Subprime Lessons
Um artigo fantástico de Michael Lewis, na Bloomberg.
So right after the Bear Stearns funds blew up, I had a thought: This is what happens when you lend money to poor people.Don’t get me wrong: I have nothing personally against the poor. To my knowledge, I have nothing personally to do with the poor at all. It’s not personal when a guy cuts your grass: that’s business. He does what you say, you pay him. But you don’t pay him in advance: That would be finance. And finance is one thing you should never engage in with the poor. (By poor, I mean anyone who the SEC wouldn’t allow to invest in my hedge fund.)
That’s the biggest lesson I’ve learned from the subprime crisis. Along the way, as these people have torpedoed my portfolio, I had some other thoughts about the poor. I’ll share them with you.
1) They’re masters of public relations.
2) Poor people don’t respect other people’s money in the way money deserves to be respected.
3) I’ve grown out of touch with “poor culture”.
4) Our society is really, really hostile to success. At the same time it’s shockingly indulgent of poor people.
5) I think it’s time we all become more realistic about letting the poor anywhere near Wall Street.But never again will I go one-on-one again with poor people. They’re sharks.

Caro LT,
Não tenho simpatia alguma por este senhor. Porque revela total falta de honestidade intelectual. Este senhor, como gestor de um Hedge Fund, deve estar ressabiado porque investiu em titularizações de créditos hipotecários de alto risco. E quem investe neste tipo de activos sabe que está a entrar no mundo OTC (over the counter), também chamado de mercado não cotado, que é precisamente onde a maioria dos “estouros” documentados tem lugar.
E o mercado OTC é muito simples: há duas contrapartes que, privadamente, chegam a acordo em relação ao preço (cotação) do activo. Uma das contrapartes está longa no activo, a outra está curta no mesmo activo. E o que estes senhores dos Hedge Funds têm feito nos últimos anos tem sido, em geral, estar longos nas titularizações de crédito hipotecário em particular no de alto risco que, como se sabe, são aquelas onde se podem gerar maiores mais valias ou, inversamente, maiores perdas de capital.
O problema do mercado não cotado é que está apenas sujeito ao escrutínio e avaliação de duas contrapartes. E quando se gera o pânico ou a euforia no activo subjacente há um incentivo para que uma das contrapartes “esmifre” a outra. Como? Recusando-se a cotar o título até que a contraparte “esmifrada” deite a toalha ao tapete, em virtude das perdas contabilisticas, e se desfaça da sua posição a qualquer preço. Não se iludam. Nesta debacle do subprime houve investidores que perderam muito dinheiro. Mas também houve quem tivesse ganho muito dinheiro, em particular, aqueles que anteciparam correctamente a iminência da crise.
Portanto, este senhor que se deixe de parvoices e que procure a culpa do seu falhanço na sua própria acção. E que não a atribua a milhares de famílias que agora, ao serem despejadas das suas casas, irão pagar o custo da sua própria irresponsabilidade financeira.
Comentário por Ricardo Arroja — Setembro 5, 2007 @ 5:57 pm
[...] Comentário de Ricardo Arroja ao post Subprime Lessons: Não tenho simpatia alguma por este senhor. Porque revela total falta de honestidade intelectual. Este senhor, como gestor de um Hedge Fund, deve estar ressabiado porque investiu em titularizações de créditos hipotecários de alto risco. E quem investe neste tipo de activos sabe que está a entrar no mundo OTC (over the counter), também chamado de mercado não cotado, que é precisamente onde a maioria dos “estouros” documentados tem lugar. [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Subprime Lessons (2) — Setembro 5, 2007 @ 9:06 pm
Caro Pedro Arroja,
não me parece que o Michael Lewis se esteja a queixar dos preços “esmifrados” que as contrapartes lhe estão a oferecer pelas posições em subprime (os preços só estão “esmifrados” porque as taxas de delinquência subiram em flecha e ainda ninguém sabe onde vão parar). Acho que o objectivo do artigo era alertar que a principal razão de fundo da actual “crise financeira” é o facto de existirem pessoas que, por variadíssimas razões pessoais, deixaram de pagar os seus empréstimos hipotecários e não pelo facto de muitos investidores terem comprado essas hipotecas. Ou seja, o problema existe porque existem defaults e não porque houve investidores que “emprestaram” fundos a “poor people”.
Comentário por Mário Afonso — Setembro 6, 2007 @ 11:10 am
“Caro Pedro Arroja”
É Ricardo, não Pedro.
Comentário por Miguel — Setembro 6, 2007 @ 11:59 am
Peço desculpa Ricardo, foi a força do hábito.
Cumps,
Comentário por Mário Afonso — Setembro 6, 2007 @ 1:34 pm
Mário Afonso,
Em relação à troca de nomes, sem stress! Já estou habituado à confusão.
Em relação ao artigo do Michael Lewis, totalmente de acordo no que diz respeito à origem da crise: o problema existe porque há defaults, e não devido aos especuladores profissionais que andam a investir nas respectivas titularizações!
O meu comentário tem mais a ver com a reacção típica de muitos especuladores profissionais (de resto, uma classe à que eu tb faço parte!)…quando ganham é porque foram bestiais, mas quando perdem poucos são aqueles que aceitam que perderam porque foram umas bestas! Sabe, é que nesta minha profissão, passar de bestial a besta e vice-versa é um instante porque aqui os números (ie, a performance individual de cada gestor) não mentem.
Eu atirei-me ao Michael Lewis, e aliás reitero tudo o que escrevi, porque enquanto o mercado de titularizações de crédito hipotecária esteve a dar, e provavelmente ele estava exposto a este tipo de activos, ninguém se queixou:
1) Os especuladores profissionais (ie: gestores de hedge fund estavam em geral longos nas titualrizações e, portanto, a beneficiar de cotações OTC favoráveis)
2) Os bancos estavam protegidos - longos na exposição ao mercado de crédito hipotecário e curtos nas respectivas titularizações onde tinham como contraparte a comunidade de “hedge funds” (uma forma inteligente de transferir o risco associado ao sector).
Quando a coisa começa a correr para o torto, a generalidade dos bancos ficou apertada, mas quem ficou verdadeiramente errascado foram os Hedge Funds que, ironicamente, não estavam “hedged”!! Portanto, problema deles, fizeram uma má aposta, em termos direcionais e em termos formais (repito, os “estouros” são sempre em OTC), por isso que aguentem agora com as perdas. Dói. Custa. Mas a culpa é apenas do operador, não da família que entrou em default. Sobretudo quando ao operador o pior que pode acontecer é perder performance e clientes, ao passo que, a família vai perder a casa. E como se diz no jargão financeiro, “never bet the house”.
Comentário por Ricardo Arroja — Setembro 6, 2007 @ 6:20 pm
[...] um comentário de Ricardo Arroja ao post Subprime Lessons: Em relação ao artigo do Michael Lewis, totalmente de [...]
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