O Insurgente

Maio 31, 2007

O caso contra Ron Paul

Filed under: Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 01:13

Comentário do leitor HO a este post (é longo mas vale a pena fazer o esforço de ler até ao fim, nem que seja para poder discordar com conhecimento de causa):

Os apoiantes de Ron Paul na América são um bom ponto de partida – pode não ser sempre justo avaliar um político pelas paixões que suscita, mas não é exercício inútil. Sempre existiu uma margem de libertários americanos, desde os liceais objectivistas ou os causídicos das John Birchs que nunca aceitaram bem a derrota no que o Buckley chamou a “battle for the soul of the GOP” dos anos 60, nem a aliança com os dixiecrats, os anarco-capitalistas mais furiosos e o seres pantanosos que resultaram do lado negro do fusionismo (não por acaso, a maioria das críticas ao Meyer vieram precisamente de libertários) que não só nunca estiveram no GOP – na Great Coalition começada a construir por Goldwater -, como estiveram quase sempre contra ela, incluindo nos anos Reagan. A estes “Chirping Sectaries” (qualquer dicussão sobre Paul deveria começar com uma leitura deste artigo: http://emp.byui.edu/DavisR/202/Libertarians.htm), juntam-se os modernos thecno-libertarians e, por razões diferentes, mas também infectadas pelo ressentimento, algumas franjas do paleoconservadorismo. Recorrendo uma vez mais a Kirk, uma “ideological clique” – um grupúsculo extremamente activo e frenético, principalmente, ou quase exclusivamente, na internet, que faz um ruído dos diabos, completamente desproporcional em relação à importância que tem, atirando impenitentemente clichés mais ou menos etéreos sobre o textualismo constitucional ou de como estado e estatismo são conceitos indiferenciáveis (ou, nos casos mais ilustrados, na inutilidade de qualquer acção sem fundamentos praxeológicos) e vendo conspirações em todo o lado.

Há algumas posições de Paul que são boas, mas não são originais (no sentido de particularmente distinguíveis das dos outros candidatos) – aborto, state-rights, gun-control; outras que são originais (no mesmo contexto), mas que nem vale a pena ter em conta, tal a dose de nefelibatismo que as infecta – mesmo que, por absurdo, fosse eleito presidente, ninguém de bom senso acredita que desmantelasse o Fed, que recuperasse o padrão ouro, que legalizasse o tráfico de drogas e tóxicos, que extinguisse a secretaria de estado, a NSA, a NASA, o FBI ou o DoI – outras, como a interpretação constitucional, que são cada vez mais originais provavelmente por serem cada vez menos boas. Não creio que discutir estes assuntos fosse particularmente interessante no âmbito das primárias republicanas – para a esmagadora maioria dos americanos soaria a coisa de lunáticos. Reconheça-se, no entanto, uma ideia boa e original – mandou o Giualini ler um livro. Sobra, para já, a política externa.

Muito do sucesso (salvo seja, do relativo high-profile que atingiu) de Paul deve-se a ocupar o espaço que nestas primárias pertenceria, naturalmente, a Chuck Hagel – e se este fosse candidato, a campanha de Paul não teriam um décimo do relevo que, malgré tout, tem tido. Apesar de outros candidatos, como McCain, terem sido críticos da condução da guerra pela administração desde o início (e foi criticado neste blog por criticar a administração Bush na guerra), a posição de Paul é exponencialmente mais fácil de entender, podendo ser transmitida com meia dúzia de slogans- Yankees go home -, ao passo que a de outros exige algum esforço e atenção. São as vantagens da ideologia, e de quem se recusa a lidar com a realidade conforme ela é…Quando a situação no Iraque é a que sabemos, é natural que este tipo de prédica acabe por atrair algumas atenções. Depois, o tal grupo de fanáticos vai alicerçando um discurso sectário numa lógica de “nós contra todos”.

Parece-me que quanto às propostas de Paul na política externa, já se escreveu o suficiente e a minha opinião sobre o assunto está num comentário ali para baixo. Ora, eu não julgo que na discussão de ideias o aforismo “os inimigos dos meus inimigos são meus amigos” faça algum sentido – e não acredito que o AAAlves não concorde comigo neste aspecto (adicionalmente, também é cómico ver objectivistas “why shall we keep civilian casualities at minimun?” randianos a apoiá-las). Se influenciam o debate, é no mau sentido, criando um artificialismo que o coloca em dois extremos simplistas. A mim, parece-me que o endorsment ou o apreço por elas vindo de alguns bloggers liberais obriga a grandes contorcionismos em relação ao que têm defendido nos últimos anos – bastará uma rápida consulta aos arquivos dos blogues. Contudo, é verdade que não posso fazer um juízo das motivações ou inconsistências dessas mudanças com um mínimo de honestidade intelectual; nem me parece ser assunto de interesse. Porém, deve ficar claro que as teses defendidas apenas foram dominantes, na condução da República durante o último século, num curto período a seguir à Grande Guerra (e, em boa parte, com fundamentos diferentes). O que Paul propõe não é somente (nem essencialmente) um afastamento das visões idealistas, wilsonianas (duras ou moles) que, arguivelmente, têm sido o motor da política externa americana nos últimos anos. Não é um regresso à política de Reagan, ao realismo acomodado de Kissinger, ou ao cooperativismo liberal; tampouco uma variante mais prudente de qualquer delas. É uma completa retroversão, de princípio e não prudencial, às tradições americanas nesta sede nas últimas décadas. Não é um “isolacionismo realista” mas um “isolacionismo ideológico”. E o mundo mudou muito desde o final dos anos 10. A colagem de Paul à Old Right deve ser vista com cautelas: “America First” não é sinónimo de “Blame America First” – e Paul disse o que disse e não o que a Fox diz que ele disse, certo: o problema é que o que ele disse a realidade não confirma. E também deve ficar claro que Paul não é um jeffersoniano, mas um jacksoniano, tendencialmente nativista (como adiante se verá). E que estas discussões conceptuais acabam por ter depois uma tradução bem prática: em dólares, em programas de cooperação militar, em opções na política de defesa e de alianças. E, finalmente, que os republicanos já nomearam recentemente um candidato com inclinações isolacionistas, que afirmava que o papel do exército americano era defender o território e não andar a praticar o nation-building por esse mundo fora. Foi eleito presidente há 6 anos. O exercício do poder é bastante mais permeável à realidade que a prática da ideologia…
Mas quem também foi eleito, e há mais anos, foi Ron Paul – tem andado pelo Congresso há uns 30. E, até pelas críticas desconfiadas que, para ir buscar um exemplo recente, sofreu a Ala Liberal de Pires de Lima, ninguém aceitará que deveremos fazer uma tabula rasa do que Paul efectivamente é enquanto político e legislador.

Eu sou extremamente céptico em relação às qualidades do papel desempenhado pelos Political Advocacy Groups e pelos think-tanks na vida política americana hoje em dia: vejo os primeiros transformados em instrumentos de facções, com uma capacidade de influência desmesurada e negativa, e os segundos em meras caixas de ressonância dos partidos e dos financiadores (estando aqueles, para mais, transformados em meras caixas de ressonância do líder do momento). Mas continuam a fazer algo de muito útil: a publicação de ratings, nos quais apreciam, a partir daquilo que são os seus interesses – e de heurísticas construídas a partir daí -, o voting record dos legisladores. É um critério esmagadoramente objectivo e quantitativo, em que eventuais defeitos de modelagem podem ser ultrapassados se utilizarmos um número elevado de indicadores. E é um instrumento de análise muito útil num mundo em que é cada vez mais complexo avaliar a perfomance dos políticos – em especial dos legisladores -, considerados individualmente para um observador externo.
Paul tem sido apresentado pelos seus apoiantes como um David Crocket contemporâneo – “Not yours to give”. Abundam as tiradas grandiloquentes e demagógicas sobre como “Paul votou sempre contra aumentos de impostos”, “Paul quer reduzir o governo ao que era no tempo dos Founding Fathers”, “Paul votou sempre contra os aumentos dos gastos do governo”, “Com Paul não existiram impostos”. E é verdade que acreditam sinceramente no que dizem. Eu disputo isto; e recorro à tese de que um político deve ser avaliado mais pelos actos do que pelas declarações de intenções e ao instrumento da avaliação do voting record, que me parece mais fiável que os frequentemente demagógicos position issues.

Vejamos a questão dos impostos. Interessa fazer aqui um ponto prévio: o verdadeiro peso dos impostos avalia-se pelos gastos do governo, não pelas taxas ou estruturação fiscal em cada momento. Um dos pontos fracos de Paul é precisamente o de continuar com um discurso demasiado preso à ideia peregrina do “starve the beast”, que explica bem os sucessivos fracassos dos republicanos em reformar o governo durante os últimos 30 anos. Ainda assim, o mais influente interest group na área, a American for Taxes Reform ( http://www.atr.org/ ATR believes in a system in which taxes are simpler, fairer, flatter, more visible, and lower than they are today. The government’s power to control one’s life derives from its power to tax. ATR believes that power should be minimized), atribui a Paul um rating de 42% em 2005 (utilizarei sempre o último rating publicado, ou, quando as organizações a usem como indicador, uma média flutuante ou um life-time rating). Em comparação, McCain tem 90%. Como o AA costuma vir nesta altura com uma conversa, da qual ainda não percebi o alcance, sobre o Senado não ter nesta área poderes de iniciativa, podemos comparar com outros congressistas republicanos candidatos: o Duncan Hunter tem 88%, o Tom Tancredo também. E foi o Taxpayer Protection Pledge da ATR que Ron Paul assinou, com gala e foguetório. Outros, apesar do superior histórico, não o fizeram. Na realidade os 42% de Paul são o mais baixo de todos os congressistas americanos; e o seu life-time rating, o mais baixo de todos os candidatos às primárias republicanas que já foram legisladores (71% contra 83% do Thompson). Podemos também analisar o rating da FreedomWorks ( freedomworks.org FreedomWorks fights for lower taxes, less government and more economic freedom for all Americans). Neste Ron Paul sobe para os 59% – contra 75% de McCain ou os 71% de Tancredo. É, uma vez mais, um dos republicanos com pior classificação. “The Taxpayers’ Best Friend”? Bem, não é exactamente essa a opinião deles…

Mas mais importante é analisar da perspectiva dos gastos do governo. A Citizens Against Government Waste ( cagw.org is a private, non-partisan, non-profit organization representing more than one million members and supporters nationwide. CAGW’s mission is to eliminate waste, mismanagement, and inefficiency in the federal government) atribui-lhe um rating de 69%. É, a meu ver, o mais sintomático dos elementos que possa aduzir; e uma vez mais, Paul será dos congressistas republicanos com pior rating (excluam-se os das costas). McCain tem 91%, Tancredo 88%, Brownback 79%.

Assim, não espanta que no rating do National Journal – Liberal on Economic Policy (liberal no sentido americano, entenda-se), Ron Paul seja um dos poucos republicanos com nota positiva – 54% (o indíce é ligiramente diferente: According to the National Journal – Liberal on Economic Policy’s calculations, in 2005, Representative Paul voted more liberal on economic policy issues than 54 percent of the Representatives.) E o ADA ( adaction.org is America’s oldest independent liberal lobbying organization. In the spirit of the New Deal and ADA founders Eleanor Roosevelt, renowned economist John Kenneth Galbraith, and former Senator and Vice President Hubert Humphrey ADA lobbies through coalition partnerships, through direct advocacy, and through the media – atente-se bem nas referências), dá-lhe 40% (McCain e Hunter têm 10, Browback e Tancredo 5; há montes de republicanos corridos a 0% e quase nenhuns com mais de 15).

Se Paul, afinal, não é muito enérgico na contenção de gastos do governo federal, é provável que alguém goste dele. E, mais uma vez, os números dos interest groups, que os coligem para que os seus filiados votem nos representantes que são mais simpáticos aos seus interesses, independentemente de numa perspectiva económica estes serem recomendáveis ou não, confirmam isso mesmo: A National Association of Wheat Growers (http://www.wheatworld.org/) dá 40% a Paul, contra 33% a McCain. A American Farm Bureau Federation ( fb.org ), atribui-lhe o estatuto de “friend” (e claro que não a McCain, um dos maiores críticos da política de subsídios agrícolas). A National Stone, Sand & Gravel Association ( nssga.org ), coloca-o com 56% (contra os 15% de McCain). E, claro, a National Association of Government Contractors, para a qual quase todos os democratas têm 100%, atribui a Paul uma das notas mais elevadas entre todos os congressistas republicanos: 67%. Como, de resto, a Alliance for Retired Americans ( retiredamericans.org), que defende a segurança social estatizada, um assunto caro aqui à casa: 63%, contra os 20 de McCain ou os 0 de Hunter. Muito sintomático.

Mas, os problemas mais prementes (ia escrever maiores, mas os anteriores já me parecem suficientemente graves), estão, quanto a mim, noutras áreas, até por serem de maior relevo para os portugueses: imigração, comércio livre e globalização.

Quanto à primeira: naturalmente, tem um rating de 100% na FAIR. A posição de Paul sobre a actual reforma da lei da imigração deveria desgostar qualquer liberal. O CATO, de onde surgem inúmeros apoios a Ron Paul, tem simultaneamente apoiado a bill, mesmo achando-a excessivamente proteccionista. Citando-o, nesta matéria: “immigrants simply increase the supply of labor in a community, which lowers wages”. As soluções são angustiantes: a adesão estrita aos jus sanguinis e a deportação de 12 milhões de pessoas, uma coisa absurda e inexequível (it’s the economy, stupid). E depois queixam-se os apoiantes de Paul de que ninguém quer discutir ideias com eles, e que lhes chamam lunáticos para o evitar – ora, é mesmo isso que eles são. Para lá de ser no mínimo estranho ver as mesmas pessoas defenderem, num dia, que o problema da imigração ilegal é o “ilegal” e, no seguinte, defenderem deportações em massa, muros mais altos e o diabo a sete. Para citar um austríaco conservador e liberal nesta matéria: “America is built on a voluntaristic basis. To be an American is frequently not an accident but a matter of choice and free decision. It means conscious assimilation and amalgamation. The word Americanism is not without real significance” (Kuehnelt-Leddihn). Agora, deve passar a ser uma questão de ter os pais certos…

Na questão do free-trade: o CATO também publica uns ratings – “the mission of the Cato Institute Center for Trade Policy Studies is to increase public understanding of the benefits of free trade and the costs of protectionism”. Infelizmente, não lhes dão muita atenção: o big government McCain atinge 82%, o campeão liberal Ron Paul, 64%. Um indicador mais completo é o da USA*Engage ( usaengage.org – USA*ENGAGE has lead a campaign to inform policy-makers, opinion-leaders, and the public about the counterproductive nature of unilateral sanctions, the importance of exports and overseas investment for American competitiveness and jobs. USA*ENGAGE promotes responsible alternatives to sanctions that actually advance US humanitarian and foreign policy goals, such as intensified US diplomacy and multilateral cooperation). As notas são de A a F: McCain tem um A, Brownback um B, Ron Paul um… C. Jeffersoniano, hum?

Mas isto não admira: Paul tem sido um feroz opositor de quaisquer acordos de comércio que levem à diminuição e eliminação de tarifas, seja a CAFTA, a NAFTA, ou meros acordos bi-laterais, e defende a saída da OMC, que, com muitos defeitos, é uma das poucas organizações globais cuja acção tem atingido alguns objectivos positivos. É claro que depois envolve tudo em grandiloquências contra as restrições. Mas isto prova que Paul é, na realidade, mais um isolacionista, que provavelmente levaria os EUA a um fechamento e a globalização económica a um recuo (e muita gente de regresso à pobreza) do que um não-intervencionista em termos militares.A propos, um pequeno regresso à política externa – um dos ratings de 100% que é atribuído a Ron Paul é do CAIR – http://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_the_Council_on_American-Islamic_Relations – organização que já mereceu várias críticas violentas por estes lados.

É claro que Paul obtém outros excelentes ratings – a John Birch Society atribui-lhe sempre 100% (quem conhece, sabe o que isto vale; eu, aos olhos de quase toda a gente um radicalíssimo conservador, fui uma vez a uma reunião John Birch e senti o mesmo que Woody Allen nos concertos rock). Mas, analisando os ratings compósitos mais considerados entre os conservadores, nomeadamente o da ACU ( acuratings.org ), veremos que Paul fica muito abaixo da restante concorrência republicana.

A meu ver, Paul é, nestas eleições, um Buchanan ultra-light, colocando menos enfâse no transcendente e no tradicionalismo (o que aquele tinha de mais interessante) e transferindo-o para o textualismo e para o libertarianismo ideológico, tudo isto num estilo infinitamente mais… loony. É verdade que, com o sacrifício da sofisticação e da robustez intelectual, o discurso directo, esquemático, quase primitivista de Paul acaba por soar mavioso aos ouvidos de muitos. Eu não vejo é como liberais ou conservadores europeus, que certamente não sofrem de nenhuma birra freudiana contra o GOP ou os conservadores americanos, se possam deixar seduzir por isto. Ron Paul is no David Crocket – ele não diz “Not Yours to Give”, mas sim “Not Yours to Take… but, ok, give ti anyway”.

As motivações dos seus apoiantes nos EUA já Russel Kirk as identificou há décadas: é gente tão ideológica que a realidade é a parte da vida que menos lhes interessa – querem lá saber do que faz Paul se ele diz aqueles delírios que os fazem salivar e até aparece na televisão nacional; porque ordem de razões podem os liberais portugueses gostar de um dos mais social-democratas legisladores republicanos, adversário da globalização e do comércio livre, já me escapa (excepto se for por simpatias metodológicas..). Bem, perdi umas duas horas a escrever isto, e está tão palavroso que provavelmente ninguém o lerá até ao fim, mas creio que apresento um caso bastante sólido contra o obstreta texano.

15 Comentários »

  1. Eu li :) só discordo da Imigração. A imigração “latina” nos EUA é cada vez mais assertiva na recusa da America e virão daí grandes problemas no futuro, porque muitos não se consideram Americanos como quem chega/ou de 3000km de distância . Na minha opinião é uma dos grandes problemas no futuro dos EUA. Se querem um exemplo do ambiente é ver a recepcção que a candidata Americana a Miss Universo teve no México. E quer esses problemas comecem na Europa ou nos EUA corre-se o risco de aparecerem movimentos separatistas como cogumelos.

    Comentário por lucklucky — Maio 31, 2007 @ 02:19

  2. Eu discordo em várias coisas e concordo em várias outras mas não tenho tempo para tudo. Vou ver se escrevo sobre uma ou duas coisas não relacionadas com o Ron Paul.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 31, 2007 @ 02:22

  3. HO

    Vai-me desculpar, mas esses ratings que cita são um pouco ridiculos como se quisesse provar:

    - que não é assim tão contra impostos como dizem
    - não é assim tão contra a diminuição de despesa como dizem

    Quem é que está defesazado da realidade quando avalia Ron Paul por tais ratings óbviamente mal feitos. Ron Pau

    Qunato a Ron Paul ser “isolacionista” económico e contra a globalização…porque é contra a Nafta e outras organizações internacionais,… e por isso seria contra a “globalização” económica:

    O HO tem mesmo de rever esses conceitos que tem como seguros. È relativamente fácil provar que essas organizações o que fazem é sob a capa do “Comercio Livre” introduzir toda uma carga de regulamentação pesada.

    Se queremos Comercio Livre só é necessário abrir as fronteiras à circulação de produtos.

    È isso que Ron Paul defende. Ron não é um Buchanan light porque não é um conservador à Buchanan na parte económica já que não acredita em nenhuma forma de proteccionismo.

    Quanto à ONU, é sempre engraçado vermos uma imensa população a criticar a ONU disto e mais aquilo e mais isto e mais aquilo (à la Ann Coulter) mas depois não são capazes de “pull the trigger”.

    Muito tipico dos NeoCons. Quie querem tudo e não querem nada. Queremm ser unilateralistas e serem internacionalistas ao mesmo tempo. È assim tipo, “eu até gostaria de um governo mundial se forem os EUA a mandar nele”.

    O preço da ONU foi a vitória da Estaline na “WWII”. È essa a génese da ONU.

    Cuja primeira experiência pelo seu mentor de Roosevelt – Wilson – também ao perseguir o seu ideal de uma “Liga das Nações” acabou por destruir toda uma velha civilização e trazer o caos do século 20.

    Quanto à imigração não se percebe bem o que o HO diz. Ron é por medidas restritivas.

    Desde quando é que um “liberal” tem de defender a completa aberta de fronteiras a imigrantes?

    Comentário por CN — Maio 31, 2007 @ 08:32

  4. “Sorry” pelos erros, mas é a pressa em escrever uma resposta e o pouco tempo.

    Comentário por CN — Maio 31, 2007 @ 08:38

  5. HO

    Um alerta… Ron Paul sabe mais, muito mais, do que parece aparentar em pequenos discursos telegráficos (ainda assim notáveis) em debates “mainstream”. Já os outros candidatos, aparentam saber até menos do que aquilo que tentam fazer passar.

    Um conselho: não menosprezar o fenómeno Ron Paul.

    Este trecho demonstra como está longe de perceber as posições de Ron Paul, coisa bem fácil de ficar a saber uma vez que tem
    uma enorme produção de textos acessivel.

    Congressman Ron Paul: Archives. Nada mais nada menos que 389 textos.
    http://www.lewrockwell.com/paul/paul-arch.html

    Assim, posso assegurar que não é errado, muito errado o que aqui (assim como nos impostos e na descida de despesas, etc) está dito.

    “Mas isto não admira: Paul tem sido um feroz opositor de quaisquer acordos de comércio que levem à diminuição e eliminação de tarifas, seja a CAFTA, a NAFTA, ou meros acordos bi-laterais, e defende a saída da OMC, que, com muitos defeitos, é uma das poucas organizações globais cuja acção tem atingido alguns objectivos positivos. É claro que depois envolve tudo em grandiloquências contra as restrições. Mas isto prova que Paul é, na realidade, mais um isolacionista, que provavelmente levaria os EUA a um fechamento e a globalização económica a um recuo (e muita gente de regresso à pobreza) do que um não-intervencionista em termos militares.A propos, um pequeno regresso à política externa – um dos ratings de 100% que é atribuído a Ron Paul é do CAIR – http://en.wikipedia.org/wiki/Criticism_of_the_Council_on_American-Islamic_Relations – organização que já mereceu várias críticas violentas por estes lados.

    Comentário por CN — Maio 31, 2007 @ 09:17

  6. O último:

    Immigration ‘Compromise’ Sells Out Our Sovereignty, Ron Paul

    “I will continue to oppose any immigration bill that grants amnesty to illegals or undermines our liberty and sovereignty.”

    Comentário por CN — Maio 31, 2007 @ 09:23

  7. Vamos lá resumir:

    * Pro-Life
    * Pro-Gun
    * Contra qualquer aumentos de despesa. “Dr NO”
    * COnstitucionalistas tradicional: Contra o aumento do poder executivo, “States Rights”, etc
    * Abolição do IRS
    * Restrição à imigração
    * Comércio Livre (mesmo livre, ou seja, contra a capacidade regulatória dos chamados organismos internacionais)
    * Contra a ONU (muitos o são, mas ao mesmo tempo são incapazes de dizer que são a favor da saida…)
    * Contra o intervencionismo militar sem Guerra Justa
    * Declarações de Guerra pelo Congresso (Constituição)
    * Realça o problema em que mesmo as boas “intervenções” são capazes de provocar consequências que pioram mais a situação a prazo
    * A favor do conceito tradicional de diplomacia e de soberania

    Conseguem encontrar melhor do que isto?

    Comentário por CN — Maio 31, 2007 @ 09:35

  8. lucklucky,

    Não sei se discordaremos. Eu não defendo open-borders ou algo parecido; e acho essencial a “americanização” dos imigrantes. Mas os problemas reais que aponta são a melhor prova do falhanço do status quo e que algo precisa de ser feito.O que está em cima da mesa é uma reforma das leis actuais – en.wikipedia.org/wiki/S._2611 -, que, não sendo perfeita, parece-me bastante aceitável. A proposta de Paul é deportar milhões de pessoas que vivem há décadas nos EUA, com empregos, famílias, filhos americanos e perfeitamente assimilados. A reforma do senado tem o apoio de Bush, da claríssima maioria dos americanos e dos eleitores republicanos – e até há poucas semanas, de quase todos os candidatos republicanos às primárias, que mudaram de opinião para agradar a uma minoria fanática e muito vocal. O Reagan passou por uma situação semelhante, também a propósito de uma lei sobre a imigração, e mandou-os calar… a falta que faz um presidente com autoridade.

    CN,

    A sua reacção é a típica e expectável de um apoiante de Ron Paul. : ) Já explico porquê.

    Comentário por HO — Maio 31, 2007 @ 15:38

  9. CN não falei da ONU…por mim podia ser abolida amanhã.

    HO Não falei da proposta lei sobre a imigração porque não tenho tido tempo para lê-la.

    http://article.nationalreview.com/?q=YmVjZDBiM2MwMTk0MjNlMDdjMDI2ZDM2MzE4ZGViOGU=

    National Review Vs Wall Street Journal

    Comentário por lucklucky — Maio 31, 2007 @ 16:56

  10. CN,

    Os ratings são como as guerras: não aparecem do vácuo. Eu coloquei os links para os PACs precisamente para que isso fosse claro. A modelagem de cada um é pública, e as notas não são atribuídas aleatoriamente, mas a partir do sentido de voto nas iniciativas legislativas, um critério bem objectivo e igual para todos – não há um modelo diferente para o Ron Paul. Poderíamos analisar, um a um, os votos do Ron Paul nas milhares de leis que foram apresentadas no congresso durante as suas incubências e os resultados seriam os mesmos. Os ratings são apenas um bom atalho.

    Porque estão os ratings mal feitos? Por, “obviamente”, terem de estar mal feitos. São dezenas de organizações que, desde há anos para cá, conspiram para construírem ratings que apresentem Ron Paul de uma forma desfavorável – querem lá saber das centenas de outros congressistas. Desde os taxpayers aos fornecedores do governo, dos velhinhos reformados às elites do partido democrata, dos conservadores da ACU aos socialistas da ACLU.

    Nas tarifas, eu também suspeito dos institutos regulamentadores internacionais, e até apontei muitos defeitos à WTO. Mas convém separar isso das condições concretas e das estruturas negociais que eles enquadram. A alternativa, é deixar tudo nas mãos da Providência. De resto, Paul não votou apenas contra NAFTAs e GATTs, mas também contra inúmeros acordos bilaterais que contribuíram para um comércio mais livre. Como contra a liberalização das estivas portuárias. Como contra o levantamento das travel restriccions a Cuba. Como votou contra a Permanent Normal Trade Relations com a China. Como, e já que a referiu, contra a restrição do financiamento dos EUA às actividades da ONU. Como uma vez disse um colega meu: “pá, ele é contra a interferência governamental. As tarifas devem baixar por elas próprias, sem a ajuda do governo”.

    Eu li muitos dos artigos do Paul no Rockwell, e até o cito a partir daí. Ademais, é verdade que isto é um argumentário contra Ron Paul e a clique que o rodeia e não exactamente contra algumas ideias por ele defendidas – sobre a maioria delas não fiz qualquer juízo de valor. Isso é outra conversa.

    lucklucky,

    A partir do artigo da wikipedia tem links para alguns artigos contra e a favor da CIRA. Os mesmos argumentos sobre a tragédica económica e social que resultariam das presuntivas amnistias já tinham sido colocados há 20 anos aquando da reforma do Reagan. De resto, a reforma prevê um aumento substancial do reforço das fronteiras. Mas o Paul opõe-se até à existência de vistos de trabalho temporários… Sobre o assunto, acho este artigo muito lúcido: http://www.fareedzakaria.com/articles/articles.html

    Comentário por HO — Maio 31, 2007 @ 18:25

  11. HO

    A sua percepção sobre o comércio livre e Ron Paul é errada dada dada a sua fé nesses tratados.

    Outra cosia contra que Ron Paul é contra é o Congresso dar poderes ao Presidente para este poder assinar tais “Tratados”, uma vez que essa é uma incumbência do Congresso (é mais o menos isto).

    Portanto, arrisca-se a confundir uma votaçã que nega esse direito ao poder executivo mesmo com a desculpa de ser um tratado de “comercio livre”, com a posição de princípio de não pretender dar essa capacidade.

    O que é certo é que Ron Paul é um enorme defensor do comércio livre e globalização económica, ao mesmo tempo que rejeita a noção supra-nacional da globalização política operada quer pela ONU quer pelas chamadas “organizações de comercio livre internacionais.”

    Comentário por CN — Maio 31, 2007 @ 20:25

  12. HO

    Leia lá isto e descubra um proteccionista. Creio que está a subvalorizar o fenómeno que é Ron Paul.

    “The IMF and other complex schemes only serve to obscure the real issue: Why should US taxpayers be forced to send money abroad? Certainly the Constitution provides no authority for foreign aid. In historical and practical terms, redistribution of wealth from rich to poor nations has done little or nothing to alleviate suffering abroad.

    Only free markets, property rights, and the rule of law can create the conditions necessary to lift poor nations out of poverty.”

    ou isto, sobre a “WTO”:

    In reality, the WTO is the third leg of the globalists’ plan for a one-world, centrally-managed economic system. The intention behind the creation of the WTO was to have a third institution to handle the trade side of international economic cooperation, joining two institutions created by Bretton Woods, the World Bank and the International Monetary Fund.

    For the United States to give up any bit of its sovereignty to these unelected and unaccountable organizations is economic suicide. International organizations can never “manage” trade better than it naturally occurs in a true free market of goods and services. (…)

    Economist Murray Rothbard said it best: You don’t need a treaty to have free trade. Governments and quasi-government bodies like the WTO can only politicize and interfere with the natural flow of goods and services across borders. When we cede even a fraction of our sovereignty to an organization like the WTO, we can hardly hope to become more prosperous or more free.”

    O problema parece ser é que ele acredita demais no “Free Trade” não de menos.

    Comentário por CN — Maio 31, 2007 @ 20:36

  13. [...] com vários pontos deste texto do HO e discordo de vários outros. Na impossibilidade de um comentário mais alargado quero só [...]

    Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Ron Paul e os think-tanks nos EUA — Maio 31, 2007 @ 22:58

  14. Ron Paul é o maior !

    Comentário por ANTI-CENSURA — Junho 1, 2007 @ 21:09

  15. O sucesso de Ron Paul como deputado se explica pelo fato dele ser uma lenda entre os libertarians americanos. O Libertarian Party é uma torrente de gente de vertentes diferentes, e o respeito por Paul parece ser uma das únicas coisas em comum que eles tem.(Desconfio que ele só conseguiu se reeleger, nas primárias dos republicanos por esse fator, e pelo fato daquela região do Texas ser mais inclinada para o lado dos democratas que parece).

    Mas de fato ele e um excelente autor, e é legal ter alguém assim no Congresso. Mas acho sua presença televisa fraca, e acho que ele teria mais votos concorrendo como independente ou pelo Partido da Reforma que pelo GOP. Mas nunca se sabe…

    Comentário por André Kenji — Junho 8, 2007 @ 18:14


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