O Insurgente

Dezembro 22, 2006

Contabilidade criativa?

Filed under: Política,Portugal — BZ @ 16:43

Como complemento à referida “venda” do Estabelecimento Prisional de Lisboa, é conveniente ler anteriores declarações do Ministro das Finanças:

Teixeira dos Santos, 16 de Outubro de 2006:

O Orçamento de 2006 não conta com nenhuma ajuda extraordinária do dividendo extra da Galp. Esse dividendo entra como receita de privatização e destina-se ao fundo de regularização de dívida pública.

Teixeira dos Santos, 30 de Novembro de 2006:

Quero tornar bem claro que nos batemos por um reforço da transparência das finanças públicas. Não houve no Orçamento do Estado para 2006 e não haverá no Orçamento para o próximo ano lugar a soluções de contabilidade criativa ou suborçamentação. Isso seria pagar tributo a uma política irresponsável de colocar debaixo do tapete o que naturalmente quem nos escrutina tecnicamente em Bruxelas e nas restantes capitais da União não deixaria inapelavelmente de identificar, mais tarde ou mais cedo, e de nos apontar o dedo. O Governo mantém-se comprometido com o escrupuloso cumprimento das normas de contabilidade nacional reconhecidas pelo Eurostat, sob a égide da autoridade estatística nacional e do Banco de Portugal, no âmbito do apuramento e reporte do défice, bem como de toda a informação que o fundamenta.

A questão pertinente é, portanto, saber como o Governo chegou à valorização de 60 milhões de euros e porquê efectuar a referida transacção 3 dias antes do Natal?

3 Comentários »

  1. Caro BZ,
    foi uma voz do além que soprou ao Governo que nos governa a tal valorizaçãozita dos 60 milhões. A coisa foi feita mesmo antes do Natal porque as pessoas que dão ordens e tal precisam de comprar as prendinhas e a benção do Divino pode ser muito importante nestas coisas de fé.
    Bom Natal, pá!

    Comentário por Rui Carmo — Dezembro 22, 2006 @ 17:09

  2. Este tipo de operações imobiliárias do Estado (e especulativas, para usar uma palavra que os donos do Estado tanto gostam de atirar, em tom de libelo acusatório, contra os cidadãos e as empresas que são proprietárias de activos reais) são de uma imoralidade sem limites.

    Repare-se na sequência de acontecimentos:
    1) Expropriação do terreno, muitas vezes selvagem (isto é, sem o pagamento da devida indemnização aos proprietários), por utilidade pública;
    2) Construção no terreno, com o dinheiro cobrado aos cidadãos por via dos impostos ou com o dinheiro resultante da venda de património adquirido pelo Estado com o dinheiro cobrado aos cidadãos por via dos impostos, de um equipamento que ficará ao serviço de toda a sociedade;
    3) Desactivação desse equipamento algum tempo depois;
    4) Repetição dos passos descritos em 1) e 2) noutro local;
    5) Aprovação de generosas áreas construtivas* (que um promotor privado provavelmente não conseguiria aprovar), actuando como juiz em causa própria, no local onde estava construído o equipamento entretanto desactivado;
    6) Venda do respectivo terreno, ou do terreno mais o equipamento, em hasta pública (um método de comercialização em que vigora o princípio “quanto mais elevado o preço melhor”, de que resulta a criação de uma referência, em alta, para todo o mercado imobiliário).

    Quem é o “pato bravo” quem é ?

    * a obrigatoriedade “poética”, em show-off pseudo-cultural, de manter o “núcleo histórico” será certamente compensada com mais área construtiva ao lado ou fora do “núcleo histórico”.

    Comentário por AS — Dezembro 22, 2006 @ 23:11

  3. Este acontecimento, como muitos outros, apenas vem confirmar que, para além de toda a intensíssima propaganda governamental que não olha a meios, o governo está desesperado para encontrar fundos para fazer face à sempre crescente despesa pública. Ele “vira gavetas ao contrário, levanta colchões” e espreme-nos até à última gota de sangue. Somos um país a ser devorado pelo seu próprio Estado, qual buraco negro! Quanto tempo mais?

    Comentário por António Bastos — Dezembro 22, 2006 @ 23:18


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