Concordo com grande parte deste texto do Rui A. mas, apesar de ser naturalmente céptico, não partilho (pelo menos no mesmo grau) o pessimismo aí expresso.
Todos os problemas que o Rui aponta são reais e importantes mas julgo que a evolução nos últimos anos é, apesar disso, francamente positiva em vários domínios. Creio que tem havido passos positivos não só na internet e (em muito menor grau) nos media tradicionais, mas também no alargamento de uma comunidade de interessados no liberalismo clássico: evolucionista e anti-estatista.
Há também, como não podia deixar de ser, pontos negativos. A sempre presente tentação jacobina e os oportunismos de ocasião são problemas que não devem ser ignorados mas parece-me irrealista esperar que estas e outras questões não se levantassem à medida que o liberalismo se torna relativamente mais popular (ou menos impopular). São problemas com os quais é preciso lidar mas não me parecem na actual situação razão suficiente para decretar morto à nascença um hipotético renascimento liberal.
Acima de tudo, julgo que a melhor conclusão a tirar do post do Rui A. é que há muito trabalho por fazer para que possa haver em Portugal uma corrente de opinião liberal com um mínimo de consistência teórica e que inspire algumas propostas bem articuladas no domínio das políticas públicas. Mas sobre o longo e árduo caminho que ainda há a percorrer tentarei escrever de forma mais desenvolvida quando tiver mais tempo, o que por agora não acontece.