Trabalho como tradutor e intérprete no Rio de Janeiro. Já fiz interpretação simultânea para acordos da Aeronáutica, e foi numa destas reuniões que descobri que o governo brasileiro fixava o valor mínimo das passagens para o exterior. Portanto, em vez termos os capitalistas internacionais malvados com olhinhos brilhando com cifrões, temos os capitalistas internacionais fazendo o possível para ficar perto do preço mínimo estabelecido pelo governo brasileiro. Enquanto isso, o Robin Hood botocudo institucional distribui a minha renda para um empresário brasileiro poder competir com um estrangeiro.
Por isso quase chorei ao ler em O Globo na noite desta terça:
A Agência Nacional de Aviação (Anac) vai alterar regras que hoje impõem às companhias aéreas brasileiras e estrangeiras preço mínimo para viagens internacionais com origem no Brasil. Boa parte dos destinos no exterior terá a tarifa liberada. Atualmente, por força dos acordos bilaterais e de uma política de reserva de mercado para empresas nacionais, existem patamares para o valor das passagens e um desconto máximo que pode ser aplicado sobre eles, que varia entre 20% e 45%. As rotas que não forem contempladas com a derrubada total das restrições terão o desconto elevado. Em ambos os casos, o efeito será uma queda dos custos para o consumidor.
Só não digo que agora é que eu vou emigrar para Portugal porque me parece que em termos de opressão estatal a metrópole ainda está à frente da colônia…