O Insurgente

Abril 9, 2007

O povo é sereno (e o marido também)

Arquivar em: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 12:54

O Migas foi recuperar um texto que publiquei no Blasfémias, a tresandar a naftalina (eu próprio já me tinha esquecido que algum dia o tinha escrito) sobre a nomeação de Vara para a CGD.

De facto, à época, estranhei tal nomeação; a desadequação de Vara para o posto de administrador responsável pelo pelouro das participações financeiras era tão gritante que nem um pretenso «amiguismo» justificava a escolha de Teixeira dos Santos: ninguém tem amigos assim.

Permanecem as minhas interrogações, embora o tempo me tenha fornecido algumas pistas: ora então, Morais aprovou Sócrates em quatro das cinco cadeiras que este frequentou na UnI (80% das cadeiras); uns anos mais tarde trabalhou com Vara numa Fundação que deu bronca; vai dai, «marcharam» os dois. Entretanto, o transmontano regressa à CGD, sendo promovido vertiginosamente a Director-Coordenador para a Segurança. Estuda, certamente com empenho, na UnI, onde se licencia em Relações Internacionais. Num ápice, é escolhido pelo governo de Sócrates para a administração da CGD, três dias depois de ter concluido a licenciatura! O patrão, Teixeira dos Santos, justificando a escolha, realça os vinte anos de dedicação bancária e o facto de Vara ser … licenciado (grande homem, três dias depois de te formares e já o ministro das finanças te valoriza o «Dr.»).

Por esses tempos, e enquanto Vara veste a pele de banqueiro, o Sr. Morais, ele próprio, farto certamente da engenharia, diversifica para a gestão, nomeado para o Instituto de Gestão Financeira do Ministério da Justiça; não aqueceu o lugar, tendo sido afastado ao fim de alguns meses: é que uma coisa é nomear amigos licenciados para a administração da CGD, outra bem diferente é recrutar num restaurante uma brasileira, de seu nome Neidi, e promovê-la a algo parecido a coordenadora do gabinete de logística. Seria interessante ouvir a senhora dona Neidi, perceber as razões da sua contratação e as contingências da demissão de Morais. Fico com a sensação que há ali uma bela história, digna deste nosso Portugal no seu melhor.

Vai dai, a UnI implode, reitor e vice-reitor degladiam-se na televisão, acusando o outro de lhe ter pago a piscina, de se dedicar aos diamantes e aos cheques carecas: é caso para dizer, tudo boa gente. Um dos visados, alega, de forma enigmática, «que a sua licenciatura vale tanto como a do primeiro-ministro». Vi logo que vinha aí bronca. Cai o conselho reitoral.

O novo conselho reitoral é indigitado, e quem divulga o facto à imprensa, «a título pessoal», é um colaborador de Agusto Santos Silva, ministro dos assuntos parlamentares. Qual Morais, descoberta a «careca», o assessor Carlos Narciso é demitido. Já o novo reitor, doutorado recentemente em Badajoz (terra de caramelos, maternidades, abortadeiras e, ao que parece, graus académicos), deputado à Assembleia Municipal de Salvaterra de Magos(!) pelo BdE, trabalhador na CGD sob a alçada de Vara, esquece-se de citar no CV a sua ligação bancária, enquanto considera relevante que todos saibamos da sua paixão pelo yoga e pela horticultura.

Vara diz que não sabia que Morais tinha sido «profe» do amigo Sócrates. E não conhece o novo reitor. Esperam-se novos capítulos.

Algures no país real, marido fora, o canalizador sai de casa da vizinha às duas da manhã. Ela, em roupão de cetim, mal apertado, afirma ofegante que teve uma «inflitração». Obviamente, nós acreditamos. O marido também. Ela até pagou, e mostrou-lhe a factura…

11 Comentários »

  1. “outra bem diferente é recrutar num restaurante uma brasileira, de seu nome Neidi, e promovê-la a algo parecido a coordenadora do gabinete de logística”

    Estou perdido. Isto aconteceu mesmo ?

    Comentário por nelson goncalves — Abril 9, 2007 @ 14:26

  2. ««Estou perdido. Isto aconteceu mesmo ?»»

    Aconteceu:

    http://jn.sapo.pt/2006/01/07/sociedade/nomeacao_polemica_provoca_tres_demis.html

    Comentário por JoaoMiranda — Abril 9, 2007 @ 14:46

  3. Visite e divulgue:
    http://holocausto-shoah.blogspot.com/

    Comentário por MJ — Abril 9, 2007 @ 15:20

  4. “Aconteceu:”

    Jasus, como é que um político com aspirações a primeiro-ministro se deixa envolver neste tipo de coisas ? Mas esta gente não sabe que à mulher de César não basta sê-lo, há que parecê-lo ?

    Comentário por nelson goncalves — Abril 9, 2007 @ 15:51

  5. Pois…

    Comentário por André Azevedo Alves — Abril 9, 2007 @ 16:29

  6. Nao eh justo. Uma pessoa estah fora destas lides tres ou quatro dias, regressa e fica sem tempo util para ler tudo. Sem tempo e sem folego. Mas com uma vergonha do caraças… a “salada” eh demasiadamente densa para que se passe ao lado. Brasileiras, Sr Bacalhau, CGD, Armando Vara, diplomas ao domingo, reitores a cair, outros a levantar… hummm…. engenheiros, como diria o nosso amigo alentejano das anedotas :)

    Comentário por espumante — Abril 9, 2007 @ 17:02

  7. Acho um verdadeiro desperdício que não se explore mais a fundo todo o imenso potencial da estória da Neidi.

    Comentário por AS — Abril 9, 2007 @ 19:29

  8. Digo mesmo mais. Quem demonstra assim ser um rapaz prático e expedito numa acção de recrutamento não merece ser afastado do cargo. No fundo, foi uma acção de “head-hunting”, criativa, adaptada ao target.

    Comentário por AS — Abril 9, 2007 @ 19:50

  9. [...] O povo é sereno (e o marido também), mas face aos dados que se vão acumulando, falta saber até quando. [...]

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  10. [...] azarado do dia é mesmo o marido da minha vizinha, que me consultou por questões fiscais. Saiu de casa indignado, ao saber que as despesas com [...]

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