Pina Moura admite em entrevista ao Expresso que o convite que lhe foi dirigido pela Prisa, para presidir ao Conselho de Administração da Media Capital, proprietária da TVI, tem “um pressuposto ideológico”.
O socialista, que é também presidente da Iberdrola Portugal assume que continuará “a fazer política” mas agora nos média e garante que “não há nenhum projecto empresarial que não tenha objectivos políticos, nomeadamente na comunicação social”.
Isto já não está a ficar perigoso, está perigoso mesmo. Temos um Presidente da República que sem corar diz que duas pessoas com a mesma informação têm que chegar obrigatoriamente às mesmas conclusões, um Primeiro Ministro que diz que é a lei que dá a liberdade, um ministro que quer acabar com o jornalismo de “sarjeta” e agora um coiso que….nem sei.
Mais por intuição que outra coisa sempre me pareceu que os ex-comunistas têm uma má relação com o dinheiro. Parece que para justificar a riqueza que eventualmente ajudam a criar, precisam de embrulhá-la e pôr-lhe o laço da a ideologia e das intenções piedosas próprias de estalinistas. Mais que ninguém, estes ex-comunistas parecem carregar uma espécie de culpa apocalíptica e necessitam redimir-se. A redenção é convencerem-se que a colaboração que prestam ao monstro capitalista é só e apenas um outro caminho para que se cumpra o paraíso socialista. Ou Pina Moura se explica melhor ou alguém deve informá-lo que os projectos empresariais têm outra finalidade, que é o bem-estar de quem os inicia, o cumprimento de sonhos pessoais e a resposta a desafios individuais. Numa palavra: o lucro, seja qual for a forma que tome.
Via A Blasfémia.
Desde o princípio pareceu-me um gato escondido de rabo de fora;agora descobriu-se todo.
Comentário por Cristina Ribeiro — Abril 20, 2007 @ 23:33
Não percebo porque motivo o Pina Moura é atacado. Quando a Prisa constitui uma nova direcção é natural que queira ter todas as áreas políticas representadas. Daqui a pouco tempo vem atacar a Prisa por só ter pessoas do Sporting e ninguém do Vitória de Guimarães representado… Haja pachorra!!
Comentário por João Gomes — Abril 21, 2007 @ 00:17
Caro João Gomes, quero lá saber que o Pina Moura seja presidente do que ele quiser. Olhe, até pode ser Presidente da Junta que não me interessa. Interessa-me o que está a bold.
Comentário por Helder — Abril 21, 2007 @ 00:23
Então mas o que é que se passa com estes liberais que já não aceitam resultados do mercado?
Comentário por Filipe Brás Almeida — Abril 21, 2007 @ 01:45
Filipe, repito o comentário acima.
Comentário por Helder — Abril 21, 2007 @ 01:54
Caro Helder,
Parafraseando a conhecida frase de Berlin, lucro é lucro, não é “bem-estar de quem inicia projectos”, ou “cumprimento de sonhos pessoais” ou “resposta a desafios individuais”. (E isto tem a ver um pouco com a diferença entre “interesse próprio” e “egoísmo”, conversa mais antiga entre nós.)
Comentário por TIago Mendes — Abril 21, 2007 @ 02:01
Tiago, aceito a crítica, irritei-me e está mal explicado. Tem, contudo, a ver com a maneira como vejo o lucro. Como um meio para as duas primeiras ou o resultado da terceira. Não é um fim em si mesmo. Quanto à outra discussão, ainda um dia hei-de conseguir explicar como entendo a diferença entre “rational egoism”, “egotism” e “interesse próprio”
Obrigado pelo oportuno comentário.
Comentário por Helder — Abril 21, 2007 @ 02:09
E eu repito a minha questão. Não sejam evasivos.
Porque é que agora de repente é um ponto discutível neste blog o que ele ou qualquer outra pessoa faz com um respectivo cargo privado?
Se não gostarem mudam de canal. They call it freedom of choice.
Comentário por Filipe Brás Almeida — Abril 21, 2007 @ 02:48
E eu repito a minha questão. Não sejam evasivos.
Porque é que agora de repente é um ponto discutível neste blog o que ele ou qualquer outra pessoa faz com um respectivo cargo privado?
Se não gostarem mudam de canal. They call it freedom of choice.
[possível post duplicado]
Comentário por Filipe Brás Almeida — Abril 21, 2007 @ 02:50
Pelos vistos o ex-comunista é o unico que nao se pode converter ao capitalismo!!!!!
CAro helder… esta é a liberdade que voces tanto amam, apregoam e bendizem… porque nao praticas mais uma vez esse teu onanismo desenfreado dando vivas ao onanico capitalismo.
A tolice tem os sue limites… mas a insurgencia tenta sempre estarna vanguarda do seu desenvolvimento. Temos compaixao por vos pecadores!!!
Comentário por u cumunista — Abril 21, 2007 @ 09:26
Helder,
A tua definição de lucro tornaria projectos como a Fox ou a Revista Atlântico ilegitimos.
Comentário por Joao Galamba — Abril 21, 2007 @ 10:24
Pegando na tua ideia João Galamba, que me parece correcta, podemos expandi-la para enfim, qualquer actividade filantrópica de iniciativa não coagida, privada e sem fins lucrativos.
Comentário por Filipe Brás Almeida — Abril 21, 2007 @ 17:49
João,
Em relação à definição de lucro, respondi ao Tiago.
Não vejo ilegitimidade nem falta dela em nenhum objectivo dos projectos empresariais, sei é que em cerca de 300.000 empresas portuguesas poucas terão objectivos políticos, embora haja as que os têm e a Atlântico é um bom exemplo. o que me chateia é o que está a bold: “não há nenhum….”. Esta convicção é típica do processo de auto-redenção de ex-marxistas que se tornaram agentes do capitalismo.
Se esta questão da Prisa for ilegítima não é por essa razão. Se os partidos querem ser proprietários de meios de comunicação, não seria eu que tentaria impedi-los, pelo contrário.
Filipe,
releia lá outra vez e verá que as razões que acho mais importantes incluem “qualquer actividade filantrópica de iniciativa não coagida, privada e sem fins lucrativos.”
Comentário por Helder — Abril 21, 2007 @ 21:14
Desculpe lá, Helder,
Mas a Prisa tem todo o direito a fazer o que quiser!
Penso que os accionistas da Prisa querem maior return on equity. Apenas isso. Se o conseguirem com o Pina, óptimo. Se não o conseguirem, metem-no na rua, independentemente de ele ser Xuxalista! Isso é óbvio.
O Rupert Murdoch tem simpatias de direita, mas apoiou Blair, mas o que o preocupa verdadeiramente é que o Sun, a Fox, o Times and so on, tenham audiência, vendam jornais, e publicdade.
O resto, são sound bites!
Money talks, bullshit walks!
Comentário por Jose Sarney — Abril 21, 2007 @ 22:34
Caro Jose Sarney,
estou-me literalmente nas tintas para a Prisa e para o plano de negócios deles, métodos, accionistas,etc. A mesma coisa para quem é o CEO deles em Portugal ou no Kazaquistão. Se a “direita” portuguesa se sente incomodada, preparem um acordo com a COPE e quando forem governo vendam-lhes o canal 1 e “facilitem” outros negócios nos media.
Repare que mencionei Cavaco Silva e Sócrates. O que me incomoda é esta visão colectivista/totalitária que parece unânime nos detentores do Poder (Pina Moura é, objectivamente, detentor do Poder também, de uma maneira ou de outra). Podia incluir outros, de Mário Lino e Paulo Campos ao STJ. Uma alcateia perigosa.
Comentário por Helder — Abril 21, 2007 @ 23:38
Talvez o “não há nenhum” seja exagerado se incluirmos as revistas técnicas. Tirando isso não conheço nenhum jornal generalista ou local que não obedeça a uma visão política.
A comunicação social é composta vários lobbis políticos nem que seja só para defender a “situação”. Só como acessório legitimador vem a informação “serviço público”.
Em resumo discordo do post. A quase totalidade dos projectos de comunicação social é também um projecto ideológico.
Comentário por lucklucky — Abril 21, 2007 @ 23:56
lucklucky, “projecto empresarial” ou seja qualquer um, da venda de sandes de couratos à exploração espacial e, depois, “nomeadamente…”.
Mas pronto, está bem, já percebi que não arranjo maneira de me explicar melhor.
Se os fundadores da YDreams, da Salvador Caetano, do BPI, do café na praça aqui ao pé e do negócio no Edifício Transparente tinham um objectivo político, rendo-me. Senão expliquem-me por favor que eu agradeço. Aceito desenhos, caixas de areia ou sob a forma de telegrama cantado. Muito obrigado.
Comentário por Helder — Abril 22, 2007 @ 00:22
[...] Quando o Helder referiu que as empresas têm como missão dar lucro aos seus accionistas, em resposta à afirmação de Pina Moura de que todas as empresas têm objectivos políticos, [...]
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