Luciano Amaral, na Atlântico 25:
A Atlântico pôs, portanto, uma grande quantidade de gente a escrever com cuidado (nos blogues nem sempre se escreve com cuidado, e às vezes até fica mal). Gosto de pensar que, um dia, daqui a vinte anos, a Atlântico desaparecida, alguém pegará por acaso num dos seus exemplares e dirá: “olha onde este começou…”, “e este…”, e por aí fora, num compêndio de celebridades do futuro. E tenho a impressão de que vai mesmo ser assim.
Foi assim nos últimos dois anos, e creio que continuará a sê-lo nos próximos. O mundo e o país estão interessantes. Não quer dizer que estejam bem. Quer apenas dizer que oferecem muito material para quem se dedica a pensar e a escrever um pouco sobre eles. Todos temos consciência de que uma certa era terminou. O optimismo com que vivemos o fim da Guerra Fria e a prosperidade do país nos anos 80 e 90 desapareceu. Há uma sensação de crise tanto no mundo ocidental quanto no país. A sensação de estarmos a entrar em território não cartografado. São os melhores momentos para reflectir.
Nem sempre foi fácil manter esta publicação em funcionamento. Se ela sobreviveu dois anos, deve-o a muita gente e, mais do que a quaisquer outros, àqueles que a dirigiram. Refiro-me aos nossos directores, a Helena Matos, ao início, e o Paulo Pinto Mascarenhas, agora.