Henrique Burnay na Atlântico 29:
Tune Kelam, eurodeputado e um importante político estónio, foi à inauguração do memorial destinado a homenagear as cem milhões de vítimas do comunismo, erguido em Washington, claro, e dois dias depois foi tentar explicar ao Parlamento Europeu que “o mal que causou cem milhões de mortes violentas é real e tem de ser moral e politicamente condenado”. Não reparei se foi muito aplaudido, mas duvido, e também duvido que aquilo que disse tenha sido perfeitamente entendido. Mas sobretudo, sei que foi preciso dizê-lo, e esse é o problema.
(…)
Se alguém sugerisse que fosse erigido, no centro de Bruxelas, um monumento às vítimas do totalitarismo comunista, é pouco provável que os 27 se pusessem de acordo. E se essa discussão tivesse lugar no Parlamento Europeu, aposto tranquilamente que as objecções seriam imensas.