Ainda o Estado Novo. Por Pedro Arroja.
Não é de mais insistir, o Estado Novo correspondeu a um grande período de progresso económico, sobretudo a partir do início da década de 50. E a geração que agora tem 35 anos ou menos e que nunca conheceu o Estado Novo, faria melhor em estudar a realidade do que deixar-se embevecer com a propaganda que, literalmente, lhe meteram na cabeça.
Fiquei um pouco surpreendido com a polémica que estes posts de Pedro Arroja, que no essencial se limitam a apontar dados históricos, desencadearam. Aparentemente, o véu de propaganda marxista que cobre a história contemporânea portuguesa é ainda mais espesso do que eu julgava, pelo menos no que diz respeito às concepções prevalecentes entre quem tem conhecimentos limitados sobre as matérias em análise e, por isso, reage essencialmente de forma emocional e reproduzindo a propaganda que que lhe foi inculcada (consciente ou inconscientemente) através do sistema de ensino ou da comunicação social.
Acrescentaria no entanto duas notas:
1- O período de verdadeiro dinamismo económico do Estado Novo (o “milagre económico português”, como chegou a ser referido na imprensa internacional) deu-se entre 1960 e 1973, correspondendo à entrada na EFTA e a uma maior abertura económica interna e externa.
2- Na análise do período pós-1974, é preciso atender às desastrosas consequências económicas das políticas seguidas após o 25 de Abril e, em particular, das nacionalizações, do descalabro monetário e do dirigismo estatal. O mal que foi feito por políticas inspiradas (e em muitos casos conduzidas) pela extrema-esquerda nesse período constituiu uma verdadeira calamidade cujos efeitos se prolongaram no tempo e ainda hoje se fazem sentir (veja-se por exemplo o absurdo texto constitucional a que continuamos sujeitos).
Pelo menos até certo ponto, parece-me por isso injusto julgar a situação pós-1974 sem ter em conta os graves (e excepcionais) danos provocados pela tentativa (felizmente frustrada) de estabelecer em Portugal um regime socialista totalitário. Se tivermos em conta apenas o período de (relativa) normalização, após 1985, o desempenho até ao presente é relativamente medíocre mas bem menos sombrio (ainda que inferior ao dinamismo da última parte do Estado Novo) do que se considerarmos todo o período desde 1974.
A verdade é que Portugal ainda não ultrapassou os “efeitos” de Abril. Desde à nossa constituição, passando pelo código laboral, até à mentalidade das pessoas. A revolução, que a maioria das pessoas ainda pensa ter sido para instaurar uma democracia, foi na verdade uma tentativa de instaurar um regime totalitário em Portugal que teve o seu apogeu no 11 de Março. O pior é ainda sofremos com essa “experiência”.
Comentário por gpn — Fevereiro 19, 2007 @ 09:29