A Matança do Porco
Na véspera do seu último dia, o porco não come, por forma a ter as tripas (que eram e são todas aproveitadas) menos cheias e mais limpas. Uns dias antes do grande momento e conforme o vagar, homens e rapazes mais novos apanhavam o tojo (planta espinhosa, que dá umas flores amarelas, considerado como “mato”, criado na serra algarvia, junto das estevas) que tem como característica arder muito bem. O tojo ficava na rua, a secar. Era dividido, espalhado em pouca quantidade ao longo do corpo do animal e acesso. Para levar a cabo este trabalho, utilizava-se uma forquilha. Depois de chamuscado, para “fazer a barba” (retirar os pêlos) ao porco, era utilizada uma telha normal, a que se juntava água, para melhor tirar a pelagem que cobre o corpo do animal. No passo seguinte, os homens raspavam as facas com grandes cumes pela pele ainda quente do suíno. A raspagem tornava-se, assim, mais eficaz. Hoje, em nome da rapidez e resultado final, o maçarico a gás, tomou o lugar do tojo. As facas continuam a ser utilizadas para se desfazer a barba do porco.
O matador era e continua a ser o protagonista principal da acção. A sua função, que lhe está no hábito, é essencial: não só no entranhar certeiro da faca de dois gumes no coração do porco mas na necessária tarefa de o abrir pelo ventre. Entre grunhidos que parecem adivinhar o destino traçado, emitidos desde que é retirado à pocilga até que é conduzido ao estrado, o porco é ali deitado, amarrado por cordas e agarrado pela força dos braços dos homens. O matador sabe o que fazer. E executa uma vez mais, o golpe fulminante. A vida do suíno esvai-se em não mais que dez segundos. O silêncio é total.
(Continua)
[...] o Rui Carmo e a sua Matança do Porco algarvia convenceram-nos a pedir-lhe para se juntar a nós, e fazer as delícias dos amantes da [...]
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