Falar do que não se sabe dá nisto. Uma simples consulta ao Código de Direito Canónico (acto para o qual julgo não ser requerido um doutoramento na especialidade), permitiria verificar o que diz o Cânone 1398, que não deixa margens para dúvidas:
Quem procurar o aborto seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.
A excomunhão é latae sententiae pelo simples facto de que, pela sua acção, a pessoa se auto-exclui da comunhão com a Igreja. Note-se que a excomunhão se aplica quando a pessoa que pratica o delito está plenamente consciente da sua gravidade e, ainda assim, opta deliberadamente por cometê-lo. Mesmo nesses casos, como não podia deixar de ser, é possível (e aconselhável) o arrependimento. Também por isso não me causa estranheza que haja quem tenha cometido (ou ajudado a cometer) um aborto no passado e hoje esteja genuinamente arrependido e consciente da gravidade do delito que o aborto constitui.
Não consigo perceber é porque está tão preocupado o CAA com o Código de Direito Canónico e com as condições para estar em comunhão com a Igreja universal, mas ele saberá melhor do que eu a fonte profunda dessa inquietação…
Mas penso que não é isso que está a ser discutido – a questão não é se quem comete um aborto se auto-exclui da Igreja Católica, mas se quem votar “sim” no referendo se auto-exclui da Igreja.
Já agora, se uma maioria demográfica de eleitores votar “sim”, os católicos vão deixar de dizer que são a religião maioritária em Portugal?
Comentário por Miguel Madeira — Janeiro 20, 2007 @ 15:46
»»»… mas ele saberá melhor do que eu a fonte profunda dessa inquietação…»»»
Que maldade…
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Comentário por Mentat — Janeiro 20, 2007 @ 16:28
Não é maldade: é verdade. Não percebo a inquietação e admito que ele saiba melhor que eu qual a sua fonte.
Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 20, 2007 @ 16:32
“Já agora, se uma maioria demográfica de eleitores votar “sim”, os católicos vão deixar de dizer que são a religião maioritária em Portugal?”
Caro Miguel Madeira
Não é isso que vai ser referendado, mas de qualquer maneira no máximo, o que se poderia concluir era que a religião maioritária em Portugal não é praticada pela maioria demográfica dos eleitores.
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Comentário por Mentat — Janeiro 20, 2007 @ 16:33
“a questão não é se quem comete um aborto se auto-exclui da Igreja Católica, mas se quem votar “sim” no referendo se auto-exclui da Igreja.”
Sinceramente não percebi. Porque razão quem vota sim poderá ser excluído da Igreja?
Comentário por Bruno Gonçalves — Janeiro 20, 2007 @ 16:34
BG: “Porque razão quem vota sim poderá ser excluído da Igreja?”
Houve um pároco que disse que votar “sim” implicava excomunhão automática.
Mentat: “Não é isso que vai ser referendado, mas de qualquer maneira no máximo”
Se o voto “sim” implicar excomunhão automática, é também isso que estará a ser referendado – afinal, se uma maioria demográfica votar “sim”, isso quer dizer que essa maioria é automaticamente excomungada, logo deixa de ser católica.
Comentário por Miguel Madeira — Janeiro 20, 2007 @ 18:31
“Houve um pároco que disse que votar “sim” implicava excomunhão automática.”
Porém, a doutrina da Igreja não é idêntica à opinião desse pároco. Assim sendo, continuo a não ver qualquer lógica na pergunta…
Comentário por Bruno Gonçalves — Janeiro 20, 2007 @ 18:38
1 – o CAA escreveu um post a respeito de um padre que diz que quem votar sim é excomungado
2 – se este post do AAA é, como parece, uma resposta ao do CAA, é esse assunto (excomunhão dos votantes do “sim”) que está em discussão, não?
Comentário por Miguel Madeira — Janeiro 20, 2007 @ 19:41
Miguel,
O facto do CAA ter escrito um post sobre o tema e do AAA ter dado resposta, não quer dizer que seja relevante para a discussão. Ultimamente os posts que leio nos blogs, tanto do sim, como do não, não acrescentam nada à discussão do tema da despenalização do aborto, bem pelo contrário. É por isso que quase nunca participo na discussão.
Dizer que a excomunhão dos votantes do “sim” é o que deve estar em discussão é completamente ridículo. Basta ler a pergunta do referendo para compreender que o problema é bem mais de origem penal do que propriamente de doutrina religiosa. Este post que o AAA escreve, não nega isso: A pessoa que execute um aborto incorre em excomunhão latae sententiae. Existe uma grande diferença entre fazer um aborto e votar sim neste referendo. O facto de uma pessoa concordar com a despenalização do aborto não indica que não considere o aborto uma opção imoral, contra a sua doutrina religiosa e que se recuse a fazê-lo. É preciso saber diferenciar as coisas, algo que parece que não está a contecer nesta camapanha.
Comentário por Bruno Gonçalves — Janeiro 20, 2007 @ 21:09
AAA
eu repito as perguntas do Miguel Madeira. O que esta’ em causa no post do CAA nao e’ a excomunhao de quem pratica o aborto, mas sim a excomunhao, automatica, de quem vota “sim” no referendo. Isso e’ para levar a serio ou nao?
Comentário por LA-C — Janeiro 20, 2007 @ 21:36
é a visão que a igreja tem da democracia. Quem está contra nós nao merece nada.
Comentário por The Observer — Janeiro 21, 2007 @ 13:34