O Insurgente

Setembro 27, 2007

Discernimento para combater o laicismo

Filed under: Política,Portugal,Religião — André Azevedo Alves @ 17:42

Carta aos capelães hospitalares. Por D. Manuel Clemente, Bispo do Porto.

A laicidade ou secularidade do Estado é um real ganho da história e da civilização. Considera que, no seu âmbito específico e como organização política fundamental, o Estado não tem nem promove uma confissão religiosa particular, em detrimento de outras ou de nenhuma, dos cidadãos que a não compartilham. Mas, se daqui partirmos para uma atitude estatal que considere irrelevante ou meramente individual a atitude religiosa, para concluir que não lhe deve dar condições de autodesenvolvimento e concretização comunitária, então estamos diante duma laicidade negativa, também designada por laicismo ou secularismo.

A maior dificuldade que esta atitude acarreta provém da sua natureza ideológica. Na verdade, não parte do respeito pela realidade de cada pessoa e da própria sociedade ou sociabilidade, mas duma abstracção conceptual que pretende criar outra realidade. Parte do princípio de que a convicção religiosa e a preferência cultural são algo de individual, que cada um resolve por si mesmo. Esquece que, sendo dimensões intrínsecas do ser humano, como toda a história demonstra, são necessariamente inter-pessoais. Esquece que, como facto cultural e social, a religião pode e deve ser reciprocamente proposta, mesmo que não seja acolhida. Devemos aos outros a proposta religiosa e a partilha das convicções.

(via Blasfémias)

1 Comentário »

  1. “A laicidade ou secularidade do Estado é um real ganho da história e da civilização. Mas, se daqui partirmos [...] para concluir que não lhe deve dar condições de autodesenvolvimento e concretização comunitária, então estamos diante duma laicidade negativa, também designada por laicismo ou secularismo.”

    A laicidade e a secularidade são boas, o laicismo e o secularismo são maus.
    A democracia é boa, ser democrata é mau.
    O Benfica está bem, ser benfiquista está mal.
    Haver partidos é bom, ser de um partido é mau.

    E poderíamos até dizer:
    O catolicismo é bom, ser católico é mau.

    É giro, é muita giro. Vocês são espertos pá, bué espertos.

    Comentário por Igor Caldeira — Setembro 29, 2007 @ 20:25


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