Aproveito a gentil referência do PPM ao meu artigo na Atlântico que está nas bancas para chamar a atenção para um pequeno problema que só agora detectei. Na revista há uma gralha no destaque: por favor leia-se “anglicanismo” (como aliás está no corpo do artigo propriamente dito) onde está “anglicismo”.
Peço desculpa aos leitores pela gralha e aproveito para agradecer todo o generoso feedback recebido até ao momento relativamente ao mesmo.
Aqui ficam duas passagens do artigo em causa:
O predomínio de formas agressivas de secularismo na Europa está também provavelmente relacionado com os temores associados ao notório falhanço do multiculturalismo. Confrontada com grandes volumes de imigração de fora da Europa e com o acentuado declínio demográfico no contexto de um modelo social falido, uma parte significativa das elites políticas europeias está convencida de que a promoção estatal do secularismo progressista constitui um seguro contra a expansão do radicalismo islâmico no interior das sociedades europeias. A experiência, infelizmente, tem demonstrado exactamente o contrário: as sociedades europeias em
que o Estado mais promove o secularismo progressista e ataca a herança cristã são precisamente aquelas em que os problemas de integração das comunidades de imigrantes muçulmanos e seus descendentes são mais graves.(…)
O resultado final das tendências intelectuais descritas, bem visível na Inglaterra e em muitos outros países europeus, é uma situação em que o único sistema de valores aceite no espaço público é o secularismo progressista. Entre os dogmas de fé do secularismo progressista estão a crença inabalável na Ciência, no racionalismo construtivista e no progresso da Humanidade contra a tradição e os preconceitos herdados do passado. Daqui decorre naturalmente o imperativo de se ser intolerante com as religiões tradicionais e, em particular, com o cristianismo, que deve ser excluído a todo o custo do espaço público. Ironicamente, a própria noção de espaço público hoje prevalecente nas sociedades ocidentais é em larga medida – como mostrou Pannenberg – uma herança cristã. Uma herança que a intolerância do secularismo progressista cada vez mais ameaça pôr em causa.
A laicidade permite a convivência entre vários sistemas de valores, ao contrário dos estados religiosos como no estado novo.
A laicidade não constitui um ataque à religião, mas sim um espaço para o florescismento das mesmas, desde que as mesmas saibam aproveita-lo. O que nao pode continuar a acontecer é o cristianismo possuir o monopolio dos apoios.
Comentário por The Observer — Agosto 13, 2007 @ 18:38
[...] sobre o tema do meu artigo na Atlântico deste mês, agradeço e recomendo a leitura do comentário de José Manuel Moreira: [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » A Religião e o Espaço Público (2) — Agosto 16, 2007 @ 15:07