O Insurgente

Maio 20, 2007

À conquista de Lisboa

Arquivar em: Colunas, Comentário, Política, Portugal, Semana Política — Bruno Alves @ 22:09

Não deixa de ser supreendente a quantidade de pessoas interessadas em presidir a uma autarquia que não poderá ser outra coisa que não ingovernável. Desde um membro do Governo, passando por um vereador de Setúbal, antigos cabeças de lista à mesma Câmara, o presidente demissionário, uma dissidente do PS, até aos quatro militantes do CDS/PP (partido que com sorte talvez consiga eleger um vereador), todos manifestaram a sua disponibilidade para avançar. É de duvidar, no entanto, que os eleitores demonstrem semelhante vontade em votar em qualquer um deles.

A escolha de Fernando Negrão como candidato do PSD foi vista como um sinal de fraqueza de Marques Mendes, líder laranja. Estranhamente, ninguém nota a fraqueza do PS, evidenciada pela sua própria escolha de candidato. Claro que, como diz o coro, António Costa é um candidato “forte”. Afinal, o homem já ganhou a um Ferrari nas filas de trânsito de Lisboa, e servia de cérebro para o fato Armani que chefia o Governo. E muito provavelmente, dado o seu “perfil” mediático, e a fama de “melhor Ministro da Justiça da democracia” (que muito boa gente insiste em lhe atribuir, esquecendo as suas responsabilidades no regime de escutas telefónicas, por exemplo), ganhará mesmo as eleições intercalares que se avizinham. Mas a sua candidatura não é um sinal de força do PS. É, claramente, um sinal de fraqueza. Pois Sócrates não conseguiu arranjar ninguém que lhe permitisse deixar no Governo o Ministro que mais poder tinha à mesa do Conselho, com responsabilidade directa sobre algumas políticas “emblemáticas” do Governo, a meses de uma presidência da UE em que alguns dos mais importantes dossiers seriam transportados na sua pasta. A escolha de Costa, se é certo que dá boas hipóteses de vitória em Lisboa ao PS, deixa órfão o Governo. Costa pode ser um candidato “forte”, mas a sua “força” fará falta ao Governo. Não é só Marques Mendes que sofre com o que se passa em Lisboa.

E se António Costa parece não temer Negrão, parece ter mais algum receio de Helena Roseta. Pelo menos, o esforço feito para marcar eleições numa data que não permitisse à arquitecta (sobre quem não restam dúvidas sobre a sua inscrição na respectiva Ordem) reunir as assinaturas necessárias à oficialização da sua candidatura, assim o indica. Infelizmente para Costa, de nada serviu, pois o Tribunal Constitucional impôs a marcação de outra data. A falta de vergonha dos socialistas ficou (mais uma vez) à vista de todos, e Helena Roseta ganhou simpatias que, provavelmente, não teria de outra forma. De facto, o pior da manobra foi ter dado um empurrãozinho à insuportável demagogia da candidata.

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