O Insurgente

Setembro 27, 2007

A nova máscara ecológica do anti-capitalismo

Filed under: Ambiente,Economia,Política — André Azevedo Alves @ 17:14

Coisas novas, coisas velhas. Por Vítor Bento.

Fossem os transgénicos uma experiência artesanal do “povo”, ou um processo conduzido pelo Estado, e talvez as preocupações desaparecessem.

(…)

Mas o que me tem intrigado é que muitos dos conservadores nos transgénicos são em geral progressistas no que se refere à ordem social, estando frequentemente associados à promoção ou aprovação da sua alteração radical, nomeadamente a via revolucionária. Esta, porém e como a história tem demonstrado, é habitualmente dominada por consequências indesejadas e envolve consideráveis malefícios para a saúde de milhões de pessoas. Veja-se o terror que se seguiu à Revolução Francesa, veja-se a mortandade dos regimes comunistas, vejam-se as mortes e a destruição que as revoluções em geral acarretam. Tudo em nome de apreciáveis objectivos.

E o fenómeno é intrigante porque as pessoas têm, em geral, uma linha de coerência interna (uma unidade de espírito). Não parecendo ser a saúde pública (chamemos-lhe assim) o fio unificador daquelas duas posições – reaccionarismo científico nos transgénicos e progressismo na ordem social – outro fio deverá existir. Do que me é dado observar – e admito que haja melhores interpretações – o único ponto em comum que me parece existir entre as duas posições é a oposição aos “poderosos”.

Na verdade e da discussão que vi, por exemplo, a propósito da recente destruição de um campo de milho transgénico no Algarve, o que me pareceu estar em causa na oposição aos transgénicos não foram os factos científicos em si, mas o facto de eles serem desenvolvidos e promovidos pelas “grandes multinacionais”, que poderão vir a lucrar com isso. É por isso, talvez, nessa controvérsia a palavra que me apareceu mais vezes associada às expressões anti-transgénicos foi a palavra Monsanto (não se referindo, claro, ao parque ecológico de Lisboa). Fossem os transgénicos uma experiência artesanal do “povo”, ou um processo conduzido pelo Estado, e talvez as preocupações desaparecessem.

Fico, pois, convencido de que por detrás da nova máscara ecológica, se esconde, afinal e mais uma vez, o velho e conhecido anticapitalismo, ou seja, mais uma manifestação da velha “renovação na continuidade”.

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