
Há com certeza outras funções e interesses na arte. A que me importa e faz mexer é só uma: a arte é a domesticação dos demónios que carregamos. O artista é uma espécie de intérprete dos demónios que nos afectam, traduz o mais profundo que há em nós em obras e por elas expiamos pecados, desejos, emoções. Seja na pintura, escultura, cinema, teatro, literatura ou na música. Os nossos demónios são sugados e expostos nas obras de outrem, dos que têm uma espécie de visão, um sexto sentido que nos escapa. Por isso é que Tapiès, Julião Sarmento ou Cristina Ataíde são especiais. Há ali um bocado nosso, intenso, doloroso e estranhamente familiar. Go figure.
Adenda: Pelo exposto, chateia-me a linguagem ininteligível dos críticos de arte. Quero lá saber se o autor percepcionou os limites minimalistas da hermenêutica desconstrutivista ou se lobrigou o êxtase percorrendo percepções e caminhos expostos à crítica da metafísica pós contemporânea! Se toca naquele neurónio certo onde se abrigam os demónios é porque é bom.
Adenda II: Outro bom, Andrea Dojmi.
