Caro BrainstormZ,
É verdade o que dizes. Agora, reforço, a eficácia do sistema fiscal é um valor em si, sendo a) compatível com; b) necessária para que haja; uma redução sustentada da despesa. Acrescem-se juizos de equidade entre os cidadãos, equidade essa que está ferida de morte pelo elevado nível de incumprimento que ainda se verifica em Portugal.
Obviamente, a eficácia deveria ser promovida no respeito pelas garantias dos contribuintes, algo que se constata ser difícil de assegurar, dada a pressão sobre a receita, a automatização/informatização de procedimentos e uma certa cultura de excessivo imperium que, sendo menor, infelizmente ainda persiste em alguma administração pública/tribunais.
Outra coisa é que não haja vontade política para reduzir a despesa, e que a eficácia e o ‘combate à fraude e evasão fiscal’ funcionem como panaceia para adiar reformas. Sempre que ouço que os milhares de milhões que constituem a fraude seriam ‘suficientes’ para cobrir o défice fico arrepiado, pois o elo de ligação é objectivamente perverso: nesta linha, não é o Estado que gasta demais, são os contribuintes que não pagam o que devem. Ideia errada, pois nem o Orçamento de Estado contempla esses ‘milhões’, nem o sector público justifica a sua existência na mera receita, mas numa dada racionalidade das suas funções.
Em qualquer caso, os impostos em vigor devem ser cobrados. Para tal existe a Fazenda Pública. O seu papel é de recoletores da receita. É essa a função de Paulo Macedo e sua equipa. Já a discussão sobre os impostos que temos, o que os justifica, e para onde devem ser canalizados, cabe ao poder político e aos cidadãos.
Mmmm. Isto levanta questões interessantes. Até http://wwque ponto é ético um indivíduo ser impecavalmente competente na execução de uma lei injusta? Não deveria uma pessoa de bem, colocada perante esta situação, exercer uma “objecção de consciência”, recusando o cargo?
Fala-se nos milhões e milhões que “escapam” ao fisco por via da evasão e da fraude. No entanto, temos uma carga fiscal que não fica muito longe da média europeia (perto de 90% creio). Estes factos são fortemente indicativos de que “by design” o nosso sistema fiscal é brutalmente desigual e injusto. Quem faz cumprir a lei eficientemente está a ser um veículo activo no cometimento da injustiça. E nem sequer pode alegar disciplina militar…
Isto lembra-me John Galt a ajudar na reparação técnica da máquina de tortura que ia ser usada no seu próprio interrogatório/sessão de “persuasão”.
Comentário por Migas — Março 6, 2007 @ 19:57
Tem toda a razão caro Migas.
Esta coisa de que aquilo que o Estado proclama deve ser cumprido…
Comentário por CN — Março 7, 2007 @ 09:24
«… equidade essa que está ferida de morte pelo elevado nível de incumprimento que ainda se verifica em Portugal.», 06 de Março de 2007 às 6:58 pm por Rodrigo Adão da Fonseca
Como é que sabe ? Em que dados estatísticos baseou esta afirmação ? Qual é o montante de incumprimento explicado por falta de capacidade de pagamento ? Os especialistas conseguem distinguir fraude, evasão fiscal, dívida ao fisco, incapacidade para cumprir, capacidade para não ser tributado indevidamente (ou, em linguagem mais terra-a-terra, capacidade para não ser comido pelo Estado) ?
Comentário por AS — Março 7, 2007 @ 22:20