Já é sábado em Lisboa, e aqui no Rio de Janeiro a sexta-feira vai terminando. Ao meio-dia próximo será publicado oficialmente o motu proprio “Summorum Pontificum”, que muita gente, como eu, aguardou com anseio, pois é o documento que pretenderá levar a uma celebração mais ampla do missal romano estabelecido por São Pio V durante o Concílio de Trento (daí o adjetivo “tridentino”), e que teve sua última edição promulgada pelo Papa João XXIII em 1962. No início do ano litúrgico de 1970, isto é, ao fim do ano civil de 1969, o missal dito “de Paulo VI” começou a ser utilizado e, ainda que os “ritos antigos” nunca tenham sido efetivamente proibidos, sua celebração passou a depender de uma permissão, raramente concedida, do bispo local.
Os filotradicionalistas – este é o nome que inventei para designar a gente como eu, amiga dos velhos ritos mas firme com o Vaticano – e os vaticanistas mais espertos já sabiam que a eleição de Joseph Ratzinger traria de volta a questão da missa. Vejam o que ele diz em O sal da terra (Rio de Janeiro: Imago, 1997):
A meu ver, devia-se deixar seguir o rito antigo com muito mais generosidade àqueles que o desejam. Não se compreende o que nele possa ser perigoso ou inaceitável. Uma comunidade põe-se a si mesma em xeque quando declara como estritamente proibido o que até então tinha tido como o mais sagrado e o mais elevado, e quando considera, por assim dizer, impróprio o desejo desse elemento. Pois em que se poderá acreditar ainda do que ela diz? Não voltará a proibir amanhã o que hoje prescreve?
Pois hoje vem o resultado. Nos EUA, Rocco Palmo, que alega não estar submetido ao embargo do Vaticano para a publicação do documento, já publicou alguns trechos e fez seus comentários. No mesmo trecho de O sal da terra, o então cardeal Ratzinger observava que o latim já não é mais tão difundido e talvez não fosse mais tão adequado para a celebração litúrgica. Por isso, segundo Rocco Palmo, o documento deste sábado manterá o Novus Ordo como rito principal, enquanto vai reabrindo espaço para a forma de 1962. As paróquias poderão ter uma missa nesta forma por domingo ou festa, por exemplo, e os sacramentos em suas formas antigas também poderão ser utilizados.
Esperemos hoje a publicação oficial, e, naturalmente, celebremos com muita Erdinger e Spaten Optimator.
Atençao aos erros de sintaxe (“Ratzinger observava que o latim já não é mais tão difundido e talvez não fosse mais tão adequado para a celebração litúrgica.”, isto é uma frase do mais embrulhado que há. Vamos lá a tratar melhor a língua portuguesa)
Um aviso de amigo: weissbier em excesso dá muita flatulência.
Bis später!!!!!
Comentário por André Ratzo — Julho 7, 2007 @ 09:17
http://gazetadarestauracao.blogspot.com/2007/07/summorum-pontificum-motu-proprio.html
http://gazetadarestauracao.blogspot.com/2007/07/summorum-pontificum-carta.html
ainda não há tradução do MP para português…
Comentário por Gazeta da Restauração — Julho 7, 2007 @ 12:56
Pedro, pude verificar que aqui na regiao de NY ha muito mais igrejas com permissao para celebrar a missa tridentina do que ai no Brasil. Alias, os catolicos americanos sao mais conservadores do que os brasileiros.
Comentário por Patricia M. — Julho 7, 2007 @ 16:21
Parecendo que não, a forma de celebrar a missa tem muita importância.
A nova forma depende directamente da eclesiologia do Vaticano II, uma eclesiologia de comunhão e não piramidal.
Agora toda a comunidade se reúne em volta do altar, como aconteceu na última ceia.
Comentário por Francisco — Julho 7, 2007 @ 18:05
Cheguei aqui pelo Google, procurando tradução do Motu Proprio em português, mas irei lê-lo em inglês mesmo. A quem interessar possa, o ótimo programa The World Over, da EWTN, fará na próxima segunda às 9 da noite na costa leste dos EUA (10 da noite no horário de Brasília) um programa especial sobre ele. Veja mais informações aqui, veja ao vivo pela Internet (Real Player) aqui,
e se não funcionar, veja mais opções aqui.
Comentário por Matheus F. Ticiani — Julho 7, 2007 @ 18:35
[...] sequência deste post do Pedro, publico a seguir uma tradução não oficial do texto completo do motu proprio Summorum [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » A “volta” da “missa tridentina” II — Julho 7, 2007 @ 23:27
Embora o blog de Rocco Palmo seja uma boa fonte de informação, as melhores sobre este assunto sempre foram os sites ‘Rorate Cæli’, ‘The New Liturgical Movement’ e ‘What Does The Prayer Really Say’.
Comentário por Flávio Silva — Julho 8, 2007 @ 01:49
Pedro, fiz o comentário anterior sem saber que o texto era seu. Hoje vi que o apologista Jimmy Akin fez uma análise aprofundada do Motu Proprio. O blog dele é aquele que lhe recomendei à época do falso furo “pega-trouxa” a repeito da suposta conversão em massa de anglicanos ao catolicismo.
Comentário por Matheus F. Ticiani — Julho 8, 2007 @ 14:16
A Missa Tridentina nunca fora suprimida, tampouco o latim. Houve um afastamento progressivo por parte de muitos clérigos, do latim e do canto gregoriano, respectivamente. Isto vai contra, inclusive, as próprias diretrizes do Concílio Vaticano II. é para lastimar este afastamento. Conforme supracitado, a missa tridentina nunca fora suprimida. Deixou de ter o lugar de destaque que ela merecia. Os bons padres que rejeitaram o Missal dito de Paulo VI, na época em que ele foi imposto à toda Igreja sofreram muito, isto é fato. Atualmente, pela bondade do coração do Santíssimo Padre Bento XVI o antigo Missal voltou a brilhar, embora ainda não esteja no lugar onde merece, ou seja, vem como forma extraordinária do Rito Romano. Mas, tudo bem, já é um grande passo liturgicamente falando, e, quanto a isto, que não haja dúvida. O levantamento das excomunhões dos excelentíssimos e reverendíssimos senhores Bispos da Fraternidade São Pio X vem trazer muita luz, já que, este fato se deu, sem que a a fraternidade São Pio X tivesse que mudar seu ponto de vista diante da atual situação da Igreja, e quanto as diretrizes do Concílio Vaticano II. NA fRATERNIDADE NADA MUDOU, para TRISTEZA E DERROTA das pessoas de má fé. A PROPÓSITO, É bom lembrar o anátema lançado pela Igreja na voz de PIO XII, AOS HEREGES que desejavam restituir o altar à antiga forma de mesa. Ora, o padre não é um mero presidente da assembléia a distribuir, diante de uma mesa, o pão a seus irmãos. Ele é o sacrificador diante do altar a oferecer o Santo Sacrifício! A Missa é um Banquete, mas, Sacrifical. Pader Edmund Genings, foi surpreendido com 10 católicos, enquanto celebrava a Missa tradicional, foi com estes preso e condenado à morte por que se recusaram a aceitar a “missa” anglicana (1591 – Londres.) Graças a Deus, hoje, os padres não correm tal risco. Permanecendo-se fiel à Tradição, não se pode cair na heresia nem no cisma, É na novidade que há risco de cisma e heresia.
Comentário por André Luíz Araújo Magalhães — Fevereiro 13, 2009 @ 22:23
Defender a Igreja, os seus clérigos é dever de cada cristão. Não é correto dizer que só defendem a fraternidade São Pio X, os ditos “lefèbvrianos”, antes de mais nada, somos todos Cristãos, filhos do mesmo Pai. O levantamento das excomunhões dos excelentíssimos e reverendíssimos senhores bispos da Fraternidade São Pio X POR BONDADE DO CORAÇÃO DO SANTÍSSMO PADRE BENTO XVI, é prova indefectível da fidelidade das objeções destes fiéis bispos quanto as novas diretrizes pós – conciliares. Para dor e derrota dos homens de má fé, estes Bispos não mudaram, continuam santamente fiéis a verdade. Nós católicos somos soldados de Cristo, somos guardas do reino de Maria! Pax!
Comentário por André Luíz Araújo Magalhães — Fevereiro 13, 2009 @ 22:37