Arnaldo Jabor e a entrevista a “Marcola” do PCC

Verdadeiramente “arrepiante” é que uma crónica de Arnaldo Jabor passe por uma suposta entrevista de um jornalista anónimo da Globo a “Marcola” do PCC.

Mais um bom exemplo de como, para a esquerda, a predisposição para acreditar no que lhe é conveniente facilmente se sobrepõe não só ao rigor dos factos (os quais, como é sabido, teimam em ser reaccionários) como ao próprio bom senso.

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11 thoughts on “Arnaldo Jabor e a entrevista a “Marcola” do PCC

  1. Fui levado ao engano, nada de mais. Mas porque é que o raio da entrevista seria conveniente a quem quer que fosse? Não andará por aí um pouco de paranóia?

  2. Quanto à parte de ser levado ao engano, de acordo: todos estamos sujeitos a isso.

    Quanto à entrevista ser conveniente para a esquerda, basta atentar no padrão de explicações para a criminalidade que a entrevista ficcionada por Arnaldo Jabor invoca. Ou então que o LR reflicta porque entendeu divulgá-la depois de a ler…

  3. Não preciso de reflectir: pareceu-me um delírio elaboradíssimo por parte do que eu julgava ser apenas um gangster em larga escala. como pode lá ler, não tirei uma única ilação do texto. Apresentei-o com a frase: “Baudrillard gostaria por certo de ter lido esta entrevista” (pois ela fala de novas realidades, novos cenários para a criminalidade), mão com “vejam bem o que o capitalismo anda a fazer no Brasil” ou parvoíce similar.
    Continuo sem entender, mui sinceramente, em que é que ela seria conveniente à esquerda: por ser uma visão derrotista da luta contra o crime organizado? Isso é ideia de esquerda, ter de lançar bombas atómicas nas favelas? Não vejo a relação.

  4. “Eu era pobre e invisível… vocês nunca me olharam durante décadas… E antigamente era mole resolver o problema da miséria…O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, raras periferias.
    A solução que nunca vinha…Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós?
    Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a “beleza dos morros ao amanhecer”, essas coisas… Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo…
    Nós somos início tardio de vossa consciência social…”

  5. “Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento económico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma “tirania esclarecida”, que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC…) e do Judiciário, que impede punições.”

  6. Ai é coisa de esquerda pensar que a miséria no Brasil é algo de deplorável? E que pouco tem sido feita quanto a ela, seja por quem for, Lula incluído? Então, está bem; deve ser coisa de esquerda e eu também.
    Já aquilo das bombas atómicas sobre a favela e das “tiranias esclarecidas” já me parece mais coisa do Pedro Arroja, desculpem lá.

  7. Quanto a isso do Jabor ser de esquerda, juro que estou inocente. E nem sabia, como calcula, que o texto era dele. Pareceu-me sim uma entrevista com muito copydesk… que querem; sou um romântico crónico. Mas não me convence lá muito enquanto programa de esquerda para atacar a miséria no Rio.

  8. Pessoas,

    Por aqui, no Brasil, o Jabor está mais à direita… e esse pânico gerado pelo texto do Jabor nunca beneficiaria a esquerda, pois que esta está no governo e pode até ser responsabilizada em caso de um ataque do submundo!

    Que tipo de raciocínio os senhores estão usando, se posso saber?

  9. O medo gera monstros, internos e externos.
    Diante de um caos social imenso, estamos reféns das verdades tristemente chocantes e das mentiras grandiosas, q espelham nosso sentimento tortuoso em relação a dívida social q todos nós q não estamos miseráveis carregamos.
    Não sei responder quem somos nós, classe média, ou o q pensamos ou como agimos diante desse universo violento de criminalidade e injustiça social. Vivemos o conflito da culpa e da raiva dimensionada pelo medo.
    Já trabalhei em ONG com projetos sociais em comunidades carentes e diante da falta de mudanças na vida das pessoas assistidas me afastei.
    O Rio é difinitivamente uma cidade linda. E nós cariocas já não conseguimos vê-la assim.

  10. Gente, o Arnaldo Jabor ser de esquerda é brincadeira!Na verdade a entrevista, como disse um colega aqui anteriormente, serviu para justificar certa mentalidade de direita muito forte no Brasil hoje.

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