O Insurgente

Maio 13, 2007

Giuliani: pro- “abortion rights”, pro- “gun control”, pro- “gay rights”

Filed under: Internacional,Política — André Azevedo Alves @ 01:54

Depois de algumas tentativas falhadas para conquistar a direita do GOP, Giuliani parece ter desistido e pretender agora ser o candidato da direita que interessa à esquerda (“abortion rights”, “gun control”, “gay rights”). Face à ausência de opositores à altura é bem provável que Giuliani consiga a nomeação republicana mas confesso que a partir de hoje passei a preferir até McCain a Giuliani.

44 Comentários »

  1. “confesso que a partir de hoje passei a preferir até McCain a Giuliani.”

    Better late than never.

    Comentário por HO — Maio 13, 2007 @ 02:55

  2. Aconselho pelos poemas:
    rasputin-s.blogspot.com

    Comentário por Aviso — Maio 13, 2007 @ 07:16

  3. “agora ser o candidato da direita que interessa à esquerda”

    Trata-se de uma campanha que não esconde as convicções pessoais de Giuliani, ao contrário de outros. E André, reduzir o candidato a “abortion rights”, “gun control” e “gay rights” é ser muito redutor. Até parece que já te esqueceste como é McCain…

    Um abraço

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 08:13

  4. Para se ser eleito, dá jeito uma certa costela-Fausto em negócios provisórios com Mefistófeles.

    Comentário por PALAVROSSAVRVS REX — Maio 13, 2007 @ 11:54

  5. Já agora também acreditas no criacionismo, tal como o velho mccain!!!

    Comentário por sérgio — Maio 13, 2007 @ 13:16

  6. “Até parece que já te esqueceste como é McCain…”

    Bruno,

    Não me esqueci, mas Giuliani quer correr pela esquerda não deve ter o apoio da direita.

    Em qualquer caso, creio que nenhum de nós vota… :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 16:22

  7. “Até parece que já te esqueceste como é McCain…”

    Como é McCain? A ver se eu percebo, definitivamente, quais os engulhos que ele provoca a pessoas que não devem especiais fidelidades ao aparelho do GOP e à Administração Bush…

    “Já agora também acreditas no criacionismo, tal como o velho mccain!!!”

    …e que presumo estarem bem informadas.

    Comentário por HO — Maio 13, 2007 @ 16:43

  8. “Não me esqueci, mas Giuliani quer correr pela esquerda não deve ter o apoio da direita.”

    André,

    Sinceramente não percebo. Primeiro, o título do post induz em erro os leitores sobre as posições de Giuliani, e agora falas em correr pela esquerda. Não posso concordar.

    Existem grandes diferenças entre as posições da maioria de esquerda (neste caso, a maioria dos democratas) em relação ao aborto e a posição de Giuliani. Posso citar por exemplo o financiamento público de abortos, ou então o “Partial Abortion Act”, no qual o Giuliani apoiou a notícia do Supremo, aliás, como fizeste referência aqui n’O Insurgente. Pode não ser significativo para ti, mas julgo ser importante referir.

    Quanto ao “gun control”, Giuliani já afirmou por várias vezes que esta lei deve ser regulamentada por cada Estado. Numa entrevista na Fox News, afirmou muito claramente que era contra o “gun control”, mas que desejava que essa opção estivesse disponível a um nível mais “local”, consoante a realidade.

    E por fim, Rudy é tão pro-”gay rights”, como um libertarian conservative deveria ser. Ele continua a afirmar que o casamento deve apenas ser entre um homem e uma mullher, dado o seu conceito de família, mas é favorável às uniões homossexuais.

    E são estes os três “pro” que referes. É apenas com base nestes três argumentos que referes que ele corre pela esquerda. Nem discutimos segurança, despesas militares, imigração, economia, impostos,segurança social, saúde, etc.

    É claro que nenhum de nós vota, mas isso não invalida que se esclareça as posições de um candidato.

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 16:43

  9. Bruno, vamos então esclarecer as posições do candidato Giuliani.

    Podemos começar pelas referências: Goldwater, por exemplo: “incompetent, confused and sometimes idiotic man”, foi como ele o catalogou. E quanto a Reagan: foi dos mais ferozes opositores dentro do GOP à administração Reagan (por exemplo, aos cortes nos subsídios sociais), afirmando sempre estar muito longe de ser um Reagan Republican e ser um representante da “liberal wing” do GOP.

    Quanto ao aborto: enquanto Mayor de Nova York continua a gastar milhões de dólares em dinheiro público para subsidiar o aborto – no seu programa eleitoral constava um reforço dos fundos camarários destinados a isso. Muito recentemente defendeu o federal funding do aborto. Declarou várias vezes opôr-se a qualquer alteração ao Roe vs. Wade. E outras tantas, defendeu a manutenção do late-term abortion.

    Armas: defendeu regulamentações federais para limitar a aquisição e o porte, incluindo background checks e períodos de espera; e banir qualquer hipótese de comprar ou possuir “assault weapons”. Nesta matéria Giuliani está à esquerda de boa parte do Partido Democrático.

    Educação: Foi sempre um dos mais tenazes opositores aos vouchers. Cito: “Vouchers would be a terrible mistake because they would bleed the public schools of needed financing.”

    Fiscalidade: Quando abandonou o posto de Mayor de Nova Iorque, a cidade tinha a o maior deficit orçamental da história – em três anos ele passou de um superavit de $3 b. para um déficit de $4.5 b. Se há algo que eu me recordo bem é dos artigos nas revistas conservadoras a criticarem a gestão despesista do Giuliani enquanto Mayor. Aliás, ele cometeu a proeza de deixar a cidade com mais empregados do que aqueles que herdou – e com orçamentos bastantes maiores do que os do tempo dos democratas. Esqueçamos, por caridade, as declarações dele quanto aos cortes de impostos das administrações republicanas ou a luta denodada contra as descidas de impostos do Pataki.

    Quanto à imigração: para um nova-iorquino é fácil falar do “medo irracional de estrangeiros” e outras gratuitidades com o objectivo de desqualificar os adversários.

    Na segurança e política externa, não faço ideia do que dali possa sair. Ninguém pode fazer. Do pouco que sabemos, é certo que ele defende a ideia de pôr os contribuintes americanos a pagar subsídios de desemprego aos iraquianos e a criação de uma espécie de New Deal no Iraque. Puro e duro construtivismo social. Para mim, é assustador. Mas eu nunca gostei de rockfeller republicans – e acho que têm tanto a ver com o conservadorismo, libertário ou não, como qualquer outra variante de socialistas.

    Comentário por HO — Maio 13, 2007 @ 17:40

  10. “Primeiro, o título do post induz em erro os leitores sobre as posições de Giuliani, e agora falas em correr pela esquerda.”

    Bruno,

    1- Como é que induz em erro: Giuliani é ou não pro- “abortion rights”, pro- “gun control”, pro- “gay rights”?

    2- Giuliani é ou não o candidato mais à esquerda do lado republicano?

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 18:01

  11. HO,

    Tendo feito parte da Administração Reagan, no Departamento da Justiça, é estranho que tenha sido um dos mais críticos da administração a que pertencia. Mas acredito que possa ter sido. Porém, se estivermos atentos à sua linha de governação em Nova Iorque, e os seus discursos pós-administração, não vejo essas críticas. Aliás, ele considera-se um supply sider convicto (“I regard myself as a supply sider for sure. I mean, watched Ronald Reagan do it and learned it, so it works”).

    Aborto: É verdade que enquanto Mayor gastou milhões no financiamento de abortos. Ele tinha feito campanha nessa matriz, e na altura, era favorável ao “late term abortion”. Actualmente, não partilha dessas posições. Podes considerar um flip-flop, semelhante ao Romney, mas um pouco diferente julgo. Ainda na semana passada, esteve no Texas onde falou claramente sobre o assunto.

    Armas: Verdadeiro, mas esqueceste de referir que foi em Nova Iorque. Como ele refere, se pensarmos a nível nacional essa não é a solução que defende. Numa cidade como NY, esta medida diminuiu o crime em 60%. A nível nacional, ele defende que a lei deve ser adaptada. Como ele diz:

    “I understand the Second Amendment. I support it. People have the right to bear arms.”

    “So if you’re talking about a city like New York, a densely populated area like New York, I think it’s appropriate. You might have different laws other places, and maybe a lot of this gets resolved based on different states, different communities making decisions. After all, we do have a federal system of government in which you have the ability to accomplish that.”

    “People have the right to bear arms. Then the restrictions of it have to be reasonable and sensible. You can’t just remove that right. You’ve got to regulate, consistent with the Second Amendment.”

    Educação: De facto, quando começou o seu cargo de Mayor, Giuliani era contra. Porém, isso alterou-se:

    “When I was mayor of New York, my views changed. I began as mayor of New York City thinking that I could reform the New York City school system. After two or three years, four years, I became an advocate of choice, of scholarships, and vouchers, and parental choice, because I thought that was the only way to really change the school system.”

    Fiscalidade: Precisava de confirmar esses valores, visto que tenho a ideia que foi precisamente o contrário. Como ele refere: “I lowered taxes in New York. I reduced the size of government in New York. I took a $2.4 billion deficit and turned it into a $3.2 billion surplus. And I reduced taxes over 23 times.” Aliás, quando o Steve Forbes anunciou o seu apoiou à sua candidatura, incidiu na mesma tónica: baixa de impostos, défice e o tamanho do executivo.

    Imigração: Não ouvi nada que me sugerisse que tentava desqualificar os adversários. No último debate, até estava de acordo com o Romney na questão.

    Política Externa: Confesso que não li nada que indicasse que estivesse disposto a esse tipo construtivismo social. Acho estranho.

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 18:38

  12. André,

    1. Induz, na medida em que as suas posições não são black and white. Apenas isso. Toma o exemplo mais visível, do “gun control”.

    2. Eu pergunto: Consideras Giuliani o candidato mais à esquerda devido apenas a estes três pontos?

    Quanto muito, um dos temas tem uma maior diferenciação esquerda/direita.

    Assim sendo, não entro nessa linha de pró-X, ou seja, conotado mais à esquerda. Não concordo com essa noção. E repara que a última campanha do referendo ilustrou bem isso, como sabes.

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 18:46

  13. “Numa cidade como NY, esta medida diminuiu o crime em 60%.”

    Essa relação causa-efeito é, no mínimo, altamente controversa, especialmente face às restantes (boas) políticas que foram empreendidas por Giuliani, desde logo o princípio broken windows e o reforço muito substancial dos meios policiais.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 18:50

  14. “Eu pergunto: Consideras Giuliani o candidato mais à esquerda devido apenas a estes três pontos?”

    Sim, sem margem para dúvidas. Já o considerava o mais à esquerda antes mas enquanto estava a tentar subalternizar essas posições dei-lhe o benefício da dúvida. A partir do momento que decidiu correr para os braços da esquerda, prefiro que perca as primárias (embora reconheça que é quase certo que vá ganhar a nomeação).

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 18:53

  15. “Essa relação causa-efeito é, no mínimo, altamente controversa, especialmente face às restantes (boas) políticas que foram empreendidas por Giuliani, desde logo o princípio broken windows e o reforço muito substancial dos meios policiais.”

    Tenho que concordar. Still, julgo que se compreende o contexto.

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 18:55

  16. “Assim sendo, não entro nessa linha de pró-X, ou seja, conotado mais à esquerda.”

    Mesmo desvalorizando ou contestando o facto de ser posições de esquerda, são, do meu ponto de vista, três posições profundamente erradas (admito uma possível excepção no caso do gun control mas não estou nada persuadido do respeito de Giuliani pela Constituição) e isso já é suficientemente mau.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 18:55

  17. “Still, julgo que se compreende o contexto.”

    Certo.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 18:55

  18. “E repara que a última campanha do referendo ilustrou bem isso, como sabes.”

    Eu acho que a última campanha ilustrou precisamente no caso do aborto que é em larga medida uma divisão esquerda/direita ainda que haja algumas pessoas de direita pro-choice e algumas (muito poucas) pessoas de esquerda pro-life.

    Mas concedo que o mais importante é se as posições estão certas ou erradas e não se são conotadas com a esquerda (eu próprio devo ter 3 ou 4 que são tradicionalmente conotadas com a esquerda e não deixo de as ter por causa disso).

    De qualquer forma, o título privilegia as posições e não o facto de serem de esquerda.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 18:59

  19. Por este andar, se for Giuliani/Obama vou ter um dilema…

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 19:00

  20. Suspeito que o HO é voluntário da campanha McCain para o voto luso-americano… :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 19:01

  21. Por falar nisso, o seu a seu dono: finalmente tive tempo para erificar o voting record do Senador McCain em matérias fiscais e reconheço que tinha uma impressão mais desfavorável do que os factos justificam. Reconheço razão ao HO nesse ponto.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 19:02

  22. “Por este andar, se for Giuliani/Obama vou ter um dilema…”

    Hombre, se escreveres um post a dizer que na eleição presidencial apoias um candidato democrata (o Obama) faço questão que esse post seja publicado na Destreza das duvidas em primeira mão. Combinado?

    Comentário por LA-C — Maio 13, 2007 @ 19:06

  23. “Hombre, se escreveres um post a dizer que na eleição presidencial apoias um candidato democrata (o Obama) faço questão que esse post seja publicado na Destreza das duvidas em primeira mão. Combinado?”

    Fica combinado desde que eu na altura ainda me lembre :)

    Mas o mais provável é nesse cenário não ter nenhuma preferência forte por nenhum dos dois…

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 19:09

  24. “Fica combinado desde que eu na altura ainda me lembre”

    Bolas! Não te esqueças. De qq forma se forem estes dois à grande final eu lembrar-te-ei do combinado.

    Comentário por LA-C — Maio 13, 2007 @ 19:13

  25. “Mas o mais provável é nesse cenário não ter nenhuma preferência forte por nenhum dos dois…”

    Não te esqueças que o movimento que o Giuliani está a fazer para a esquerda também o Obama terá de o fazer para a direita. Para já é provável que queira atacar Hillary pela esquerda, mas logo que (e se) esta fique fora de jogo terá de partir para a conquista dos votos do centro. É assim possível que a tua simpatia por ele cresça.

    Comentário por LA-C — Maio 13, 2007 @ 19:20

  26. “De qq forma se forem estes dois à grande final eu lembrar-te-ei do combinado.”

    Ok. Fica combinado. :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 19:22

  27. “Não te esqueças que o movimento que o Giuliani está a fazer para a esquerda também o Obama terá de o fazer para a direita.”

    É também a pensar nisso que digo que posso vir a ter um (pequeno) dilema.

    Acresce que Giuliani parece-me por vezes ter um desprezo tão grande pela Bill of Rights como a Hillary…

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 19:24

  28. “Mas concedo que o mais importante é se as posições estão certas ou erradas e não se são conotadas com a esquerda (eu próprio devo ter 3 ou 4 que são tradicionalmente conotadas com a esquerda e não deixo de as ter por causa disso).

    Fair enough. Assim, sim.

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 19:39

  29. “Mas o mais provável é nesse cenário não ter nenhuma preferência forte por nenhum dos dois…”

    Duvido. ;)

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 19:40

  30. “Duvido.”

    Veremos. Para já mantenho a esperança que do lado republicano esse cenário não se coloque.

    Não prometo nada, nem num sentido nem no outro sobre esta questão fundamental para o destino das presidenciais 2008… ;)

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 19:52

  31. E sobre McCain, é possível que o seu registo de votos seja consistente, mas este foi um tiro no pé:

    http://www.clubforgrowth.org/2007/05/mccain_defends_his_vote_agains.php

    E como é óbvio, já existe o flip-flop dá jeito:

    http://www.washtimes.com/national/20060227-123409-3819r.htm

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 19:53

  32. *E como é óbvio, o flip-flop dá jeito:

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 19:57

  33. “Porém, se estivermos atentos à sua linha de governação em Nova Iorque, e os seus discursos pós-administração, não vejo essas críticas.”

    “David N. Dinkins, the Democratic candidate, has depicted Mr. Giuliani, former United States Attorney in Manhattan, as a loyal Reagan Republican who carried out the President’s agenda that ”was painful to our city and our urban centers.”

    At the same time, Mr. Giuliani has tried to distance himself from the conservative Administration, pointing to occasions when he dissented from its policies and portraying himself as the candidate of a nonpartisan reform movement. No Direct Policy Role”

    http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=950DE7DB133DF932A25753C1A96F948260

    “Actualmente, não partilha dessas posições. Podes considerar um flip-flop, semelhante ao Romney, mas um pouco diferente julgo”

    Sim, o dele é apenas um flip-flop (defendeu ainda há pouco tempo a manutenção da lei sobre o federal funding do aborto), o do Romney é um hiper-duper-mega-flip-flop. No caso, até preferiria o segundo.

    “Numa cidade como NY, esta medida diminuiu o crime em 60%. A nível nacional, ele defende que a lei deve ser adaptada”

    Lamento, mas não é verdade que essa medida tenha diminuido o crime em 60% em NY. A criminalidade desceu abissalmente durante os anos 90 em cidades que continuaram a proteger o direito constituicional à posse de armas. O efeito das gun control laws foi completamente residual. E mesmo que não fosse, há a questão de princípio: a 2ª emenda protege um direito ponto, não protege um direito até existirem estudos sociológicos a dizerem que isso parece ter maus resultados.

    “You’ve got to regulate, consistent with the Second Amendment”

    Sure, regulate…

    “Precisava de confirmar esses valores, visto que tenho a ideia que foi precisamente o contrário.”

    Em 1998, NY tinha um surplus de $3 bilhões. Quando ele saiu, no final de 2001, tinha um défice de $4.5 bilhões.

    Durante o seu segundo mandato, aumento os gastos em 25%.

    Quando se candidatou em 1993, tinha prometido baixar o número de empregados em 35.000. Quando saiu, a cidade empregava 253.348 – mais 1.012 do que em 1993.

    Ele prescindiu de mais de $2 bilhões em receita fiscal, mas alguém terá de pagar o que gastou. E é claro que durante a segunda metade dos anos 90 ele tinha muita folga financeira: com a economia a crescer daquela maneira, qual era a cidade que não a tinha?

    “When I was mayor of New York, my views changed. I began as mayor of New York City thinking that I could reform the New York City school system. After two or three years, four years, I became an advocate of choice, of scholarships, and vouchers, and parental choice, because I thought that was the only way to really change the school system.”

    Ou seja, é um neoconservador – com a diferença de que estes perceberam o mesmo 40 anos antes e escreveram abundantemente sobre isso. Mas lá está: pode ser uma mera subtileza, but ideas have consequences. Na Casa Branca, ele vai demorar 4 anos a perceber quais são as políticas sociais-democratas que funcionam e as que não funcionam?

    “Confesso que não li nada que indicasse que estivesse disposto a esse tipo construtivismo social. Acho estranho.”

    «Não sabia de nada, acho estranho” é a expressão que eu mais ouço quando os apoiantes do Giuliani são confrontados com aquilo que ele realmente defende.

    Eu vou citá-lo:

    “This change from welfare to work did as much as the New York Police Department Compstat program to keep reducing crime. A similar model can work in Iraq.

    There is an opportunity not only to increase employment by rebuilding roads, houses, schools and government buildings, but also to engage the Iraqi people to participate in laying the foundation for a civil and prosperous society.

    The population of Iraq is roughly 30 million with a pre-war median annual income equivalent to $700. Subsidizing unemployed Iraqis with a meaningful wage in exchange for meaningful work rebuilding their society is well within the means of the U.S. and its allies.

    One word of caution: The program should be overseen by the U.S. military, not private contractors, to avoid unnecessary delays in deployment or accusations of cronyism in the bidding process. Our military will still be devoted to its primary role of hunting down terrorists and patrolling the streets, but administering a jobs program would be a direct extension of their effort to secure law and order. After the program has been started and becomes successful, it can be transferred to a civilian authority within the Iraqi government.”

    Isto foi escrito num artigo no WSJ, em Janeiro deste ano, a meias com o Gingrich – que provavelmente será o futuro VP de Giuliani ou, no mínimo, o ideólogo de serviço numa Administração deste. Quero ver depois o que dirão quando a Casa Branca do conservador-libertário Giuliani começar a pressionar o congresso para censurar emissões televisivas ou para “proteger” a economia e os empregos americanos. Ficará tudo muito surpreendido, como aconteceu com o Bush… E, francamente, até prefiriria como presidente dos EUA um homem culto e inteligente como Gingrich, com ideias, apesar de discordar profundamente de muitas delas do que uma nulidade como Giuliani.

    “desde logo o princípio broken windows e o reforço muito substancial dos meios policiais.””

    O princípio Broken Windows é uma ideia neoconservadora. Muito antes de Giuliani já existiam governadores e mayors a aplicá-lo por toda a América. O reforço muito substancial dos meios policiais começou com Dinkins, não com Giuliani (embora, para ser justo, este o defendesse há muito).

    “Suspeito que o HO é voluntário da campanha McCain para o voto luso-americano”
    :) Sim, os votos desses 14 luso-americanos que poderão votar num candidato conservador não nos escaparão.

    “Não te esqueças que o movimento que o Giuliani está a fazer para a esquerda também o Obama terá de o fazer para a direita”

    Se Giuliani for o candidato do GOP e os conservadores não forem a jogo, duvido.

    “E sobre McCain, é possível que o seu registo de votos seja consistente, mas este foi um tiro no pé:”

    Não acho: os cortes de impostos do Bush, ao não serem acompanhados de uma diminuição dos gastos do governo federal, impediram a diminuição do esforço fiscal das classes médias.

    Aliás, a doutrina do McCain neste assunto é claríssima e estável há mais de 20 anos: os impostos medem-se pelos gastos do governo, não pelas taxas. Isto é tudo menos um flip-flop. Baixar as taxas de imposto para agravar défices ou canibalizar superávites é simplesmente desonesto para as gerações futuras e não é sustentável. E a verdade é que o Club for Growth e outros interest groups do big business gostam muito de descidas de impostos mas não gostam menos de subsídios governamentais.

    Comentário por HO — Maio 13, 2007 @ 20:51

  34. Queria colocar mais links, mas fui-me esquecendo. O do WSJ sobre o Iraque: http://www.opinionjournal.com/editorial/feature.html?id=110009514

    Comentário por HO — Maio 13, 2007 @ 20:54

  35. “Por este andar, se for Giuliani/Obama vou ter um dilema…”

    Se assim for, será a eleição mais “pop” e “light” da história – a consagração definitiva do star system. Eu terei o mesmo interesse que tenho em relação aos concursos do Trump. E ainda há 25 anos o Mondale arrasou o Gary Hart com um simples “Where’s the beef?”.

    Comentário por HO — Maio 13, 2007 @ 20:59

  36. “Sim, os votos desses 14 luso-americanos que poderão votar num candidato conservador não nos escaparão.”

    As coisas na comunidade luso-americana estão assim tão mal?

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 21:06

  37. “Se assim for, será a eleição mais “pop” e “light” da história – a consagração definitiva do star system. Eu terei o mesmo interesse que tenho em relação aos concursos do Trump.”

    Pois… :)

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 21:08

  38. Por falar nisso, o seu a seu dono: finalmente tive tempo para erificar o voting record do Senador McCain em matérias fiscais e reconheço que tinha uma impressão mais desfavorável do que os factos justificam. Reconheço razão ao HO nesse ponto.

    Matéria fiscal?? Relembro, da Wikipédia:

    The United States Constitution vests all legislative powers of the federal government in the Congress. The powers of Congress are limited to those enumerated in the Constitution; all other powers are reserved to the states and the people. Through Acts of Congress, Congress may regulate interstate and foreign commerce, levy taxes, organize the federal courts, maintain the military, declare war, and exercise certain other “necessary and proper” powers.

    The Senate is regarded as a more deliberative body than the House of Representatives …. The Senate has several exclusive powers enumerated in Article One of the Constitution not granted to the House; most significantly, the President cannot ratify treaties or, with rare exception, make important appointments (most significantly ambassadors, members of the federal judicary (including the Supreme Court) and members of the Cabinet) without the advice and consent of the Senate.

    However, the Constitution provides that “All bills for raising Revenue shall originate in the House of Representatives.” As a result, the Senate does not have the power to initiate bills imposing taxes. Furthermore, the House of Representatives holds that the Senate does not have the power to originate appropriation bills, or bills authorizing the expenditure of federal funds.

    Comentário por AA — Maio 13, 2007 @ 21:36

  39. “Sim, o dele é apenas um flip-flop (defendeu ainda há pouco tempo a manutenção da lei sobre o federal funding do aborto), o do Romney é um hiper-duper-mega-flip-flop. No caso, até preferiria o segundo.”

    O “pouco tempo” deve ser mesmo muito relativo, dado que não é de agora que ele anda a veicular a sua posição no assunto. E muito sinceramente, obviamente que não considero idêntico, longe disso. Porque razão o HO prefere o segundo?

    Giuliani manteve a sua posição no aborto, onde disse sempre muito claramente que a mulher deve ter o poder de escolher. O Romney descaradamente fez campanha pelo casamento de homossexuais e pelo direito da mulher abortar, para depois de terminar o seu mandato e alterar radicalmente as suas posições apenas para agradar ao core dos republicanos. Comparar um flip-flop de financiamento apenas, com um flip-flop de posição e candidatura é ridículo. Por algum motivo ele não se candidatou a um segundo termo.

    “Lamento, mas não é verdade que essa medida tenha diminuido o crime em 60% em NY.”

    Como o AAA referiu, de facto é difícil atribuir a descida a uma medida em particular. Fiquemo-nos em então apenas com o valor da descida.

    “Sure, regulate…”

    Sure, regulate. E qual o problema de conceder a decisão aos Estados?

    “Em 1998, NY tinha um surplus de $3 bilhões. Quando ele saiu, no final de 2001, tinha um défice de $4.5 bilhões.”

    Here we go again. Na página do Mayor de Nova Iorque:

    “When Mayor Giuliani took office, one out of every seven New Yorkers was on welfare. Mayor Giuliani has returned the work ethic to the center of City life by implementing the largest and most successful welfare-to-work initiative in the country, cutting welfare rolls in half while moving over 640,000 individuals from dependency on the government to the dignity of self-sufficiency. In addition, Giuliani has enacted a record of over $2.5 billion in tax reductions – including the commercial rent tax, personal income tax, the hotel occupancy tax, and the sales tax on clothing for purchases up to $110 dollars. In addition, hundreds of millions of dollars have been returned to the private sector as a result of the Mayor’s aggressive campaign to root out organized crime’s influence over the Fulton Fish Market, the private garbage hauling industry, and wholesale food markets throughout the City. These reforms, combined with the fiscal discipline which enabled the Mayor to turn an inherited $2.3 billion dollar budget deficit into a multi-billion dollar surplus, have led the City to an era of broad-based growth with a record 450,000 new private sector jobs created in the past seven years.”

    “Na Casa Branca, ele vai demorar 4 anos a perceber quais são as políticas sociais-democratas que funcionam e as que não funcionam?”

    Ironia à parte, a experiência de NY pode ser um bom auguro. É interessante como a maioria das pessoas, a maioria liberais (não me refiro necessariamente ao HO), não simpatizam com o Giuliani, não pelo que é e pelo que fez, mas pelo que foi e o que pode ter feito ou dito. Único.

    “«Não sabia de nada, acho estranho” é a expressão que eu mais ouço quando os apoiantes do Giuliani são confrontados com aquilo que ele realmente defende.”

    Bem, pelo menos nisso então está a fazer um bom trabalho. Esse tipo de opiniões devem permanecer enterradas.

    “E, francamente, até prefiriria como presidente dos EUA um homem culto e inteligente como Gingrich, com ideias, apesar de discordar profundamente de muitas delas do que uma nulidade como Giuliani.”

    Dado que o HO acredita que este será o verdadeiro arquitecto da Administração Giuliani, logo não se deve preocupar. Quanto ao artigo, também convinha citar a primeira parte. Não tenho qualquer problema em discordar da posição de Giuliani e do Gringrich (by the way, não simpatizo nada com este último – o seu tempo já era, como dizia a Ann Coulter), embora verdade seja dita, com tantos biliões a serem perdidos no Iraque se o destino destes tivesse sido os apontados no artigo, até poderia ajudar nalguma coisa.

    Uma nota para a suspeita do HO, do Gringich ser VP do Giuliani. Muito interessante. Nunca tinha equacionado a hipótese.

    “Não acho: os cortes de impostos do Bush, ao não serem acompanhados de uma diminuição dos gastos do governo federal, impediram a diminuição do esforço fiscal das classes médias.”

    Still. Foi um voto com um enorme impacto.

    “Se assim for, será a eleição mais “pop” e “light” da história – a consagração definitiva do star system.”

    Antes pop e light, que Clintoniano. ;)

    E por fim HO, adorava perceber o que tanto vê no McCain, honestly. É verdade que ele em 2000 tinha um outro brilho, mas agora, com dez candidatos, alguns muito bons, não sei bem o acrescenta. Sim, sei que vai citar a experiência, mas deixe-me que lhe diga que é triste ver uma pessoa com a sua experiência (em eleições), esteja a afundar a sua imagem e campanha na Guerra do Iraque. É bonito dizer-se que se está mais preocupado com o destino de um país, do que com uma campanha, mas para um veterano esperava-se mais audácia.

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 21:43

  40. E sobre o McCain, é muito pertinente o comentário do António.

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 13, 2007 @ 21:49

  41. [...] a pena seguir as discussões nos comentários ao posts Andrew Sullivan sobre Ron Paul, Giuliani: pro- “abortion rights”, pro- “gun control”, pro- “gay rights” e Em defesa da [...]

    Pingback por O Insurgente » Blog Archive » Discussões com interesse — Maio 13, 2007 @ 22:07

  42. “o seu tempo já era, como dizia a Ann Coulter”

    Ponto para o Bruno por invocar a Ann Coulter.

    Comentário por André Azevedo Alves — Maio 13, 2007 @ 22:30

  43. “Ponto para o Bruno por invocar a Ann Coulter.” ;)

    Comentário por Bruno Gonçalves — Maio 14, 2007 @ 00:28

  44. Ron Paul é um verdadeiro homem às direitas, um republicano puro. A neoconeiragem não passa de uma cambada de trotskystas pretensamente reciclada em “direita”… mas que são apenas criminosos de guerra genocídários candidatos à forca num novo Nuremberga.

    Comentário por ANTI-CENSURA — Maio 28, 2007 @ 14:28


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