Acolhendo com satisfação a victória de Sarkozy, queria registar algumas reflexões e formular uma pergunta.
1. Durante a campanha houve vozes liberais expressando decepção com o que se considerava a insuficiência liberal das propostas do candidato. Creio que se Sarkozy tivesse ido mais longe no sentido de um programa mais ambicioso, não tinha ganho.
2. A adversária no último dia da campanha fez uma declaração que constituía um quase apelo à violência no caso de Sarko ganhar.
3. Nas primeiras duas noites a seguir à vitória houve violentos motins em diversas cidades francesas. Vários comentadores observaram que os incidentes tinham o aspecto de serem coordenados.
4. É de antecipar que mesmo o modesto programa de reformas do novo presidente irá fatalmente provocar violentos e continuados protestos.
5. É também de antecipar (e esperar) que Sarkozy se mantenha firme no seu propósito de mudar a França, o que significa respostas duras à violência.
Conclusões:
1. Os velhos clichés contínuam válidos: o óptimo é inimigo do bom e a política é a arte do possível.
2. No estado a que chegámos no Road to Serfdom, não será possível sair desse caminho sem medidas anti-liberais.
Pergunta: Até onde vai o fundamentalismo liberal?
“Os velhos clichés contínuam válidos: o óptimo é inimigo do bom e a política é a arte do possível.
(…)
“Durante a campanha houve vozes liberais expressando decepção com o que se considerava a insuficiência liberal das propostas do candidato. Creio que se Sarkozy tivesse ido mais longe no sentido de um programa mais ambicioso, não tinha ganho.”
(…)
“Pergunta: Até onde vai o fundamentalismo liberal?”
Reflexões muito acertadas que colocam o problema importante da relação das ideias liberais com a politica !
“No estado a que chegámos no Road to Serfdom, não será possível sair desse caminho sem medidas anti-liberais.”
Aqui não percebo bem o que a Patricia Lança quer dizer. Eu penso que o liberalismo não é incompatível, antes pelo contrario, com o exercício legal da força para garantir a ordem publica, para defender os bens, a integridade física e a liberdade dos cidadãos, e para aplicar as politicas dos governantes democraticamente escolhidos pelos eleitores !
Comentário por Fernando S — Maio 8, 2007 @ 19:00
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A candidata da esquerda, Ségolène Royal, ganha as eleições presidenciais com uma margem confortável. O candidato da direita, Nicolas Sarkozy, alertou antes das eleições para o perigo que uma vitoria de Royal representaria para a democracia, as liberdades e a paz civil. “Se a Sra Royal for eleita, a frustração dos jovens que amam a sua pátria será tal que são de prever manifestações de protesto, porventura violentas, um pouco por todo o lado. Quem não deseja que tal aconteça deve antes votar por mim.” A candidata socialista denunciou a intimidação eleitoral do “ou eu ou o caos”. “O Sr Sarkozy mostra a sua verdadeira natureza populista. Aposta na rua e no apodrecimento da situação. O seu verdadeiro projecto é o da conquista do poder por meios anti democraticos.”. Quando são conhecidos os resultados, grupos de jovens, encapuçados e armados com todo o tipo de objectos, ocupam espaços públicos em várias cidades francesas, agridem passantes que festejam a vitória da esquerda, destroem montras e equipamentos públicos, atacam as forças policiais. São incendiadas 750 viaturas e vários meios de transporte público. Dezenas de agentes da ordem ficam feridos. Os manifestantes gritam : “Viva Sarkozy. Abaixo Royal. O comunismo não passará. Começou a resistência. Continuaremos a nossa luta até ao fim. Royal não poderá aplicar a sua política contra a vontade do povo.” Questionado pelos jornalista, um porta voz do principal partido de direita, que apoiou o candidato Sarkozy, diz compreender o desalento dos manifestantes mas apela à calma e ao fim da violência. Os observadores notam que a maior parte dos desordeiros são militantes da extrema direita, neo-nazis e neo-fascistas assumidos. Os dirigentes e os jornais de esquerda acusam o candidato derrotado de passividade e hipocrisia, de se ter aliado à extrema direita e de ter assim encorajado e legitimado a violência dos arruaceiros. Afirmam que os acontecimentos são graves, mostram que a besta imunda do fascismo está viva e avança pondo em perigo a democracia. “É preciso fazer algo para a defender”. Pedem a instauração do estado de sítio, a repressão implacável e a prisão dos desordeiros, a ilegalização dos partidos de extrema direita. É convocada uma grande manifestação popular contra o fascismo !…..
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Comentário por Fernando S — Maio 8, 2007 @ 21:52
Muitíssimo bem apanhado,Fernando!:)
Comentário por Cristina Ribeiro — Maio 9, 2007 @ 09:28
[...] Comentário do leitor Fernando S a este [...]
Pingback por O Insurgente » Blog Archive » E se fosse ao contrário? — Maio 9, 2007 @ 10:55