O Insurgente

Julho 2, 2007

Quando a ciência é politicamente incorrecta

Arquivado como: Ambiente, Política, Religião — antoniocostaamaral @ 7:52 pm

All done with passive smoke and mirrors” de Christopher Booker no Telegraph:

In 1998 and 2003 came the results of by far the biggest studies of passive smoking ever carried out. One was conducted by the International Agency for Research on Cancer, part of the World Health Organisation. The other, run by Prof James Enstrom and Geoffrey Kabat for the American Cancer Society, was a mammoth 40-year-long study of 35,000 non-smokers living with smokers. In each case, when the sponsors saw the results they were horrified. The evidence inescapably showed that passive smoking posed no significant risk. This confirmed Sir Richard Doll’s own comment in 2001: “The effects of other people’s smoking in my presence is so small it doesn’t worry me”.

In each case, the sponsors tried to suppress the results, which were only with difficulty made public (the fact that Enstrom and Kabat, both non-smokers, could only get their results published with help from the tobacco industry was inevitably used to discredit them, even though all their research had been financed by the anti-tobacco cancer charity).

Passive smoking” da Forest:

Professor Doll’s comments may surprise some people but not those who have analysed the argument about passive smoking in detail …. This is because the risk of a non-smoker getting lung cancer has been estimated at 0.01%. According to WHO, non-smokers are subjecting themselves to an increased risk of 16-17% if they consistently breathe other people’s tobacco smoke. This may sound alarming, but an increase of 16-17% on 0.01 is so small that, in most people’s eyes, it is no risk at all.

12 Comentários »

  1. [the risk of a non-smoker getting lung cancer has been estimated at 0.01%]

    Ou seja 100.000 em cada mil milhões de não fumadores apanham o cancro. Mais 16% serão apenas mais 16.000 cancros por bilião de pessoas. Perfeitamente aceitável.

    Comentário por Luís Oliveira — Julho 2, 2007 @ 8:14 pm

  2. Isso não muda nada. O cheiro do tabaco e o incómodo que provoca são mais do que suficientes para que uma pessoa recuse a companhia de alguém que fume num local público, partilhar um banco de jardim por exemplo. (note-se que para mim um café não é um local público).

    Comentário por lucklucky — Julho 2, 2007 @ 8:34 pm

  3. Existem vários outros estudos que relatam um risco relativo de 1,50 ou seja mais 50% de hipoteses de cancro do pulmão quando se é fumador passivo! O que prova que o fumador passivo está exposto aos malefifícios do tabaco, logo, sob risco aumentado para todas as outras doenças ligadas ao tabaco - Enfarte do miocárdio, AVC, Fibrose Pulmonar,…

    Comentário por ricardo — Julho 2, 2007 @ 9:21 pm

  4. [Existem vários outros estudos que relatam um risco relativo de 1,50 ou seja mais 50% de hipoteses de cancro do pulmão quando se é fumador passivo]

    Umas meras 50.000 pessoas em 1.000.000.000. Tenha juízo!

    Comentário por Luís Oliveira — Julho 2, 2007 @ 9:45 pm

  5. “Breathing secondhand smoke (SHS) causes heart disease and lung cancer in adults and increased risks for sudden infant death syndrome, acute respiratory infections, middle-ear disease, worsened asthma, respiratory symptoms, and slowed lung growth in children.” Artigo do CDC - MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2007 May 25;56(20):497-500.

    “The meta-analysis indicated a 24% increase in lung cancer risk (relative risk [RR]=1.24; 95% confidence interval [CI]=1.18, 1.29) among workers exposed to environmental tobacco smoke. A 2-fold increased risk (RR=2.01; 95% CI=1.33, 2.60) was observed for workers classified as being highly exposed to environmental tobacco smoke” in Am J Public Health. 2007 Mar;97(3):545-51. Epub 2007 Jan 31

    2 artigos recentes em publicações de referência por entidades de referência.

    Comentário por ricardo — Julho 2, 2007 @ 10:46 pm

  6. an increase of 16-17% on 0.01 is so small that, in most people’s eyes, it is no risk at all.

    Tenho a certeza que haverá muito mais probabilidades de contrair outras doenças, ou ter outros acidentes; tenho a certeza que outros comportamentos aumentam tais probabilidades em proporções semelhantes.

    Mas o que aqui conta é que um risco acrescido de um infinitésimo é, na prática, um infinitésimo - de ordem tal que devia ser deixado à sociedade como lidar com ele.

    Contudo, aos olhos de um colectivista, o que interessa é um qualquer integral impressionante que alimente o seu poder e o fanatismo de alguns detentores da verdade (basta ver como foram rápidos os nossos comentadores a fazer a multiplicação, independentemente de quaisquer outras considerações).

    Qualquer fenómeno que apresente risco e que normalmente motivaria adaptações de comportamentos torna-se então uma horrível fatalidade social, que “exige” o mais puro dos fascismos para corrigir.

    Comentário por AA — Julho 3, 2007 @ 9:40 am

  7. Caro AA,

    1% x 16% pode ser uma percentagem pequena, mas não é um número pequeno quando se refere a uma população de biliões.

    Garanto-lhe que abomino o colectivismo e a engenharia social tanto como você. Mas este argumento é falacioso, lamento.

    A sua referência a integrais e infinitésimos (0.01 não é um infinitésimo, é… 0.01) não tem nexo nehum. Estamos a falar de uma simples multiplicação, o que tem o cálculo diferencial a ver com isto?

    Comentário por Luís Oliveira — Julho 3, 2007 @ 12:26 pm

  8. Caro LO,

    Seria mais “cálculo integral”. A partir de uma distribuição contínua de probabilidades (a população é um contínuo, não esqueçamos) é necessário uma integração para obter o valor esperado numa determinada população - e não uma simples multiplicação. Claro que o resultado numérico é o mesmo se partirmos da média — calculada como? por integração.

    Quanto a noção de infinitésimo, usei na forma corrente - “na prática, extremamente pequeno” - tem razão, eu devia ter usado com aspas, para não induzir em erro. Se não concorda que 0,01% (e não 0,01 = 1%) é um “infinitésimo”, só me dá razão - temos valorações diferentes; porque razão devem políticos e burocratas tomar as nossas decisões.

    Mas adiante, que não interessa aos nossos leitores andarmos a puxar galões da nossa formação matemática…

    Quanto ao meu argumento, responder tout-court que é falacioso não o refuta. Riscos “infinitesimais” individuais não justificam medidas colectivistas universais, em nome do bem dos indivíduos, ou do colectivo - por muito que o integral seja impressionante.

    Comentário por AA — Julho 3, 2007 @ 2:58 pm

  9. “Riscos “infinitesimais” individuais não justificam medidas colectivistas universais, em nome do bem dos indivíduos, ou do colectivo”

    Concordo plenamente, desde que o risco seja assumido estritamente individualmente, o que acontece quando entro num bar, numa discoteca, num restaurante… Aí o estado não tem que impor regras “no smoking”, uma vez que frequência do estabelecimento é livre. Mas não aceito, por exemplo, que o funcionário que me atende numa repartição pública se ponha a fumar para cima de mim, por mais pequeno que seja o risco. Nem é pelo risco de cancro, é porque fico com os olhos e a garganta irritados, e odeio o cheiro que fica na roupa, efeitos que não desejei nem escolhi.

    Alguém consideraria 10.000 um número pequeno? No entanto, é apenas 0,000.001% de um trilião (se não me enganei nas contas). Disfarçar a grandeza de um número numa percentagem é uma falácia argumentativa, não concorda?

    Comentário por Luís Oliveira — Julho 3, 2007 @ 4:01 pm

  10. [calculada como? por integração]

    A suspeita que eu tenho é que os valores nestes estudos são na sua maioria calculados por “bitaitação”…

    Comentário por Luís Oliveira — Julho 3, 2007 @ 4:13 pm

  11. [...] dos riscos depende da relação das condutas subjacentes com os dogmas do politicamente correcto: Quando a ciência é politicamente incorrecta. Por [...]

    Pingback por blogue atlântico » Blog Archive » Comportamentos de risco e dogmas do politicamente correcto — Julho 3, 2007 @ 6:29 pm

  12. Mas não aceito, por exemplo, que o funcionário que me atende numa repartição pública se ponha a fumar para cima de mim

    Concordo integralmente que em serviços estatais o regime de fumo seja determinado de acordo com regras politicamente correctas (sem aspas).

    Disfarçar a grandeza de um número numa percentagem é uma falácia argumentativa, não concorda?

    Concordo. Não é o caso. O número aqui é 0.0001 mais trocos menos trocos, e corresponde à probabilidade de uma pessoa não-fumadora morrer com cancro do pulmão (resta saber em que idade, mas dada a ordem de grandeza, é relativamente indiferente).

    A falácia está em multiplicá-lo por um muito maior para que pareça significativo, e para que justifique “acção” completamente alheada da intensidade do tal “problema social”.

    Um dos instrumentos favoritos do nannystatismo. “Tal coisa pode fazer mal”. “Num agregado de milhões, estima-se que tantos sofram relacionado com tal coisa”. “O sofrimento individual é um problema de saúde pública; a vida não tem preço”. “Obedecei”.

    Comentário por AA — Julho 3, 2007 @ 7:30 pm

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