O Insurgente

Julho 5, 2007

Para onde foram os eleitores lisboetas?

Filed under: Comentário,Política,Portugal — LA @ 10:48

Segundo as estatísticas apuradas na notícia citada abaixo, Lisboa continua a esvaziar-se de eleitores (menos 135.000 eleitores nos últimos dez anos, para um valor de 523.000 actualmente registados), consequência de ter menos residentes. Curiosamente, tem aumentado o número de candidatos disponíveis para presidir à CML que se multiplicam em visitas a instituições de apoio à 3ª idade, onde podem encontrar muitos dos ainda votantes.

Entre as preocupações que estes candidatos têm manifestado na campanha, há aquelas relacionadas com as largas centenas de milhares de pessoas que todos os dias entram na capital e onde acabam por passar a maior parte do dia, o que implica que lá passam também a maior parte da sua vida activa. Muitos deles, são descendentes de lisboetas mas tiveram de emigrar para Loures, Sintra, Oeiras, ou mesmo fazer a travessia do deserto, a caminho de Almada, Seixal, Alcochete, Palmela/Pinhal Novo ou até Setúbal. Porque emigraram? Porque compraram casas tão longe da sua cidade de origem? Porque se sujeitam às viagens diárias?

Pode-se chegar à conclusão que, um dia destes (se não já), estes “visitantes”, constituirão a maior parte ou uma parte muito significativa, dos utentes das infraestruturas (por exemplo, os arruamentos e trânsito, parques, consumos de água e electricidade, saneamento, ocupação urbana via espaços de actividade económica, ambiente) geridas pela CML e pelas empresas dela dependentes. Basta dar uma volta por algumas zonas centrais de Lisboa ao fim de semana e perceber que a ausênsia destas pessoas transforma a cidade num deserto (certamente, Mário Lino também sai de Lisboa ao fim de semana e nunca apreciou este fenómeno).
Que têm eles a dizer sobre a maneira como a cidade é gerida?

Por enquanto, estas centenas de milhares de imigrantes municipais (mais que os habitantes registados?) são encarados como uma infelicidade, uma chatisse diária, com que a CML tem de lidar e a quem os candidatos pouco mais têm a dizer do que lhes repetir, várias vezes, que não gostam dos seus carros.

DD:

Segundo dados da Administração Eleitoral (ex-STAPE) da Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI), em 1997 havia 658.700 eleitores no concelho, enquanto para as intercalares à câmara de Lisboa de dia 15 de Julho, cuja campanha começa sexta-feira, estão recenseados 523.302 [*] cidadãos.
(…)
Com cada vez menos eleitores, os que ficam são mais idosos – mais de metade dos recenseados (54,3 por cento) tem 50 anos ou mais, sendo o grupo etário mais numeroso o que tem idade superior a 65 anos (157.228).
(…)
Esta quebra no número de eleitores é consistente com a quebra na população: Lisboa perdeu, segundo o Censos, quase cem mil pessoas entre 1991 (663.394) e 2001 (564.657).

[*] – contas corrigidas porque erradamente escreveram 532.302

3 Comentários »

  1. O grande vazio está a avançar para o norte.

    Comentário por Migas — Julho 5, 2007 @ 13:46

  2. Migas,
    Por este andar, um dia haverão dromedários e camelos a descer o túnel do Marquês. Aí sim, o Zé vai ter razão: o túnel vai ficar cheio de “acidentes” resultantes da digestão dos ditos bichos…

    Comentário por LA — Julho 5, 2007 @ 14:27

  3. há muita gente que reside em lisboa e continua a votar na sua localidade de origem, seja ela setubal, montijo, evora ou qualquer outro sitio. usam-no quase como uma desculpa para voltar a casa.

    Comentário por toni — Julho 5, 2007 @ 14:50


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