facilmente, aliás, isto já é História, não mais especulação. Mas suponho que esta parte da História não seja assim tão desagradável para si.

    Comentário por André Carapinha — Setembro 28, 2007 @ 02:20

  10. Caro Fernando, obrigado pela resposta. Já agora, permito-me reforçar o ‘inquérito’: em termos de trajecto político, os líderes da Autodefesa são o quê? Ex-comunistas reciclados?

    Registo o seguinte: fala do SO indicando a sua “rejeição do establishment urbano”. Ora, já viu o que é o bloco de esquerda em Portugal? Exactamente o contrário…

    Interessante conversa, esta.

    Comentário por Pedro Guedes — Setembro 28, 2007 @ 02:21

  11. Magnífico post!

    Comentário por Ricardo Sebastião — Setembro 28, 2007 @ 16:14

  12. Caro André Azevedo Alves,

    Obrigado pela atenção.

    Plenamente de acordo : “as forças não liberais (no sentido clássico do termo) sempre tiveram muitos pontos de convergência.” E essa convergência anti-individualista, anti-liberal e anti-capitalista, é manifesta nos extremos de esquerda e direita e materializou-se nas experiências históricas totalitárias que produziram.

    Dizia o saudoso Jean-François Revel (“La grande parade” ; 2000) que “existe um núcleo central comum ao fascismo, ao nazismo, e ao comunismo : o ódio ao liberalismo”.

    A este respeito, creio que vale a pena reler uma longa citação de Revel (pag 112 a 117 ; trad da ed francesa) :

    Se o nazismo e o comunismo cometeram, um e outro, genocídios comparáveis pelas suas dimensões e pelos pretextos ideológicos, não é por causa de uma qualquer convergência contra natura ou uma coincidência fortuita devida a comportamentos aberrantes. Antes pelo contrário, é o resultado de princípios idênticos, profundamente enraizados nas convicções e no modo de funcionamento de um e de outro. O socialismo não é nem mais nem menos “de esquerda” do que o nazismo (…) Toda uma tradição socialista vinda do século XIX preconizou métodos que serão depois postos em prática por Lénine, Staline Mao e Hitler. O recíproco também é verdadeiro : Hitler considerou-se sempre um socialista. Explicou a Otto Wagner que as suas divergências com os comunistas “são menos ideológicas do que tácticas” Acrescentando que o problema dos políticos de Weimar “é que nunca leram Marx”. Ele prefere nítidamente os comunistas aos insípidos reformistas da social-democracia. Comunistas que por sua vez lhe retribuíram a preferência votando massivamente por ele em 1933. Hitler acrescenta ainda que o que o opões aos bolcheviques é sobretudo a questão racial. No que ele se enganava já que a União Soviética sempre foi antisemita. Digamos que a “questão judaica” (apesar de um panfleto de Marx contra os judeus publicado com este título) não era para os soviéticos, como foi para Hitler, uma das primeiras prioridades. Quanto ao resto, a “cruzada antibolchevique” de Hitler foi em boa medida uma fachada escondendo um conivência com Staline que, sabe-se hoje, já existia bem antes do pacto germano-soviético de 1939. (…) Porque, não nos esqueçamos, tal como o fascismo italiano, e sobretudo o bolchevismo, o nacional socialismo via-se e concebia-se como uma revolução, e uma revolução anti-burguesa. “Nazi” é a abreviatura de “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”. No seu “The Omnipotent governement” (1944) Ludwig von Mises (…) diverte-se a mostrar as semelhanças entre as dez medidas urgentes preconizadas por Marx no “Manifesto Comunista” (1847) e o programa económico de Hitler : “Oito dos dez pontos foram executados pelos nazis com um radicalismo que teria encantado Marx.” (…) Também Friedrich von Hayek, no seu “Caminho para a Servidão” (1944) consacra um capítulo às “raízes socialistas do nazismo”. Refere que os nazis “não se opunham aos elementos socialistas do marxismo mas sim aos seus elementos liberais, ao internacionalismo e à democracia.” (…) Adolf Hitler soube captar as afinidades entre o comunismo e o nacional-socialismo. (…) Diz a Herman Rauschning, que o cita no seu livro “O que Hitler me disse” : “Eu não sou apenas o vencedor do marxismo … sou quem o realisou. Não escondo que aprendi muito com o Marxismo. O que me interessou e formou nos marxistas foram os seus métodos. Limitei-me a levar a sério o que tinham timidamente preconizado. O nacional-socialismo está todo aí. (…) Quase todos estes novos meios de luta política foram inventados pelos marxistas.” (…) Hitler confia ainda a Otto Wagner que : “Agora que a idade do individualismo terminou a nossa tarefa é a de encontrar o caminho que leva do individualismo ao socialismo sem revolução”. E acrescenta que Marx e Lenine viram bem qual era o fim a alcançar, mas escolheram uma má estrada””.

    Comentário por Fernando S — Setembro 29, 2007 @ 00:04

  13. Caro Pedro,

    Sinceramente, estou muito longe de ser um expert da realidade política polaca, que não conheço assim tão bem !… (nem de nenhuma outra, de resto ; mesmo daquelas que conheço um pouco melhor)

    Reconheço que o SO é um caso algo atípico, pelo menos à luz dos nossos conceitos políticos mais ocidentais. O que em parte explica a discrepância de tratamento a que já nos referímos. De facto, o esquerdismo actual nas nossas sociedades é fundamentalmente urbano, “aburguesado”, perfeitamente integrado no “sistema”, nomeadamente através da função pública e do establishment cultural. Como o “nosso” Bloco de Esquerda. O PCP ainda mantém uma implantação operária e rural. Mas que se vai transformando e que, no fim de contas, também faz parte de um certo establishment. O SO tem uma base rural, popular e verdadeiramente anti-sistema (pelo menos no que se refere às novas categorias socio-económicas mais benificiadas pela passagem à economia de mercado). O que é comum a uns e a outros é a ideologia de fundo, o anti-liberalismo e a anti-mundialização. O facto de muitos dos seus membros serem “ex-comunistas reciclados” explica certamente por que é classificado à esquerda na Polónia. Mas mais importante do que a etiqueta é a circunstância de ser uma força anti-liberal e radical. A referência que inicialmente lhe fiz foi no sentido de recordar ao André Carapinha que na Polónia também existem partidos de algum modo saídos do anterior regime comunista que têm assento no parlamento. Ja agora, julgo que a presença de uma força post-comunista numa coligação governamental bem chegada à direita se pode compreender melhor se nos recordarmos que a verdadeira alternativa e oposição politica ao governo de centro direita dos irmãos Kaczynski é constituida por uma força … bem mais liberal (a Plataforma Civica – PO)! No fim de contas, aquela aliança não é assim tão contra natura como isso !

    Certamente uma conversa interessante … Para continuar !

    Comentário por Fernando S — Setembro 29, 2007 @ 00:58

  14. Caro André Carapinha,

    Li com atenção o seu último comentário. Mas, infelizmente, ainda não tive tempo para comentar alguns dos aspectos que refere. Procurarei fazê-lo logo que possa.

    Saudações.

    Comentário por Fernando S — Setembro 29, 2007 @ 01:08

  15. Caro André Carapinha,
    (para facilitar a leitura, as citações do seu comentário entre ==== e ====)

    ===================
    “Não contesto a menor expressão eleitoral da extrema-direita na Europa face à extrema-esquerda. Sucede que isso resulta da livre escolha democrática dos eleitores, que eu presumo que respeite. Embora eu não seja de “extrema-esquerda” (…), só posso considerar que os eleitores europeus são inteligentes nas suas escolhas. Mais inteligentes que os americanos, onde a balança se inclina para o lado contrário”
    ====================

    Confirmo que respeito “a livre escolha democrática dos eleitores” … seja ela qual for e sejam eles quem forem !… Mas fico sem perceber se o André talbém respeita “a livre escolha democrática dos eleitores” … americanos ?!….

    ===================
    “A “extrema-direita” que se persegue, ou se proíbe (e apenas em poucos países), é uma extrema-direita claramente violenta, anti-democrática, ligada a diversas formas de criminalidade, e que não tem pejo em assumir que é herdeira de Hitler ou Mussolini. Confundir isto com o BE ou o PCP, ou resulta de projecções fantasmagóricas dos medos de certa direita, ou é má fé. Absoluta. Veja-se o exemplo do partido dos Kaczinski, que é um partido de extrema-direita. Como se veja a Front Nationale, ou a extrema-direita belga ou holandesa. A verdade é que não se persegue a extrema-direita legal, que, melhor ou pior, vai aceitando o jogo democrático. E bem, a meu ver. Coisa muito diferente são os bandos de criminosos tatuados com suásticas, e isto só não vê quem for ou míope ou fanático. Comparar o BE com os hitlerianos é como comparar o CDS-PP com as Brigadas Vermelhas- útil apenas para lançar a confusão.”
    ====================

    Acho bem que se distingam as diferentes sensibilidades no seio dos extremos políticos e ideológicos. De direita como de esquerda. As ideologias de uns e de outros, nacionalistas ou comunistas, são revolucionárias (logo violentas) e autoritárias (logo intolerantes e anti-democráticas). Por isso são consideradas como extremas. Mas nem todas levam à prática estas ideias, pelo menos de modo sistemático e organizado. Concordo consigo em que apenas as organizações e os pessoas que praticam a violência devem ser perseguidas e condenadas. Como, entre outros, o “Ordine Nuovo” e as “Brigatte Rosse” em Italia, a “SAS” e a “Action Directe” em França, os “GALD” e a “ETA” na Espanha, …. o MLD e as FP-25 em Portugal. E que as outras que, como diz, “melhor ou pior vão aceitando o jogo democrático”, benificiem da mesma liberdade de expressão e acção política que têm as forças moderadas e democráticas. Sejam quais forem as respectivas origens históricas, os modelos de referência, as ideologias e os valores que defendem. Sou pela real liberdade de expressão. Mesmo de ideias e de ideologias que não praticaram no passodo e que preconizam ainda hoje o não respeito dessa mesma liberdade. Que, de um modo geral, rejeitam nos seus princípios as liberdades individuais e a democracia. Por outras palavras, não acho que devam ser censuradas e reprimidas organizações e pessoas que manifestam a adesão a ideologias autoritárias e totalitárias. Por exemplo, as que perfilham ideias fascistas, nazis, comunistas, islamistas, ou outras do género. De outro modo teriam de ser, por exemplo, proibidas a esmagadora maioria das organizações ditas de “extrema direita” e ditas de “extrema esquerda”. As que são herdeiras de Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, etc, bem como as que são herdeiras de Marx, Lenine, Trotsky, Staline, Mao, etc. O que faria muita organização e muita gente. Mesmo as que actualmente participam legitimamente e legalmente na vida democrática dos respectivos países. Por exemplo, em França seriam banidos o “Front National” e o MNR” à direita, o “PCF” e a “Liga Comunista Revolucionária” à esquerda, em Itália o “MSI-Fiama Tricolore” e a “Alternativa Sociale con Alessandra Mussolini” à direita, o “Partito della Rifondazione Comunista” e os “Comunisti Italiani” à esquerda. E em Portugal, para falar apenas nos partidos que se apresentaram às eleições de 2005, o “PNR” à direita, o “PCP”, o “BE”, o “PCTP/MRPP” à esquerda. E poderia não acabar aqui porque passaria a ser muito mais difícil estabelecer por onde passa exactamente a linha de separação entre as forças com alguma herança histórica menos democrática e as que nunca estiveram ligadas e envolvidas em experiências autoritárias e totalitárias. Por exemplo, em Itália estariam em perigo forças importantes das duas coligações que se alternam actualmente no poder, a “Alleanza Nazionale” (ex-MSI) à direita, os “Democratici di Sinistra” (ex-PCI) à esquerda. Nada disto faria sentido em democracias maduras e onde têm lugar todas as forças e todos aqueles que, independentemente das ideias que professam, não cometam objectivamente actos ilícitos que não respeitam as liberdades e as regras da própria democracia.

    O partido dos irmãos Kaczinski, “Direito e Justiça” (PiS), não é de “extrema direita”. É certamente de direita, de tipo “conservador”, algo intervencionista no plano social, demo-cristão em matéria de costumes (contra o aborto, etc), relativamente liberal na política económica interna. Embora crítico, não é contrário à União Europeia. Na política externa é “atlantista”, um dos mais fieis aliados da administração Bush (enviou tropas para o Iraque e aceitou receber no seu território uma parte do sistema anti-misseis americano). É certamente fortemente anti-comunista e está na origem das medidas que suscitaram esta discussão. Mas nada disto permite que seja classificado como sendo de “extrema direita”. Se assim fosse, poderiam então ser consideradas do mesmo modo muitas das forças políticas que representam hoje o centro-direita na Europa democrática.

    O “Bloco de Esquerda” e o “CDS-PP” não devem ser considerados no mesmo plano relativamente à adesão e ao respeito pelos valores liberais e democráticos das nossas sociedades modernas. O “CDS-PP” é um partido moderado de centro-direita, democrata-cristão. Nunca teve nem tem nada a ver com ideologias autoritárias ou totalitárias. Já o “Bloco de Esquerda”, por mais que tenha evoluído nos últimos tempos, desmarxizando o discurso e aproximando-se politicamente do PS (pelo menos em Lisboa), é uma força formada através da coligação de diferentes sensibilidades “esquerdistas”, trotskistas, maoistas, alteromundialistas, etc. A sua ideologia é claramente de base marxista e continua prisioneira de velhos conceitos e modelos totalitários. É um partido que “aceita o jogo democrático” e, por isso, deve ter todo o direito a uma participação plena na vida política do país. De resto, tem inclusivamente uma influência efectiva ao nível cultural e mediático muito acima da sua expressão eleitoral. Admito, e espero, que continue a evoluir e que venha a fazer, mais cedo ou mais tarde, o seu verdadeiro “agiornamento” ideológico. Mas não há sinais visíveis de que esteja para breve !

    E como este meu texto já vai demasiado longo, peço desculpa mas vou ter de deixar para uma próxima oportunidade outras considerações sobre a segunda parte do seu comentário.

    Saudações.

    Comentário por Fernando S — Setembro 30, 2007 @ 02:58

  16. Caro André,

    Relativamente à segunda parte do seu comentário.

    Diz o André :
    ==============
    “… eu (André) não estava a comparar o McCarthysmo com as perseguições políticas nos estados da cortina de ferro. Estava a compará-lo com as medidas dos Kaczynski. . Quando lhe falei de Cuba, foi para tentar traçar uma fronteira, à esquerda ou à direita, sobre o que se aceita ou não.”
    ==============

    Então parece que, afinal, pelo menos neste aspecto, estamos de acordo. Embora tenha chamado a atenção para alguns aspectos que distinguem o McCarthysmo das tais medidas dos Kackzinsky, admiti que existem semelhanças de fundo entre os dois casos. A principal das quais é a circunstância de ambas as situações se verificarem no seio de regimes essencialmente livres e democráticos. É precisamente por esta razão que não são “comparáveis” com “as perseguições políticas” nos regimes não democráticos. Tanto os ditos “de esquerda”, como “os estados da cortina de ferro”. Incluindo o regime cubano, naturalmente. Como os ditos de “de direita”. Referi mesmo, comentando uma observação sua, a diferença relativamente a medidas do “salazarismo” em Portugal. Esta é a tal “fronteira” entre o que são “anomalias em democracia” e “a normalidade em regimes autoritários e totalitários”. Não entre “o que se aceita ou não”. Porque acho que, embora com graus de condenação diferentes, não devem ser aceites nem umas nem outras. Para ser mais completo, acrescento que também considero que existem diferenças importantes entre as perseguições da ditadura “salazarista” em Portugal e as dos totalitarismos comunistas, como Cuba. Mas esta é outra conversa.

    Diz o André :
    ================
    “… pretenda (Fernando) justificar os atropelos ao Estado de Direito por serem praticados num Estado de Direito. Acho que tem uma visão do Estado de Direito muito limitada, se o vê apenas como a possibilidade de eleições e de recurso aos tribunais, esquecendo que os tribunais aplicam as leis do Estado.”
    ================

    Obviamente que “os atropelos ao Estado de Direito” não se justificam pelo facto de “serem praticados num Estado de Direito”. Mas há uma diferença importante, diria até fundamental, entre “atropelos” cometidos num país onde há eleições livres e democráticas e uma justiça independente que oferece a possibilidade de recurso aos tribunais, e “atropelos” num país de partido único e com uma justiça fantoche ao serviço do poder. A minha “visão do Estado de Direito”, por mais “limitada” que seja, dá um lugar importante à democracia representativa e à separação de poderes. A sua não ?

    Quanto à história do movimento sindical nos Estados Unidos … um tema certamente interessante e algo polémico … terá de ficar para outras conversas !

    Saudações.

    Comentário por Fernando S — Setembro 30, 2007 @ 12:48

  17. [...] um notável comentário do leitor Fernando S.: Os comunistas sempre falaram muito em liberdade … em países e situações [...]

    Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Comunismo, totalitarismo e anti-semitismo — Outubro 1, 2007 @ 00:49


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