“Pirâmides” de Paulo Pinho no Diário Económico
São sobejamente conhecidos os sistemas de pirâmide. No mais básico, os “investidores” são atraídos em troca de um atractivo “benefício garantido”. À medida que novos incautos aderem ao sistema, os fundos por si entregues são directamente passados aos primeiros. Nenhuma quantia é objecto de qualquer investimento reprodutivo. Para que o sistema funcione é necessário que o número de novos “investidores” aumente em progressão geométrica, mesmo nos modelos em que os participantes iniciais acabem por ser excluídos ao fim de alguns períodos. Contudo, um dia, torna-se impossível sustentar tal crescimento, o que por sua vez torna impossível assegurar os pagamentos prometidos. Então, a pirâmide colapsa.
O leitor reconhecerá na descrição acima semelhanças excessivamente evidentes com uma situação real, extremamente preocupante. Não estou a referir-me a selos mas, como é óbvio, à Segurança Social Europeia. Salvaguardadas, como é óbvio, as devidas e respeitáveis diferenças, designadamente, porque aqui é mais modesta a relação entre a base e o topo da pirâmide.(…)
Ora, normalmente, os sistemas de pirâmide não têm salvação. O problema pode ser minorado, mas nunca satisfatoriamente resolvido. Isto significa que todos os participantes no sistema vão ter perdas face àquilo que eram as suas expectativas iniciais. Um dia, a sociedade vai ter de decidir quanto vão os actuais beneficiários perder, quanto vai a próxima geração de beneficiários receber a menos do que a sua expectativa inicial e quanto vão os actuais contribuintes pagar a mais. Esse é o debate que vai inevitavelmente dominar a sociedade nos próximos anos e a ele voltarei no próximo artigo.
[...] Não estou a referir-me a selos mas, como é óbvio, à Segurança Social Europeia… Autor: MS [...]
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