“Esmagados” é o título do texto de José Mendonça da Cruz, editor-chefe da revista SRD, na edição de Março, a propósito da publicação de um artigo que procura indentificar quantos e que impostos paga uma família portuguesa da classe média. “Impostos – Afinal Quanto Pagamos?“, tem como sub-título “As contas todas de quanto o fisco leva a uma família. Ou como o Estado sufoca os cidadãos, desencoraja a produtividade e condena a economia”.
No caso desta família, o resultado a que chegaram, foi de 60% de impostos/contribuições para o Estado, sobre o seu rendimento bruto.
Fazendo contas simples, 60% de 365 dias são 219 dias – se eu não me enganei a contar, só no dia 7 de Agosto esta família deixa de trabalhar para pagar impostos (presumindo uma distribuição, do rendimento, igual ao longo do ano).
Eis o texto do referido editorial:
Com tantos jornalistas a fazerem suas as dores do Governo, a questão dos impostos é as mais das vezes tratada pelo lado do poder, de quem cobra, e não da maioria dos leitores, os contribuintes, os que pagam. As mais das vezes, o tema dos impostos vem à boca de cena para se atribuirem culpas em tom moralista e supostamente solidário, como se fosse porque há faltosos (a mesma percentagem que em qualquer outro país da Europa) que o fisco nos leva tanto para o Estado gastar ainda mais (a despesa pública continua a subir).Nesta edição tomámos o exemplo de uma família da classe média e, com a sua ajuda, somámos passo a passo, rubrica a rubrica, tudo o que paga anualmente em impostos directos e indirectos. O resultado é sufocante. Como, aliás, na vida real.
Num clima malsão de inveja e miserabilismo, já se antecipa a objecção de que esta família-cobaia tem segunda casa e dois carros, portanto é rica e tem que pagar. Mas o ponto não é esse. O ponto é que – em troca, alegadamente, de Saúde (medíocre), Justiça (insatisfatória), Educação (má), Segurança (pouca), Assistência Social (limitada) e Obras Públicas (faraónicas) que alguém já teve o atrevimento de chamar «gratuitas» – esta família é esmagada e desincentivada pelos impostos e deixa de poder poupar e investir, ou seja, contribuir para a economia. Já para as empresas o cenário é diferente: num quadro fiscal paralisante mas global, o Estado não tem outro remédio senão criar isenções, deduções e subsídios, ou seja, negócios de excepção. É isso, ou as empresas fecham (as nacionais) ou vão-se embora (as outras).
Para quem abomina a economia de mercado e a classe média, e acredita que o Estado é que é o motor da economia, isto está assim muito bem. Mas a bondade destas teses está, neste preciso momento, a ser testada ao vivo em Portugal. E o problema é que os resultados nos fazem cada vez mais pobres.
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Pingback por Cortar a Direito :: Esmagados :: February :: 2007 — Fevereiro 27, 2007 @ 17:20
Excelente editorial e excelente iniciativa.
Comentário por AAA — Fevereiro 27, 2007 @ 22:15