O Insurgente

Fevereiro 4, 2007

O olhar assassino de Marques Mendes

Filed under: Colunas,Política,Portugal — Bruno Alves @ 21:50

A Semana Política
28/01/07-03/02/07

Parecia que a violência seria inevitável. Ninguém parecia ser capaz de evitar o confronto físico, as “vias de facto”, como dizem agora os jornalistas. O Líbano, Bagdad, até mesmo uma reunião do executivo da Câmara Municipal de Lisboa seriam cenários mais pacíficos do que a sede da Ajuda de Berço, quando, na passada 4ª-feira, Luís Marques Mendes visitou a dita instituição, e lançou, a um insistente jornalista da RTP, o olhar que um John Wayne dirige a um pistoleiro rival, um Dirty Harry a um traficante de droga, um deputado do CDS/PP ao líder do partido, Ribeiro e Castro. Pois se o Primeiro-Ministro pôde passar a primeira semana de campanha oficial para o referendo de 11 de Fevereiro em visita à China, o líder do PSD não teve a mesma sorte (e muito menos os meios de transporte oferecidos pelo poder e pagos pelo contribuinte).

Francisco Louçã, dirigente do BE e homem que, numa campanha em que alguns questionam se há vida antes do nascimento, torna premente a questão de se há ou não vida depois da morte política, havia criticado Marques Mendes por, na Assembleia, ter aprovado a pergunta do referendo e estar agora a criticá-la. Louçã afirmara que o “Marques Mendes de Aveiro acusou o Marques Mendes de Lisboa de ter aprovado uma pergunta enganosa escolhida por ele próprio”. O Marques Mendes da Buraca (local da visita) acusou o Louçã de Leningrado de ser “um radical do sim”, e portanto, nem sequer merecedor de uma resposta. O jornalista da RTP, com aquela insistência que fica sempre no bolso quando o entrevistado é José Sócrates, perguntou ao líder do PSD o que ele pensava da pergunta, apesar de Mendes ter já deixado bem claro que não iria fazer qualquer comentário acerca dela. E foi então que Marques Mendes recorreu, pela primeira vez, à arma que lhe poderá salvar a carreira política.

Alguns dos seus deputados acusam-no de falta de “vivacidade”. Um autarca de Gaia, um senhor Menezes, acha que lhe falta “acutilância”. E até um ex-boxeur ministro de Durão Barroso e Santana Lopes o acusou de ser parco em “ideias” e “carisma”. De facto, Marques Mendes bem pode chamar a atenção para a latejante veia propagandística do Governo, ou para os megalómanos projectos que saem do bolso dos Armani do Primeiro-Ministro, ou até para as reformas que ficam perdidas no caminho de São Bento para os inúmeros “eventos” que Sócrates abençoa com a sua presença, que não será isso que conquistará a simpatia dos “exércitos” do “guerreiro menino” ou dos outros dois rapazes. Já aquele olhar, esse, punha-os no lugar. Ninguém quer criticar um homem que olha para um opositor daquela forma. E nem a propaganda de Sócrates poderia resistir à firmeza que transmite aquele olhar de quem não precisa de balas no revólver para marcar um encontro do adversário com o seu Criador (no caso de Sócrates, Guterres).

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