Guerra ao desperdício. Poupar recursos. Salvar o planeta. Este é o mantra que apologistas da reciclagem desejam passar à nova geração. E a julgar pelo espaço aqui em casa reservado a papel, vidro e embalagens, os mais jovens não são os únicos a terem sido “convertidos”.
A mensagem é simples: o processo de reciclagem permite a reutilização de materiais que, de outro modo, seriam enviados para aterro com o restante lixo tornando, por sua vez, necessário efectuar nova extracção desses escassos recursos naturais a fim de serem usados no próximo ciclo de produção. Ora, se os recursos são escassos, a reciclagem possibilita o prolongamento da sua vida útil. É – dizem – uma questão de contribuir para o futuro do nosso planeta e, consequentemente, das próximas gerações.
A mensagem é simples mas será que é autêntica?
Esta coluna n’O Insurgente tem o objectivo de nos obrigar a olhar para além do que é “visível” e, portanto, considerar os custos de oportunidade de uma actividade que, nos países desenvolvidos, não existiria sem a intervenção do Estado.
A atribuição de subsídios e/ou benefícios fiscais a empresas de reciclagem significa que, face ao sistema fiscal vigente, tais entidades dependem do Estado para atingirem um aceitável nível de rentabilidade que consiga garantir a sua sobrevivência no mercado. Sem aqueles nunca teriam sequer iniciado actividade.
Assim, se o Estado necessita de, através dos impostos, desviar recursos de outros sectores de actividade tal indica que as actuais tecnologias de reciclagem consomem mais recursos que a sua extracção da Natureza. Há que, por isso, contabilizar o que não é “visível”.
Exemplo: se determinado produto custa 100 a produzir por via de extracção da matéria-prima e 110 através da sua reutilização, um subsídio de 20 apenas resolve o problema da competitividade da empresa de reciclagem porque a economia (como um todo) consome, com a segunda opção, 130.
Se realmente desejamos combater o desperdício de recursos, temos de descontinuar com o que, à primeira “vista”, nos parece ser a melhor solução. Temos de ser ambientalmente responsáveis e parar de reciclar.
Nota: o papel de rascunho deste post foi para o balde do lixo!!!
O amigo desculpe, mas é este género de coisas que ensina aos seus filhos ou isto é só um exercicio de retórica bloguista?
Comentário por Preocupado — Novembro 29, 2006 @ 08:28
Se este pensamento tivesse dominado a Humanidade ao longo dos tempos, ainda estaríamos na Idade da Pedra. Não se fazia nada, não havia investigação científica (por exemplo, não se afectavam recursos para a fusão nuclear, por não termos a certeza de que se será viável no futuro).
Comentário por Luís Marvão — Novembro 29, 2006 @ 09:52
BZ, eu concordo com o Luís Marvão!
A roda nunca teria sido inventada, nem o fogo descoberto, nem os animais selvagens domados e domesticados. Não teria havido agricultura, olaria, construção civil, pecuária, fabrico de utensílios e armas, comércio, desenvolvimento da escrita, pesca, barcos, moinhos, silos, poços de água… poços de petróleo, automóveis, computadores, viagens espaciais, blogues! …porque todas essas actividades basearam-se no respeito absoluto aos sentimentos do “Ambiente”!
Comentário por AA — Novembro 29, 2006 @ 12:07
Caro BZ,
admitindo que todas essas contas estão certas, ainda assim, fica-me uma pergunta: quem é que despeja o balde do lixo?
Comentário por Pintoff — Novembro 29, 2006 @ 12:15
“A atribuição de subsídios e/ou benefícios fiscais a empresas de reciclagem significa que, face ao sistema fiscal vigente, tais entidades dependem do Estado para atingirem um aceitável nível de rentabilidade que consiga garantir a sua sobrevivência no mercado. ”
Não. Claro que não “significa” tal coisa. Podem dar-se subsídios a empresas por si já monstruosamente lucrativas. Como o resto do post e como a maioria dos posts deste autor, isso á uma simplificação só digerível por papalvos.
Comentário por LR — Novembro 29, 2006 @ 15:45
Preocupado:
“é este género de coisas que ensina aos seus filhos[?]“
Todo o pai deve educar os seus filhos sobre a gestão eficiente de recursos.
Luís Marvão:
“Se este pensamento tivesse dominado a Humanidade ao longo dos tempos, ainda estaríamos na Idade da Pedra. Não se fazia nada, não havia investigação científica (…)”
Foi precisamente a gestão eficiente de recursos que nos fez sair da Idade da Pedra!!!
Pintoff:
“quem é que despeja o balde do lixo?”
Os cidadãos já pagam taxas municipais para o aterro do lixo. Com a reciclagem pagam ainda mais por serem necessárias diferentes infraestruturas.
LR:
“isso é uma simplificação só digerível por papalvos.”
Excelente argumento!
Contabilizar todos os recursos utilizados no processo de reciclagem é certamente uma prática “economicista” pouco recomendável a quem realmente se preocupa com a gestão ambiental…
Comentário por BZ — Novembro 29, 2006 @ 16:30
Não, meu caro, você esqueceu-se de somar os custos que as empresas ditas viáveis, não pagam!
Bebe água estragada? Não, mas seria o que teríamos se o lixo se acumulasse sem tratamento!
Suponha que os transportes nas cidades eram feitos por carros puxados por bois.Se não houvesse o custo de apanhar a “bosta ” dos bois era impossível viver nas cidades!
Assim, ao custo da carroça e dos bois teria que lhe juntar a limpeza das ruas!
Foi por desaparecerem as carroças que se desenvolveram as actuais
cidades, com esta dimensão !
No entanto, andar de carroça é muito mais barato!
As empresas a que chama viáveis, deviam incorporar no custo dos seus produtos,as actividades a montante e a jusante, sem as quais não seria possível fornecer os produtos e/ou os seus seviços.
Se já pagam impostos basta que esses impostos sejam canalizados para a… “limpeza da bosta “
Comentário por Luis Moreira — Novembro 29, 2006 @ 19:41