O Insurgente

Julho 3, 2007

Os temores das almas sensíveis e o direito social ao quarto escuro

Filed under: Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 01:46

Ao reproduzir este texto, não era minha intenção tentar calar o maradona. Não só porque respeito todas as almas sensíveis, mas também porque se não fossem posts como este do maradona não teria oportunidade de ler comentários como este do HO:

Mas eu não quero calar ninguém, maradona. Ainda menos contribuir para empobrecer, depauperar ou empalidecer os fulgores de virilidades alheias – já basta o que basta.

Percebo os temores suscitados pelo eventual impacto dos textos da dra. Patrícia Lança nas inclinações lúbricas da juventude indígena. Roubar a lotaria ao pobre é cruel. São até enternecedoras, estas assustadas reacções. Embora me pareça ser o voto no Zé, com maior ou menor firmeza, solução mais eficaz e definitiva. Consagrando, sei lá, o direito social ao quarto escuro do bric (urbanidade oblige), já não teriam de se preocupar com as totalitárias arengas dos retrógados. Parece-me bem.

E quanto a estalinismos, larvares ou maduros, recomendo a Paglia, que nem é, mas já foi, santinha da minha devoção. Há na FNAC, publicada por uma editora que não é penguin nem a vintage, escreve sobre fellatios e encontra-se um artigo intitulado «estalinismo gay».

Mais a sério, para o anónimo das 12:11: o artigo não é sobre a personalidade proposta? Estou capaz de jurar que sim; principalmente depois de reler os primeiros sete parágrafos. Como o são o meu comentário e o da fuckitt – o dela com primazia cronológica. E isso deixou-me aborrecido, não a primazia mas o comentário: o pobre senhor é portador de ideias inconcebíveis, viciado no erro científico, despido de méritos, divulga o ódio contra pacatos privados e tudo isso recomenda que lhe seja recusada a teta prebentária do estado – não vá ele agrilhoar os libertos à tortura da abstinência. Se calhar, estou a ser um bocado mariquinhas, mas gostava de perceber como é que descobriram isso tudo. Há um artigo, dizem; de tão evocado já parece o Ceilão do Eça. Mas ainda ninguém apontou um singular erro, um, unzinho, que se respigue dessas frases criminosas. É de aventar que o problema do artigo é o autor ser cardiologista? Ou não trazer valor acrescentado para a discussão – o que passou pela cabeça do Bush ao nomear um improdutivo desse jaez? Sem botões de rosa é assim: o homem é mau porque papa umas missas. Não é? Como quem diz: «O que o desqualifica, sobretudo, é ele ser um membro distinto da Igreja Metodista». Pois.

6 Comentários »

  1. O Maradona para ter piada não precisa de se esforçar. Tem mais piada a dormir do que os seus comentadores. Dito isto, é sempre um prazer ler os textos do HO. Uma pessoa depara-se sempre com uma línguagem morta que ele faz bem em ressuscitar. Já quanto à erudição é, por vezes, um pouco deslocada, mas, sem dúvida, impressionante.

    Comentário por José Barros — Julho 3, 2007 @ 02:30

  2. hhmmm, com licença, a Drª Paglia manda dizer que agradece a publicidade ao seu livro, mas que agradeceria também que não a associassem às teses, por assim dizer, da drª Patricia Lança. As pessoas que se dizem contra o “estalinismo gay”, como a própria Drª Paglia, não constituem exactamente uma comunidade fraterna, se é que me faço entender… Mais aproveita a drª Paglia para advertir que as pessoas podem comprar o seu livro à vontade, que em parte alguma do mesmo diz coisas parecidas com “o jovem homossexual de 20 anos de idade tem só 50 por cento de possibilidades de chegar além dos quarenta anos”, ou “sabemos muito bem que o sistema digestivo, ingestão e excreção, não deve ser confundido com o sistema generativo” ou “para as pessoas com uma sensibilidade normal sodomia e excremento são inseparáveis”. A Drª Paglia recomenda ainda juizinho e pede que não a exponham ao ridiculo. Cumprimentos e felicidades.

    p.s. manda ainda a Drª Paglia dizer que o HO é um óptimo public relations.

    Comentário por Agente da Drª Paglia — Julho 3, 2007 @ 10:38

  3. Será a altura de lembrar a existência da desse paraíso anti sodomita e pró poligamia chamado Utah.
    E está cheio de Mórmons.
    É só vantagens !

    Comentário por toni — Julho 3, 2007 @ 11:43

  4. Sr. Agente,

    Eu temo pelo seu futuro profissional.

    Primo, porque parece alheado do que se escreve sobre a sua cliente. Eu cuidei de ressalvar as divergências fundamentais entre as teses da sua cliente e da Patrícia Lança – e especifiquei o que há de análogo.

    Doppo, porque parece desconhecer o que escreve a sua cliente, herself. Não ando com os livros da Dra. debaixo do braço, mas já cá voltarei.

    Comentário por HO — Julho 5, 2007 @ 18:07

  5. Devo dizer-lhe que tenho pouco ou nenhum interesse pelos aspectos deste assunto que mais parecem agitar os espíritos, e são, para mim, bem mais importantes e gravosas as confusões que se vão fazendo entre moral e direito, indiferentismo e civilidade, pluralismo e relativismo, aceitação e tolerância, etc. Por isso, reproduzo algumas palavras da sua cliente sem que isto implique algum tipo de endorsment ou desaprovação. Permita-me, no entanto, sublinhar as últimas quatro frases do segundo parágrafo:

    «A homossexualidade não é normal. Ao contrário, é um desafio à norma; nisso reside o seu carácter eternamente revolucionário. Notem que não estou aqui a falar de um desafio à “ideia” de uma norma. Teóricos duvidosos – um ressequido grupo de “pendruas” – tentaram agarrar-se ao bordão pós-estruturalista que reivindica que não há norma, pois tudo é relativo e contingente. Esse é o tipo de esparrela em que caem os obcecados pela palavra quando são cegos, surdos e mudos para o mundo exterior. A natureza existe, quer os académicos queiram, quer não. E a procriação é a regra única e implacável da natureza. Essa é a norma. Os nossos corpos sexuais são concebidos para a reprodução. O pénis encaixa na vagina: nenhum ardiloso jogo de palavras pode alterar esse facto biológico.(…)

    Dado o intenso surto hormonal da puberdade, a total ausência de desejo heterossexual adulto não é nem normal, nem natura e requer explicação. Os activistas gays são culpados de estalinismo quando afirma que a homossexualidade não é diferente da heterossexualidade, sendo-lhe equivalente, e que ânus e vagina poeriam substituir-se um ao outro, não fosse o nosso condicionamento público em contrário. A tolerância em relação ao comportamento discordante, que reivindico, não significa necessariamente aprovação pela sociedade. Pagãos e judaico-cristãos nunca estarão, nem deveriam estar, de acordo. A reprovação não é «ignorância» ou «fanatismo» – cansativos argumentos que servem de muleta aos activistas gays – quando é motivada por princípios. De igual modo, há questões médicas pertinentes sobre a segurança do sexo anal, que provoca rupturas no recto, ainda que, em minha opinião, tais questões pertençam à esfera privada, estando portanto fora do controlo governamental.»

    Comentário por HO — Julho 5, 2007 @ 18:22

  6. Do ensaio “Não há lei na arena: Uma teoria pagão da sexualidade”, escrito em 1994, três anos depois do obscurantista artigo do célebre divulgador de ódio contra pacatos, o Dr. Holsinger.

    Comentário por HO — Julho 5, 2007 @ 18:24


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