O problema é que os bastardos da canalha napoleónica andam por aí: Devolvam-nos aquilo que nos roubaram. Por MCB.
Neste ano em que se celebram os duzentos anos da primeira invasão francesa – foi aqui que o trono de Napoleão abriu as primeiras fissuras – importaria que o Estado português abrisse ou agendasse a discussão sobre o paradeiro de largos milhares de objectos – mobiliário, tapeçarias, pintura, ourivesaria, arte sacra, cartografia, manuscritos e impressos – que aqui foram pilhados pela soldadesca de Junot. O trabalho não exige grande esforço, pois bastará compulsar um dos centos de volumes do inventário patrimonial francês, encomendado por Malraux enquanto ministro da cultura, para saber onde está – em que museus, galerias e instituições – esse fartote de vilanagem que foi o saque desapiedado aqui praticado pelos “libertadores”.
(…)
Goya eternizou esse momento terrível de violação da península pela canalha napoleónica – dizem os demógrafos que nos custou 10% de vidas – mas essa carnificida envolveu também uma mutilação tão ou mais grave que a hacatombe de 1755. Aqueles bens foram roubados, embarcados e expedidos por um Estado que usou a força para os retirar do povo e da terra em que estes haviam sido criados. Cumpre aos ofendidos e lesados o direito ao protesto e consequente pedido por depredações causadas por terceiros. Para quando a reparação por 1807 ?
Os governos monárquicos franceses (Luís XVIII e Carlos X) devolveram grande parte dos objectos roubados e tenho a vaga lembrança de ter lido não sei onde que, se alguma coisa falta a culpa é nossa.
Comentário por Anónimo — Julho 25, 2007 @ 13:21
-Olivença por exemplo.
Comentário por antónio sousa — Julho 25, 2007 @ 14:34
“Os governos monárquicos franceses (Luís XVIII e Carlos X) devolveram grande parte dos objectos roubados e tenho a vaga lembrança de ter lido não sei onde que, se alguma coisa falta a culpa é nossa.”
Lembre-mo de ler que Malraux deu 24horas para os Portugueses levarem o que pudessem e nem mais um minuto. Muitas coisas aparentemente ficaram por lá.
O maior problema não foi sequer esse. O país ficou todo arruinado com destruição de colheitas, terras e casas e tudo o pudesse abrigar ou ajudar os Franceses até ás linhas de Torres. Terra queimada pura e simples.
Comentário por lucklucky — Julho 25, 2007 @ 16:12