O Insurgente

Julho 6, 2007

Zita Seabra

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:08

A entrevista que Zita Seabra deu ontem à RTP foi das melhores que vi nos últimos tempos. Clara, franca e frontal, Zita contou como foi a sua militância no PCP, o seu acordar para as atrocidades da ideologia comunista e disse, preto no branco, que não se pode ser comunista sem se defender a colectivização de todos os meios de produção. Zita Seabra alertou-nos também para o perigo que é o sermos condescendentes com a ideologia comunista e o PCP. Nunca podemos perder o norte nesta matéria. Todas a ideologias totalitárias, sejam elas comunistas, fascistas ou nazis, são uma ameaça séria à nossa liberdade.

Hoje o perigo comunista já não é iminente, mas sorrateiro. Ao contrário do nazismo que foi vencido numa guerra mortal, o comunismo caiu por si, fazendo esquecer os milhões de mortos que provocou. Relativizar a ideologia comunista, reduzindo-a a um conjunto boas intenções, é perigoso quando bem sabemos que esta, a par do fascismo e do nazismo, sempre defendeu o fim da liberdade individual e o emprego de meios totalitários com vista a fins contrários à natureza humana.

A entrevista de Zita Seabra também me deixou um sentimento de estranheza que apenas hoje consegui perceber: Em Portugal, um país que viveu uma ditadura direita de 50 anos e escapou por pouco ao totalitarismo comunista de Cunhal, foi preciso ser uma ex-comunista a vir à televisão dizer uma verdade tão simples quanto esta.

21 Comentários »

  1. «[A ideologia comunista], a par do fascismo e do nazismo, sempre defendeu o fim da liberdade individual e o emprego de meios totalitários com vista a fins contrários à natureza humana.»

    Esta insistências nos totalitarismos do passado faz-me recuar aos anos 20 e 30 na Europa: o fascismo e o nazismo já andava nas ruas, mas quase ninguém os via porque as pessoas estavam a olhar para trás, para os autoritarismos do fim do século XIX e princípios do séc. XX que tinham dado origem à primeira grande guerra.

    Era fácil, nessa altura, não ver os crimes do comunismo, do fascismo e do nazismo porque a maior parte deles ainda estavam no futuro.

    Hoje continuamos a olhar para trás e a discutir os totalitarismos do passado. Como se o futuro não nos ameaçasse com novos totalitarismos, que não são nem comunistas, nem fascistas, nem nazis, mas que nem por isso deixam de ser contrários à liberdade individual nem de empregar «meios totalitários com vista a fins contrários à natureza humana».

    Comentário por José Luiz Sarmento — Julho 6, 2007 @ 13:40

  2. Muito bem. Agora seja coerente e retire a sua participação neste blog de modo a não partilhar o mesmo com fascistas.

    Comentário por Nuno — Julho 6, 2007 @ 13:52

  3. “o perigo que é o sermos condescendentes com a ideologia comunista e o PCP.”

    Exactamente.
    Não se duvide das suas intenções e do seu programa.

    Comentário por LA — Julho 6, 2007 @ 14:00

  4. Muitos dos militantes das congregaçoes políticas mais conservadores foram, em algum ponto do seu percurso político, militantes ou simpatizantes do PC. Eu vejo as coisas como uma questao de marketing. As possibilidades de Ziata Seabra encher o fole de dinheiro e progredir em política eram maiores num partido mais moderado (ou indefinido) como o PSD. Qualquer idiota com uma perspectiva de mercado liberal compreende a evoluçao de Seabra como pragmática, e nao ideológica.

    Malefícios do comunismo, my ass…

    Comentário por André Sea Abra — Julho 6, 2007 @ 14:19

  5. A multinacional comunista “adormecida” está à espera de melhores dias, como aconteceu na Venezuela…

    Comentário por Miles — Julho 6, 2007 @ 14:34

  6. “A entrevista de Zita Seabra também me deixou um sentimento de estranheza que apenas hoje consegui perceber: Em Portugal, um país que viveu uma ditadura direita de 50 anos e escapou por pouco ao totalitarismo comunista de Cunhal, foi preciso ser uma ex-comunista a vir à televisão dizer uma verdade tão simples quanto esta.”

    Sem dúvida!
    Outra coisa que nunca percebi é a seguinte: se de acordo com a constituição portuguesa não é possível existirem partidos de ideologia fachista, porquê que são permitidos partidos com ideologias comunistas, maoistas e trotskistas?

    Comentário por FPV — Julho 6, 2007 @ 14:43

  7. Realmente, causa impacto tremendo ouvir uma ex-comunista contar “foi assim”. Muitos já o sabíamos, mas não deixei de me emocionar com a coragem da mulher, fosse quando abraçou o ideal da juventude, fosse quando se deu conta do logro.
    E como me lembro de intermináveis discussões sobre a bondade dos princípios daquela ideologia. E Zita resume da melhor maneira possível: só se é comunista quem abdicar da própria liberdade, sujeitando-se a um “controleiro”; quem preconizar a colectivização; quem perfilhar a revolução pelas armas. Os mortos contam-se depois e nem se imagina o número.
    Ouvir isto nos dias de terror respeituoso que se vivem em Portugal não é só um abalo nos comunistas. É um aviso à sociedade que sente um mal idêntico à porta.

    Comentário por José Luís Pereira — Julho 6, 2007 @ 14:49

  8. André, Quem foi comunista por motivos idealistas e que deixou de o ser pelos mesmos motivos, conhece melhor do que ninguém a verdadeira natureza maléfica dessa ideologia. Os inocentes que não se deixaram ludibriar muitas vezes guardam ilusões. E os comunistas são implacaveis na perseguição dos que proclamam a verdade. Também usam da fatwa. A Zita sabe disso tão bem como eu.

    Comentário por Patricia Lanca — Julho 6, 2007 @ 15:23

  9. Nuno, não deve ter lido bem o meu comentário. Nem considero fascistas os autores do blog, nem, se o fossem, me incomodaria partilhar o blog com eles. Simplesmente, estas questões do fascismo e do comunismo já não me parecem relevantes quando no horizonte se perfilam totalitarismos novos.
    Por exemplo, e só para mencionar os três que considero mais perigosos: o anarco-capitalismo, o fundamentalismo religioso e o Espectáculo.

    Comentário por José Luiz Sarmento — Julho 6, 2007 @ 15:41

  10. “Muito bem. Agora seja coerente e retire a sua participação neste blog de modo a não partilhar o mesmo com fascistas.”

    Já agora, seja concreto e diga lá quem é que por aqui é fascista…

    Comentário por LT — Julho 6, 2007 @ 15:44

  11. “Já agora, seja concreto e diga lá quem é que por aqui é fascista…”

    É fascista quem defende os ideais fascistas, quem defende os ideias Salazaristas, quem faz apologia dos mesmos, quem os divulga, quem os corrobora. Certo?

    Comentário por Nuno — Julho 6, 2007 @ 15:55

  12. “Se foi assim” o desabafo da “Grande Entrevista” deu razão a tudo aquilo que renegou. Afinal foi uma tentativa de promoção para o seu livro, que ao que parece perdeu o pouco interesse que restava para a sua aquisição. Para alguém que acredita no mecanismo do capitalismo e que até é deputada de um dos seus mais acérrimos propangandores deu de facto uma imagem muito pobre do seu novo empenhamento político. Foi uma conversa entre donas de casa e pouco mais…
    O que foi que esta senhora nos quiz dizer. Será que vão quebrar algumas fontes de receita depois das próximas eleições.
    Um ex-UEC.

    Comentário por A. Fortunato — Julho 6, 2007 @ 16:36

  13. Nuno,desculpe lá,mas também partilho da curiosidade de LT.
    Ou será que se está a referir àqueles(entre os quais me incluo),que reconhecem os méritos,evidentes para quem sabe como se encontrava Portugal à data(1ª República),que Salazar teve,mas que,também reconhece o que de mau ele representou?
    É que este é um assunto de eterno arremesso que convinha esclarecer…

    Comentário por Cristina Ribeiro — Julho 6, 2007 @ 18:07

  14. Só vi a parte final e foi uma excelente e corajosa entrevistada.

    “Em Portugal, um país que viveu uma ditadura direita de 50 anos e escapou por pouco ao totalitarismo comunista de Cunhal, foi preciso ser uma ex-comunista a vir à televisão dizer uma verdade tão simples quanto esta.”

    É esse um dos problema. É uma verdade simples logo os sofisticados não a podem dizer.

    Comentário por lucklucky — Julho 6, 2007 @ 18:51

  15. Excelente post.

    Comentário por André Azevedo Alves — Julho 6, 2007 @ 23:53

  16. [...] Zita Seabra. Por André Abrantes Amaral. [...]

    Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Sobre Zita Seabra — Julho 6, 2007 @ 23:54

  17. quem quiser, poder ver aqui a entrevista:
    mms://195.245.176.20/rtpfiles/videos/auto/gentrevista/gentrevista_05072007.wmv

    Comentário por Gabriel Silva — Julho 7, 2007 @ 00:01

  18. Ideologia perigosa o comunismo??? AHHAHAHAHA :) vão ao Avante e fumem umas brocas brocas e depois falamos..Cambada de qaudrados reacionarios da treta!!

    Comentário por feedback — Julho 7, 2007 @ 05:53

  19. Bom Dia,

    Li o livro “Foi Assim” que achei um documento histórico muito interessante, mas há um erro grave.
    O MDP/CDE foi fundado em 28 de Abril de 1974 e não em 1969 para concorrer ás eleições.
    A CDE é que surgiu em 1969.

    Rui Nobre

    Comentário por Rui Nobre — Janeiro 6, 2009 @ 12:03

  20. Zita “Foi Assim”
    “Agora”, é assim!!!!
    “Amanhã” será assim???????

    “Foi Assim”, que muitas vezes em adolescente me identificava ao ouvir na televisão a Zita, já adulta e que transmitia nessa altura com muita determinação e liderança o tipo de sociedade que desejava para o futuro do País. Discursos esses cheios de força, gritantes, mostrando-se sempre acérrima defensora dos Direitos Humanos, das Mulheres, dos explorados, dos oprimidos e dos mais desfavorecidos (agora pensamos: “será que como adulta ainda lhe faltava adquirir a consciência de classe?).

    “Agora” alia-se a quem nunca “deu a cara” na defesa desses direitos e inclusivé, muitas dessas personalidades fizeram parte do regime que sempre combateu (agora pensamos: “será que ainda lhe falta atingir algum topo na carreira política?) e com quem ainda não consigo identificar-me.

    Como lutadores da dignidade humana temos é que reprovar os crimes que são cometidos pela ganância do Homem provocando guerras e que foram cometidos pelo Estado Novo durante a Guerra Colonial, enviando milhares de jovens para o sofrimento e para a morte. E, aqueles combatentes que ainda hoje sofrem?.
    E, os lutadores pela liberdade, anti-fascistas amordaçados e mortos nas prisões por terem ideais diferentes?.

    “Agora” é “obra” a Zita ter que votar no parlamento a favor de uma proposta com o Bloco de Esquerda, PCP, PS e Verdes e a qual o seu partido votou contra (ou ainda será um resquício de dignidade?!!!) – A reprovação na Assembleia sobre a colocação de uma placa numa Praça Principal em Santa Comba Dão com o nome do ditador Salazar no dia das comemorações do 25 de Abril”.
    “Agora” talvez seja este o seu conceito de liberdade.
    No futuro, quantas mais propostas terá que votar diferente do seu partido a favor do seu novo ideal?????????.

    Sempre a subir na pirâmide da carreira política?!!!!!!

    - Chegou à clandestinidade como “Mulher-a-Dias”.
    - Chegou ao Comité Central do PCP como “Dona-de-Casa”.
    - Chegou ao PSD como “Secretária a tempo inteiro”.
    - E “Amanhã” vai chegar a 1ª Ministra como “Escrava do Poder Económico?????”

    O que lá vai…..lá vai……muda-se a cor do dinheiro….mudam-se as vontades.

    Talvez a crise esteja a afectar a sua identidade em vez dos “bolsos”, como está a acontecer a muitos portugueses, fruto de muitas políticas que agora tanto defende e com a mesma determinação de quando “Foi assim”.

    Quantas máscaras vai ter que usar até descobrir a sua verdadeira identidade???????
    Será que alguma vez vai saber qual é?

    Estes são os comentários duma cidadã comum da sociedade portuguesa que nunca pertenceu ao Partido Comunista mas que estará sempre com todos os partidos que continuam a lutar e a defender na prática, com consciência os ideais que “As portas que Abril abriu”, a Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

    Comentário por A. Abreu — Maio 13, 2009 @ 18:36

  21. De facto esta senhora deve ter um cérebro do tamanho do da galinha. Só ao fim de 22 anos de militante do Partido Comunista é que ela chegou a estas conclusões? É muito feio cuspir no prato que se comeu minha senhora. Para terminar gostava que a senhora desse a sua opinião sobre o actual estado do nosso país, em vez de andar a falar dos outros e diga-nos quem são os verdadeiros culpados do estado de fome e de miséria a que chegou o nosso povo. Não foram os comunistas pois não? Já agora os seus actuais amigos políticos não serão os mesmos que durante 50 anos nos mantiveram na ignorancia, pobreza e atraso?

    Comentário por Eduardo Magalhães — Junho 28, 2010 @ 00:13


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