Quando a liderança destacada de António de Oliveira Salazar na votação promovida pelo concurso Grandes Portugueses é já provavelmente grande demais para que seja possível evitar a sua vitória sem uma manobra potencialmente arriscada para quem caísse nessa tentação, parece que começou a preocupação com a gestão de danos.
Penso no entanto que será preciso pensar em algo muito melhor que isto para resolver o problema. Com as notícias que vêm saindo sobre o assunto pelo menos uma coisa é já praticamente certa: a menos que algo de muito estranho aconteça, Salazar vencerá destacado também a segunda votação.
Como já escrevi, se não servir para mais nada (e a utilidade deste tipo de exercícios é sempre muito duvidosa), era bom que o concurso servisse pelo menos para que que os principais responsáveis pela rígida estrutura do pensamento politicamente correcto que atrofia Portugal há 30 anos reflectissem sobre a sua conduta e começassem a ponderar seriamente sobre o mal que esse ambiente está a fazer ao país e o perigoso caldo de cultura que tem ajudado a gerar.
Os primeiros sinais são de que a reacção à vitória de Salazar (admitindo que nada de anormal acontece até ao fim da votação) será fechar os olhos e insistir no mesmo discurso gasto de diabolização irracional do Estado Novo. O que poderá servir outras agendas (como a de manter um regime tutelado pela esquerda e pela extrema-esquerda) mas é o pior caminho possível para quem queira defender uma democracia verdadeiramente pluralista.
No dia em que Cavaco Silva ganhou, escrevi no meu blog que tínhamos chegado a 26 de Abril. Acabava-se o estigma do 25 de Abril e poderíamos viver sem esse trauma.
Se Salazar ganhar os Grandes Portugueses voltaremos ao 24 de Abril. E aí podem contar comigo para exigir que o ensino da História recente de Portugal seja adensado nos programas oficiais, para que se aumentem as comemorações oficiais do 25 de Abril.
Viver sem o estigma do 25 de Abril não é idolatrar um ditador como o André faz. Tenho pena que a direita pense assim. E penso que lhe custará caro.
Comentário por Pedro Morgado — Janeiro 30, 2007 @ 21:12
«Viver sem o estigma do 25 de Abril não é idolatrar um ditador como o André faz.»
É precisamente este tipo de mentalidade pequena que faz Salazar ter este protagonismo. Tivéssemos uma transição normal para a democracia, sem aventurismos progressistas, e hoje Salazar era visto sem preconceitos e de certo não iria ter tanto destaque.
Comentário por Mário — Janeiro 30, 2007 @ 21:52
“…idolatrar um ditador como o André faz.”
Por mais voltas que dê não consigo entender onde se vai buscar isto nos posts do André.
Comentário por helder — Janeiro 30, 2007 @ 21:56
“É precisamente este tipo de mentalidade pequena que faz Salazar ter este protagonismo.”
Exactamente. Como aliás tentei demonstrar no meu post. Aparentemente há cabecinhas demasiado pequenas para compreenderem…
Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 30, 2007 @ 22:17
“Por mais voltas que dê não consigo entender onde se vai buscar isto nos posts do André.”
O texto tem codificada uma mensagem que diz “Viva Salazar!”, mas só gente de esquerda muito inteligente é que a consegue ler.
Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 30, 2007 @ 22:21
Ah! Então é por isso.
E julgava eu que era o meu descodificador de tecnologia reptiliana que se encontrava avariado..
Comentário por Anónimo — Janeiro 30, 2007 @ 22:28
Concordo com o Mário:se não tivesse havido a veleidade de omitir a grandeza,incontestável,que Salazar protagonizou num dado momento da nossa História,decerto que não seria considerado o”maior”português,como se “arrisca”a ser,como reacção ao ostracismo a que o quiseram votar.
Comentário por Cristina Ribeiro — Janeiro 30, 2007 @ 22:38
Não conseguiria viver num Reginme do tipo Salazarista (vivi, ainda em tenra idade).
Jamais votaria em Salazar (aliás, votei noutra figura).
Contudo, o que se passa é que esta “manifestação”, não é artificial ou vazia. Para quem pense um pouco, é uma reacção identica à bagunça da I República.
Se não houvesse “Euro” e “UE”, já cá estava a “arriata”, outra vez. Sem organização (e a Abrilada não gosta de organização), há uma tentação e um desejo pela Ordem!
Cuidem-se. Eu estarei preparado, para sair se necessário…..aliás, com o actual apodrecimento, também!
Comentário por Jose Sarney — Janeiro 30, 2007 @ 22:47
Caro André,
Enagana-se quando diz que sou de esquerda.
A “mentalidade pequena” não discuto. São opiniões.
Folgo em saber que não tem argumentos para além do ataque pessoal.
«Fugir ao assunto: Stephen Downes
Universidade de Alberta
As falácias desta secção fogem ao assunto, discutindo a pessoa que avançou um argumento em vez de discutir razões para aceitar ou não aceitar a conclusão.
Ataques pessoais (argumentum ad hominem)
Ataca-se pessoa que apresentou um argumento e não o argumento que apresentou. A falácia ad hominem assume muitas formas. Ataca, por exemplo, o carácter, a nacionalidade, a raça ou a religião da pessoa. Em outros casos, a falácia sugere que a pessoa, por ter algo tem algo a ganhar com o argumento, é movida pelo interesse. A pessoa pode ainda ser atacada por associação ou pelas suas companhias.
Há três formas maiores da falácia ad hominem:
(a que usam aqui)
Ad hominem (abusivo): em vez de atacar uma afirmação, o argumento ataca pessoa que a proferiu.»
http://avenidacentral.blogspot.com/2007/01/fraude-nos-grandes-portugueses.html
Comentário por Pedro Morgado — Janeiro 30, 2007 @ 22:52
Isto é realmente hilariante. Depois de lançar um primeiro comentário onde descobre uma adoração do André por Salazar, baseada em absolutamente nada a não ser preconceito, o Pedro Morgado vem atirar com o guia das falácias de Stephen Downes (que por acaso conheço, o guia), para se fazer de vítima. Veja lá se descobre a sua falácia, já que tem o guia à mão.
Comentário por Mário — Janeiro 30, 2007 @ 23:19
É este o típico democrata para os liberais.
Comentário por The Observer — Janeiro 30, 2007 @ 23:27
“Isto é realmente hilariante. Depois de lançar um primeiro comentário onde descobre uma adoração do André por Salazar, baseada em absolutamente nada a não ser preconceito, o Pedro Morgado vem atirar com o guia das falácias de Stephen Downes (que por acaso conheço, o guia), para se fazer de vítima.”
Pensei exactamente a mesma coisa. Fantástico…
Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 30, 2007 @ 23:40
A vitória de Salazar e o previsível resultao a obter por Cunhal é mais que previsível. A forma como apresentaram o programa, sem qualquer critério de escolha das áreas onde os votantes decidiriam qual a figura histórica preferida na política, artes, literatura, descobrimentos, ciência, etc., viciou o resultado final. De um lado, ficaram os seguidores da superstição soviética, que nos lembram os excêntricos seguidores da religião akhenatoniana que ainda pululam nos EUA. Maioritariamente, ficam aqueles que sempre desejosos de encontrar quem se dê ao trabalho de pensar por todos e sobretudo, de trabalhar por todos. Salazar é a escolha óbvia, porque a mais próxima. Há cem anos teria sido Fontes Pereira de Melo e há duzentos, Pombal (claro…).
Já agora, pensemos o que tería acontecido neste país, se os bandidos Buiça e Costa (e os seus mandantes António José de Almeida, Afonso Costa, Alpoim e Ribeira Brava) não tivessem conseguido assassinar o rei e o príncipe. Tinham-nos poupado a muitas maçadas. Foram 80 anos de parlamentarismo e liberdades civis deitados ao lixo. Iniciámos a espiral de demagogia e violência que conduziu-nos ao desastre da I república (com a demagogia imperante, desastre financeiro, terrorismo à solta nas ruas, rebaixamento da dignidade nacional ao ponto mais baixo), ao Estado Novo (que deu no que se viu) e a esta democracia de fachada, onde os banqueiros é que mandam (lembram–se da dissolução decorrente da ameaça do aumento dos impostos aos bancos?) Na verdade, o 1º de Fevereiro de 1908 e o 5 de Outubro, consistiram nos maiores golpes e vitórias que a direita e os poderes fácticos obtiveram para a obtenção do total controle do aparelho do Estado. Faltava o representante máximo do país. Finalmente conseguiram e duvido que o percam nos próximos vinte anos (aí vem o Durão e depois não sabemos quem mais). Quando aqueles pobres diabos de bigode e descalços se colocaram de carabina em riste à guarda das portas dos bancos no 5 de Outubro, mostraram qual sería a foto portuguesa do século XX.
Comentário por Nuno C. Branco — Janeiro 31, 2007 @ 00:25
Na véspera de recordar a TRAGÉDIA que foi para Portugal o dia 1 de Fevereiro de há 99 anos,este comentário de Nuno C.Branco vem-nos relembrar a mediocridade em que temos vivido desde então,a qual,concordo inteiramente,parece estar para durar.
(Declaração de intenções:votei em D.Afonso Henriques,o que não me impede de reconhecer os méritos de outras figuras de grandes portugueses,Salazar incluído,olhando ao papel que desempenharam em alturas críticas da vida portuguesa)
Comentário por Cristina Ribeiro — Janeiro 31, 2007 @ 10:50