Um dia na Assembleia

A Semana Política
11/03/07-17/03/07

Esperava-se um dia rotineiro na Assembleia da República, com apenas mais uma aborrecida reunião da Comissão Parlamentar do Orçamento e Finanças. Mas Jorge Neto, deputado do PSD pelo círculo do Porto, não estava pelos ajustes. Mesmo não pertencendo à dita Comissão, Jorge Neto não quis desperdiçar uma oportunidade de atacar publicamente Carlos Tavares, presidente da CMVM.

O deputado laranja acusou Tavares de “falta de independência” no processo da OPA da Sonaecom sobre a PT. Aparentemente, numa entrevista ao Jornal de Negócios, o ex-ministro da Economia terá afirmado que seria “importante que a OPA chegasse ao mercado e não fosse travada” na Assembleia Geral da PT, coisa que Jorge Neto considera violar os “cânones de independência e imparcialidade” que devem caber a um regulador. E Jorge Neto sabe do que fala, visto ser um verdadeiro especialista na violação dos “cânones de independência e parcialidade”. Pois acumula o seu cargo de deputado com o depresidente de uma Associação dos Accionistas Minoritários da PT, cujos membros são, eles próprios uma minoria dos accionistas minoritários da PT, e representante de uma holding pertencente a um elemento próximo do Espírito Santo, e portanto, segunda voz do dito Banco na oposição à OPA.

E foi isso que Carlos Tavares procurou lembrar ao deputado do PSD. Parecia que uma cena de violência iria rebentar naquela pequena sala. Mas a ocorrer, foi apenas na imaginação de Carlos Tavares. Este afirmou que sendo Jorge Neto deputado, não lhe poderia “responder à letra”, como lhe responderia se ele estivesse ali na qualidade de parte interessada no negócio, utilizando “em vão” o “nome dos pequenos accionistas” da PT, representando “na verdade” um “grande accionista”. Foi pudor que Jorge Neto não quis ter. Pois usou o mandato que os cidadãos lhe atribuíram no acto eleitoral para defender os seus interesses pessoais enquanto “homem de negócios”. Em poucos segundos, e com uma singela afirmação, Jorge Neto conseguiu confirmar todos os preconceitos que o comum português tem em relação aos políticos. E, apesar da demarcação de Miguel Frasquilho, Jorge Neto acaba por colar o PSD a essa sua atitude, minando a credibilidade do partido e do seu líder.

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