O Insurgente

Agosto 22, 2007

A direita

Arquivado em: Comentário, Política, Portugal — André Abrantes Amaral @ 11:53

(Continuação)

A evolução da direita no século XXI é mais complicada que a da esquerda. Não tendo para oferecer uma panóplia de direitos que esmague a livre escolha, o problema da direita está na complexidade da defesa de um valor básico que é a liberdade, alicerçada num princípio basilar que é a responsabilidade. A defesa da pessoa humana e das suas boas decisões individuais, da sua inteligência e da aceitação dos seus resultados.

A ser assim, a direita não quererá educar o homem, pretendendo antes que este se instrua livremente. A direita será o baluarte da defesa do indivíduo contra o estado, da defesa da família contra o estado, dos direitos contra o estado, da defesa da vida contra o estado, da defesa da propriedade contra o estado, melhor contra quem quiser transformar o estado num instrumento de opressão. Um instrumento com vista à obtenção de ganhos sociais muito específicos, ao invés de se limitar a ser o que deve ser: O garante máximo das liberdades cívicas.

A direita será, pois, a favor do estado de direito, a favor do estado das liberdades, a favor do estado protector do ensino livre, diversificado, escolhido pelos pais porque são estes quem educa os seus filhos, a favor do um estado que garanta a reforma livre, por um estado favorável a uma segurança social não obrigatória. À direita cabe não dar, mas prometer a escolha. A escolha dos mercados e da livre concorrência. A escolha entre ser um trabalhador e um empreendedor. Escolhas tão simples como ser saudável e estar doente. Entre comer mal e bem. Reciclar e não reciclar o lixo. A escolha é a palavra chave da direita. Já não mais a moral e os valores.

5 Comentários »

  1. Liberalismo é Liberalismo e não “direita”.

    Também podiamos dizer: a esquerda será a favor de um principio de justiça, contra as violações da propriedade comum das comunidades locais, da liberdade nas escolhas individuais, contra os previlégios das empresas e sectores, contra excessos da função de defesa externa e interna, etc.

    Incentivar o liberalismo à direita sim, à esquerda também.

    “Fusão” à direita parece-me sempre pernicioso a médio prazo.

    Comentário por CN — Agosto 22, 2007 @ 12:43

  2. Bom texto André.
    o Miguel Morgado faz-te uma crítica no Cachimbo que espero que respondas.
    http://www.cachimbodemagritte.blogspot.com/
    Abraço
    P.

    Comentário por Paulo Marcelo — Agosto 22, 2007 @ 14:30

  3. [...] Não tendo para oferecer uma panóplia de direitos que esmague a livre escolha, o problema da … Autor: DM [...]

    Pingback por Cortar a Direito :: A Direita :: August :: 2007 — Agosto 22, 2007 @ 15:31

  4. [...] sobre o que “é” e não  sobre o ”dever ser” (o qual penso que o André Abrantes Amaral não defende, mas é a ele que cabe esclarecer esse ponto, se e quando tiver disponibilidade e [...]

    Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Normatividades essenciais* — Agosto 22, 2007 @ 21:19

  5. [...] Miguel Morgado ficou desiludido com este meu texto. Passo então explicar-me, agradecendo, desde já, o cuidado dos seus comentários: A direita [...]

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