A Semana Política
7/01/07-13/01/07
Por alguns dias, o Presidente da República Aníbal Cavaco Silva teve a oportunidade de fazer o que o comum português gostaria de fazer a título definitivo, respirar o ar de outro país que não Portugal. O Presidente partiu para a Índia para “potenciar as relações económicas entre os dois países”, e “instituir um novo relacionamento com uma potência emergente”, mas decerto terá aproveitado a ocasião para conviver com gente civilizada (embora a presença da Ministra da Cultura pudesse pôr em perigo esse objectivo). E quem o pode culpar? Se o leitor fosse Presidente e tivesse de ouvir o dr. Alberto João Jardim a afirmar que o seu papel na cooperação institucional com as Regiões Autónomas deveria consistir em “fazer uns jantarinhos” em São Bento, até a Somália lhe pareceria um destino aprazível.
E se o PR optou por respirar outros ares, os deputados estão preocupados com o do Parlamento. Jaime Gama promoveu uns almoços de discussão (ao que consta, não foram uma sugestão de Jardim) da reforma do parlamento. A questão do sistema de votação electrónica foi entregue a José Lello (cujo único mérito conhecido foi o de um dia ter insultado Ana Gomes), bem como será da sua responsabilidade a mudança do ar condicionado da sala de sessões. O BE deverá propôr um sistema moderno e jovem, enquanto o PCP prefere optar por algo que não contribua para a promoção da exploração da força de trabalho nacional pelas multinacionais do imperialismo capitalista. O PS e o PSD irão propôr um mesmo sistema, mas cada um afirma ser capaz de o gerir melhor que o outro. O grupo parlamentar do CDS/PP ainda não terá feito qualquer escolha, mas mal Ribeiro e Castro tome uma posição, a “banda” virá defender o contrário.
Por sua vez, o Primeiro-Ministro prepara a sua visita à China, a realizar-se no final do mês. Não parece ter, no entanto, razões para querer mudar de ares. O Banco de Portugal, cada vez mais uma espécie de SNI de Sócrates, veio afirmar que a “retoma” está aí, permitindo ao Primeiro-Ministro reclamar para si o mérito. Depois de ter quebrado a promessa eleitoral de não “acabar com as SCUT”, merecendo elogios por abandonar uma medida eleitoralista, o Ministro das Obras Públicas veio agora afirmar que, embora essa decisão esteja tomada a “nível político”, ainda se terá de avaliar se será realmente “posta em prática”, e o silêncio foi tão grande como o haviam sido os elogios de outrora.
Na realidade, Sócrates parece-se cada vez mais com um Pinóquio sortudo, cujo nariz cresce ao ritmo do défice português, mas todos estamos demasiado cegos para o ver.
“O PS e o PSD irão propôr um mesmo sistema, mas cada afirma ser capaz de o gerir melhor que o outro.”
Comentário por André Azevedo Alves — Janeiro 14, 2007 @ 22:19
A leitura deste post ainda me provocou alguns sorrisos;mas se não sentisse à minha volta um ambiente depressivo,próprio de quem acha que o tempo não está para brincadeiras,estou certa que daria umas boas gargalhadas.
Comentário por Cristina Ribeiro — Janeiro 14, 2007 @ 23:08
Grande texto.
Comentário por Helder — Janeiro 14, 2007 @ 23:30
Bem… aí está uma verdade….
Se o nariz do nosso primeiro está como o défice.. entao está mesmo a diminuir de tamanho… por isso nao o censeguem ver…
Finalmente algo acertado neste blog.
Comentário por The Observer — Janeiro 15, 2007 @ 01:37
De acordo com o texto, o único mérito do nosso “amigo” José Lello teria sido o de insultar Ana Gomes. Permitam que recorde que este foi o mesmo José Lello que um dia proclamou que Mário Soares era “irrelevante”.
Lello é o Pedro Barbosa da nossa política: triste e apagado quase sempre, de repente tem umas jogadas de génio. Ainda para mais, como é socialista, pode dizer o que os partidos arrumados “à direita” não podem dizer por boa educação ou pudor.
Cordialmente,
Fernando Barragão.
Comentário por fbarragao — Janeiro 15, 2007 @ 17:45
Gostei da parte do “SNI”….
Comentário por Jose Sarney — Janeiro 15, 2007 @ 23:16